sábado, 14 de outubro de 2017

Festividades do Dia do Professor

A primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor começou em São Paulo, em uma pequena escola que tinha o nome de Ginásio Caetano de Campos, na Rua Augusta. O longo período letivo do segundo semestre que ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. motivou quatro professores a organizar um dia de parada para se evitar a estafa e seria também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano. O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase " Professor é profissão. Educador é missão". Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".
A partir desse Decreto as escolas aos poucos foram aderindo às comemorações em homenagem ao professor. Figura importantíssima e necessária dentro de um estabelecimento de ensino.
Neste ano de 2017 o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Juazeiro do Norte inovou com uma belíssima homenagem como preito de reconhecimento a 15 professores pelos relevantes serviços prestados a Educação do Cariri. A ideia partiu do professor Gagari Lima que sentiu a necessidade de levar ao público a gratidão que todos nós sentimos pelos nossos professores. São eles que nos levam a conseguir e galgar os nossos objetivos na profissão escolhida. 
Colocou a ideia para apreciação do Diretor Geral, Guilherme Brito de Lacerda, sendo aceita. A partir daí, com a aquiescência do Diretor reuniões foram marcadas para discussão dos nomes que seriam escolhidos. A decisão dos nomes foi colocada para apreciação e depois confirmada. O convite foi feito via telefone pelo professor Gagari, mentor da ideia. Em seguida foi entregue o convite pessoalmente pelos professores da entidade.  O professoro Gagari nos informou que em vinte e dois anos de existência do Instituto em nossa cidade este é o primeiro ano que se comemora o Dia do Professor com uma solenidade tão requintada e com a entrega de placa de Reconhecimento. Ele ainda nos disse que estes quinze professores homenageados representam os professores de toda Região do Cariri. Relação dos professores homenageados:

Basílio Silva Neto, Célia Maria e Silva Moraes, César Bandeira de Melo, Daniel Walker Almeida Marques, Edmilson Martins Lima, Francisca Quelma dos Santos, Francisca Teixeira Batista (Dona Teté), Francisco Mendes Amorim, Francisco Renato Sousa Danas, Geraldo Menezes Barbosa, José Orlando de Oliveira, Luciano das Neves Carvalho, Maria Socorro de Morais Martins, Monsenhor Ágio Augusto Moreira, Tereza Neuma de Macedo e Silva Marques e Zuleide Fernandes de Queiroz.
A solenidade aconteceu no dia seis de outubro às 19h no Auditório Kariris do IFCT. Na abertura contou com um Recital de Piano e Violino, a palavra do diretor-geral, em seguida a entrega das placas. No final da solenidade a seção de fotos.
Senti-me muito lisonjeada com a homenagem, até me surpreendi com a escolha. Entretanto, um fator preponderante para a minha escolha foi o período que estive à frente da Escola Dona Maria Amélia Bezerra ocupando o cargo de vice-diretora do turno noturno, um turno difícil de lidar. Durante dezenove anos, administrei com muita responsabilidade, pulso forte e muita coragem. Contei com professores, funcionários, vigias e diretores que me apoiaram. Cumpri minha missão com dignidade e até hoje os meus alunos (ex) me cumprimentam, me abraçam e recitam com alegria: “Esta é a minha eterna diretora”. Que sabor maravilhoso sinto, o sabor da gratidão
Agradeço a toda equipe do Instituto Federal por esta maravilhosa ideia e que tenha continuidade esse preito de reconhecimento.  



sábado, 30 de setembro de 2017

O meu adeus para Maria Duarte

Conheci Maria quando comecei a frequentar a casa de Daniel, como sua namorada. Ela para dona Maria era como se fosse da família. Chegou muito jovem para ajudar dona Maria nos cuidados com Jorge Luiz, o filho caçula que nasceu prematuro. E daí foi ficando, e conseguiu assumir outros afazeres domésticos. Não muito chegada à cozinha, o que fazia a pedido de dona Maria era o arroz. E olhe, algumas vezes deixava queimar. O que gostava de fazer mesmo era lavar os pratos, panelas e talheres, e enxugá-los, após o almoço. Domingo, dia de reunião da família, dona Maria preparava o almoço com muitas regalias e precisava de seu auxílio para cortar as batatas, para serem fritadas, especialidade da casa. Prato exigido sempre pelos convidados. Existiu entre dona Maria e Maria uma amizade muito grande, as duas se entendiam tão bem que faziam tudo para agradar cada uma a outra. Em certas ocasiões, dona Maria tomava o partido de Maria com relação a seu Zeca. A presença de Maria como guardiã dos meus filhos, Michel e Daniel Junior, foi imprescindível.  Sempre solícita, atendia sempre ao meu chamado em momentos de necessidade. Na época em que cursava faculdade, ela acompanhada de minha sogra, dona Maria, iam para minha casa ficar com Michel quando bebê. Todo santo dia tinham esta penitência de 2ª a 6ª feira, de cuidar dele. Ainda bem que não foi por muito tempo, apenas um semestre. Mas, essa missão ela fazia com muito prazer. Brincava, acalentava e dava até para cochilar. Tempo de dificuldades para nós, sempre contamos com sua ajuda. Daniel Junior, o nosso segundo filho, ela costumava passear com ele, levava para procissões e não deixava de lhe dar as guloseimas como algodão doce, pipoca, bombom. No nascimento das minhas netas, fez questão de ir logo visitá-las na companhia de seu Zeca e de dona Maria. Sofreu muito com a morte dos três filhos de seu Zeca e de dona Maria: Valter, Samuel e Jorge Luiz. Em todos os eventos da família esteve presente, como na comemoração dos 90 anos de seu Zeca, de dona Maria e no lançamento do livro Neuma, uma mulher de fibra e de fé, escrito por Daniel Walker. Com a morte de seu Zeca, esposo, parceiro, companheiro de dona Maria, as duas se uniram muito mais, uma dando força a outra. Fiel escudeira de dona Maria, dobrou os cuidados e afagos, os cafunés assistindo às novelas na televisão. E os gatos, quando adoeciam ou morriam, ela ficava dias sem comer, deixando dona Maria contrariada e preocupada. O jeito era arranjar o mais rápido possível outro gato para preencher o vazio. E quando dona Maria adoeceu, antes de completar um ano da morte de seu Zeca, ela chorava muito. Aflita e agoniada, procurava na oração, na recitação do terço e nas visitas à Capela do Socorro diante do Santíssimo, alívio para o sofrimento de dona Maria que sentia muitas dores. Durante oito meses, zelou e cuidou dela, junto com Nilde Marques. Com a morte de dona Maria, se sentiu desamparada, sem vontade de viver e não quis continuar na casa que a abrigou por mais de 50 anos. Pediu-nos que alugássemos uma casa, porque queria ter a sua própria casa. Fizemos o seu gosto, compramos o necessário para o seu conforto. Ficou durante dois anos e seis meses morando sozinha, e à noite contava com a companhia de Magdalene que dormia com ela. Sem ânimo, saudosa dos entes queridos que se foram, seu organismo foi se debilitando e doenças começaram a surgir, e muitas vezes teve de ser hospitalizada, recebendo toda assistência da Unimed por conta do plano que nós fizemos para ela, fazia muitos anos. Resolvemos, com a autorização dos seus dois sobrinhos, Cícero Josué e Francisco Josafá, colocá-la na Casa do Idoso, localizada na Rua Pedro Cruz Sampaio, bairro Juvêncio Santana. O administrador, Irmão Bernardo, a recebeu com um sorriso, segurou a sua mão e pediu que se acomodasse em sua sala para uma conversa. Falou do tratamento que o idoso recebia em sua casa, do lazer, da alimentação. Esclareceu todos os pormenores e deixou-a à vontade para conhecer a casa e depois resolver. E assim com a sua permissão, em 08 de agosto de 2014, dia do seu aniversário, a hospedamos nesse lar abençoado por Deus. Levamos um bolo confeitado, refrigerantes para comemorar o seu aniversário e a acolhida na casa. No início, estranhou a morada. Um dos motivos era porque gostava de passear, de andar sozinha nas ruas, igrejas e em uma dessas vezes foi atropelada. Lá na casa seria diferente, só podia sair acompanhada de alguém ou com a nossa autorização. Durante este período de mais de três fez amizades, e mesmo sendo chamada para almoçar em nossa casa, achava melhor ficar na casa com seus amigos. Muito bem tratada por Neuda, uma criatura de Deus maravilhosa que cuida e ajuda no que é possível na Casa ao lado do Irmão Bernardo e de Tomás, o enfermeiro e cuidador, que a auxiliava no horário dos seus medicamentos e quando surgia alguma necessidade extra. Sempre a visitávamos aos sábados quando assistíamos a missa juntos.  O importante de tudo isso é que ela foi feliz enquanto viveu, à sua maneira. 
Somos gratos aos familiares e amigos que estiveram presentes na vida de Maria, e às equipes médicas do Hospital de Fraturas, Clínica São José e Hospital do Coração que sempre nos atenderam com presteza e competência nos atendimentos feitos a Maria nos momentos de hospitalização. 
Maria, Deus é testemunha de que fizemos o que foi possível por você, e não poderia ser diferente para quem se dedicou e amou demasiadamente a família Marques. Muito obrigada, Maria. Que Deus lhe proporcione uma grande acolhida. No cemitério Anjo da Guarda você vai se encontrar com Seu Zeca e Dona Maria, e lá, todos juntos no jazigo da Família estão à disposição da vontade de  Deus, gozando as venturas do Reino Eterno, onde estão as almas bondosas. Descanse em paz!   
Tereza Neuma     
Memória fotográfica 














quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mulheres que se destacam em suas aptidões

Dia de São Vicente de Paulo, 27 de setembro e também se comemora o Dia do Idoso. Reverencio neste dia pessoas maduras e que são exemplos para todos nós.

Cada pessoa traz consigo dons oferecidos por Deus que costumo chamar de dons preciosos. Estes dons preciosos nem sempre são bem aproveitados, sendo muitas vezes desperdiçados. Entretanto, os exemplos colocados a seguir demonstram como estas três pessoas, mulheres dinâmicas e vontadosas souberam aproveitar e usufruir das suas habilidades. 

Um exemplo que merece admiração é o de dona Salette Cruz, mulher virtuosa, temente a Deus e que traz consigo a bondade que espalha entre os irmãos. Foi aluna do Colégio das Doroteias em Fortaleza. Estudou em Salvador por um tempo e voltou para sua terra natal. Passou a estudar, então, no Colégio Santa Teresa, em Crato, não chegando a concluir seus estudos para casar-se com seu Leandro Bezerra. No Colégio Santa Teresa aprendeu nas aulas de Artes Manuais a arte do bordado a mão, saboreando esta habilidade que aprendeu e desenvolveu com muito capricho, servindo de orgulho para suas professoras. O seu vigor e entusiasmo a deixam rejuvenescida ao praticar a arte que tão bem sabe fazer, usando suas preciosas mãos que transformam riscos e rabiscos de flores, de ramagens em lindas peças bordadas.  Motivo de sobra tem para ser uma pessoa sempre alegre e feliz, demonstrando a todos que sente um grande prazer em viver. O seu tempo não é ocioso, ela o ocupa bordando toalhinhas de bandeja para presentear familiares e amigos. Seu filho, Dr. José Arnon quando Deputado Federal, levava em sua bagagem muitas sacolas com embalagens exclusivas para presentear as esposas dos políticos em Brasília. E dona Salette não perde tempo, é sempre produzindo, apesar do tempo de sua existência já vivido, este mês completou 90 anos. É uma riqueza maravilhosa de Deus chegar a esta idade com disposição, lucidez e ainda mais, com vontade de praticar sua arte com tanto amor fazendo o que lhe dar prazer. É um desafio para os jovens este modelo de mulher, mãe, avó, bisavó que não se acomodou e que vislumbra e acompanha com muita sabedoria as grandezas encontradas no seu caminho semeadas por Deus.



Dona Enedina Damasceno Martins, moradora da Rua São Francisco, próxima do extinto Ginásio Municipal Antônio Xavier de Oliveira. Senhora modesta, avessa a badalações e exposições, a bem da verdade mulher excessivamente recatada. Descobri-a por acaso. Sua irmã, Irenilce amiga nossa, nora de dona Maria de Beato, veio à nossa casa em busca do livro da Praça Padre Cícero, antes mesmo do lançamento. Estranho, não é? Antes mesmo de ser exposto à venda. O motivo muito justo para esta irmã que faz o possível para atender ao pedido de sua irmã que é motivo de orgulho para todos da família: o seu gosto e hábito pela leitura. Hábito que nos dias atuais é praticamente impossível de encontrar. Ler, absorver, interpretar e apreciar são hábitos louváveis e precisam ser divulgados. Dona Enedina, com a idade de 83 anos, se deleita com os livros. Fiquei bastante curiosa para conhecê-la, mas fui logo informada por Irenilce que ela não gostava de aparecer, pois é muito reservada. Mesmo assim, sabendo que poderia receber um não, fui até a sua casa. Fui recebida por sua filha com muita distinção e fiquei aguardando que ela se apresentasse. Ela chegou timidamente, apertou minha mão e disse: “Foi Irenilce que lhe falou que gosto de ler, mas é só pra mim, não sou de muitas palavras e nem dou entrevistas”, disse com  tom bem categórico. 
Respondi: Fui informada sim, acontece dona Enedina, que desejei conhecê-la, a senhora é uma joia rara, principalmente na sua idade. 
Ela foi acessível e falou que desde a tenra idade gostava de folhear livros. A primeira escolinha que frequentou foi o Grupo Escolar Padre Cícero e, que no período da tarde, horário em que estudou, recebia o nome de Associados. Aos poucos, contou-me esta deliciosa tendência que possui de viajar com as leituras até às 3 horas da madrugada, hora do silêncio, quando não se ouve ruído, grito, choro, buzinas, carros de som, fogos. E continuou: Tenho a minha cadeira, a lâmpada adequada, o relógio que de longe mesmo observo a hora para me deitar. Tenho um zelo especial por minha biblioteca, cuido bem dos meus livros e se por acaso empresto algum, fico cobrando que seja logo devolvido. Minha grande riqueza e satisfação e que preenche os meus dias é quando me debruço sobre a leitura de um livro, não tenho enfado. 
Já bem entrosada comigo, levou-me até um espelho muito antigo, que pertenceu aos seus pais e me disse que todo ano no Dia da Renovação do Coração de Jesus, na casa dos seus pais, os pregos da moldura eram trocados, seguindo uma tradição e só quem podia mudar eram pessoas do sexo masculino, e dentro se costumava colocar um jornal da época. Ela falou que houve uma gincana num colégio, ela não lembra qual, que pedia um jornal antigo e os alunos foram procurá-la, pedindo emprestado o jornal e nessa tarefa os alunos ganharam. 
Dona Enedita desejo-lhe muitas e muitas viagens, muitos passeios pelo mundo da escrita.





Francisquinha Gonçalves de Menezes, sobrinha de dona Assunção Gonçalves, morava no sítio e todos os dias vinha para a escola, que não era muito distante. Mas, na época invernosa, a dificuldade muito grande de passagem para chegar à escola, recebeu o convite da tia para ficar hospedada em sua casa. No início, ficava um tempo e depois voltava para o sítio. E foi assim a peleja por algum tempo. Depois decidiu ficar definitivamente, constituindo uma grande amizade e parceria entre as duas. Dona Assunção a chamava carinhosamente de Chica, de Fuca, Fuquinha, apelido que até hoje é tratado pelos sobrinhos. Na companhia de sua tia aprendeu muitas técnicas. A primeira que desabrochou foi a de bordar a mão. Bordava toalha de mesa, colcha de cama, lençol de vira e rede. Muito apreciado, o seu trabalho conquistou uma boa clientela. As famílias da redondeza faziam questão de presentear filhas, amigas com peças bordadas por ela. Investiu em outra faceta: o gosto pela pintura, observando a sua tia pintar. Muito habilidosa, aprendeu rápido essa outra técnica e recebeu encomendas de colchas em organdi pintadas. Foi um sucesso. E haja tempo para pintar. Usufruindo da ótima companhia da tia e dos seus santinhos de estimação, que colocava junto da mesa para apreciarem seu trabalho. Encomendas e mais encomendas chegavam. Até hoje ela lembra das pessoas que compraram suas peças e algumas ainda as têm guardadas. Francisquinha, achou pouco e sugeriu para a tia que investissem na preparação e feitura de bolos confeitados ornamentais. A fama tomou conta da região e muitas pessoas vinham de fora para fazer encomendas de bolo de 15 anos, de casamentos, de aniversário, de 1ª comunhão. Quando se anunciava que na festa de alguém o bolo saía da casa de dona Assunção amigos mais chegados e até pessoas estranhas faziam questão de olhar a preciosidade feita pelas quatro mãos. A exclamação geral: lindo, divino, perfeito! Incontáveis bolos confeitados foram feitos e fotografados. Os tempos mudaram e o encanto dos bolos passou. O glamour, o charme das duas em confeccionar bolos magníficos com a idade foi diminuindo, dando lugar a coisas menos trabalhosas. Atualmente, Francisquinha lida com a pintura em toalhas de banho, toalhas de bandeja e panos de prato. Uma grande artista em várias artes. Que Deus lhe ilumine e lhe ofereça muitas encomendas na arte que focaliza muito bem o seu viver. A arte de fazer amigos, e de colocar em seus trabalhos as alegrias de Deus, as flores, as rosas. Bom proveito de suas obras!  











sábado, 26 de agosto de 2017

Quarenta anos do meu querido filho Daniel Junior, o caçula

Debrucei-me em frente ao computador e deixei-me conduzir pelas lembranças de sua chegada ao cosmo terrestre. Você, filho, chegou ao mundo no final da madrugada de um sábado, no dia 27 de agosto de 1977, pelas mãos do médico obstetra dr. João Tavares Neves, o anestesista, dr. Gilson, as enfermeiras Iracema e Railda. Dr. Ailton Gomes, o pediatra que o examinou. Sua avó, Maria Almeida, que me acompanhou até a hora do seu nascimento. Seu pai ficou em casa, com o seu irmão Michel, que não parava de me chamar, e seu pai tinha que consolá-lo. Devido a anestesia geral que tomei para a cesárea, você nasceu sem chorar e com dificuldades para respirar. Por isso,  teve que receber palmadinhas e usar um tempinho o oxigênio. Maria quando o visitou na maternidade achou-o muito fofo e branquinho. Quando falou para sua avó, d. Maria que o seu neto era louro e tinha os olhos azuis, ela repreendeu-a dizendo: “Acabe logo com essa conversa, não tem a menor condição dele ser louro e com os olhos azuis”. 

O tempo passando e o bebê fofo foi se desenvolvendo muito rápido; com dois meses pesava 8 quilos e veja o peso para levá-lo nos braços! As babás duravam muito pouco, não aguentavam o embalo. Seu pai o chamava de “meu chumbinho”, e todos os dias, após o almoço era quem o colocava para dormir. Armava a rede e ficava cantando músicas de ninar para fazê-lo dormir e não resistia, adormecia também. Algumas vezes levava-o para a casa de seus avós paternos na Praça do Socorro no braço e quando chegava estava exausta, procurava logo uma cadeira para sentar-me e pedia socorro a d. Maria ou a Maria. Você, de cara amarrada, os olhos bem redondos e arregalados não queria conversa, abria o berreiro e não aceitava o braço de nenhuma das duas. 

Depois, com os agrados recebidos e as guloseimas oferecidas abria os braços e as aceitava. Seu avô quando você começou a andar com onze meses passeava de mãos dadas na praça junto com o seu irmão, Michel. Muito orgulhoso ficava mostrando aos vizinhos os netos que tanto amava. O seu primeiro aninho foi uma festança. Convidamos seus primos, vizinhos, amiguinhos e familiares. A mesa toda preparada ficou um encanto, mas o aniversariante ficou bem irritado com o conjunto sáfari de linho, por sinal muito quente e queria tirar. Felizmente aguentou até cantar parabéns e apagar a velinha. Ficou alegre com os presentes e também com os amiguinhos querendo a todo custo brincar. 

A sua infância rica de brincadeiras com seu irmão que para todos os efeitos era o seu ídolo, em tudo queria imitá-lo. Brincando de homem aranha e nos dramas que ele criava com os fantoches que ele mesmo fazia com gesso e inventava a história e você ficava atrapalhando sempre. E a proteção que recebia dele, ninguém podia tocá-lo ou mexer com você na calçada, na escola, porque ele já partia para brigar. Ah! Filho amado, lembro dos amiguinhos vizinhos que iam brincar com você, de botão, de neguinhos, de tirar seriguela e vender na calçada. Dos finais de semana que junto com seu irmão, pegava cada um a sua bicicleta e iam dormir na casa dos seus avós, seu Zeca e dona Maria. Tempo mágico vocês viveram.

Lembro muito bem do memorável dia em que recebeu Jesus pela primeira vez, no Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1987. Sua catequese foi no Colégio Mons. Macêdo e a sua catequista, Irmã Maria da Paz, Missionária de Jesus Crucificado. Durante o período de 9 meses você frequentou assiduamente o Catecismo com muita alegria. E da reunião com as mães para a escolha das roupas que as crianças usariam, foi escolhido para os meninos o modelo que levei. 

No dia da solenidade festiva dos neocomungantes na Paróquia de Nossa Senhora das Dores o celebrante foi padre Murilo de Sá Barreto no horário da manhã. Estampo em minha memória você na fila muito compenetrado para receber Jesus pela primeira vez. O café da manhã foi servido no Colégio Mons. Macêdo, tudo muito organizado, a mesa estava perfeita.

A escolinha que escolhemos para você estudar foi a Escola Menino Jesus da professora Socorro Maia. Foi matriculado no maternal com 2 anos e sete meses. Nos primeiros dias estranhou um pouco, queria a companhia de Maria para ficar ao seu lado. Entretanto, se entrosou rápido com os coleguinhas e com a sua professora, Nailma  Vasconcelos, não precisando mais de alguém conhecido seu lado. Participava sempre dos eventos sociais, como o desfile da Independências, no dia 7 de setembro. As comemorações do São João, e uma vez foi escolhido para ser o noivo da quadrilha. Os festejos do Dia da Criança, onde participou como o Pinóquio das histórias infantis ficando classificado em 2º lugar e, quando representou o país Holanda, em trajes típicos da região. Saindo do Jardim II da Escola Menino Jesus passou a frequentar o Ginásio Batista do Cariri, tendo como diretor o eficiente educador José Orlando. Ah! Sua primeira professora, Ilvanira Rocha, trabalhava comigo na Escola Maria Amélia e como se preocupava com você porque não sabia copiar do quadro verde as tarefas. Foi necessário que comprasse um quadro para ensiná-lo em casa e assim, aprender rápido para não se atrasar na sala de aula. Luiza Vieira também foi sua mestra e também trabalhava comigo na Escola Maria Amélia, redobrava a atenção para com você. Tempo passando e o menino crescendo em um ritmo acelerado. 

O Ginásio Batista já não o atendia, concluiu o ginasial, despedida dos colegas com bolos, refrigerantes e fotografias. Matriculado no Colégio Salesiano São João Bosco, novo rumo, cursar o 1º Científico. Professores novos, novas disciplinas, fase de adaptação. Passou para a Escola de 2º Grau Gov. Adauto Bezerra, onde cursou o 2º e 3º Científico, para ingressar na sua futura profissão. Fez vestibular para Ciências da Computação em Teresina, não obtendo êxito. Continuou se preparando em cursinho da nossa cidade, e em 1995 passou na Universidade Regional do Cariri em Engenharia de Produção. Aluno aplicado, conseguiu logo um estágio no SINE-CE, se deslocando para cidades vizinhas em projetos de pesquisa. 

Outro estágio que se habilitou do Centro Integrado Empresa Escola-CIEE, no qual trabalhou na fábrica de folheados JR. Cursando a faculdade as reuniões com os seus colegas sempre aconteciam em nossa casa. Planos, projetos aceitos e concretizados como a criação da Empresa Junior, EJEPro-Empresa Junior de Consultoria em Engenharia de Produção, sendo o primeiro diretor. O jornal também editado por vocês em outubro de 1995, O Universo da Engenharia, você foi o coordenador. E os prêmios recebidos pela sua atuação como Webmaster e Web designer. As capas de livros editados que você criou. As suas viagens participando de congressos, seminários quando atuou no projeto da Fundação Mussambê, órgão sem fins lucrativos e que criou máquinas para a extração do óleo do coco babaçu, com a equipe Maria Matias (URCA), Gilberto (engenheiro) Célio Barros (contador). 

A Ruraltec, empresa criada para desenvolver os projetos das máquinas para quebrar o coco babaçu e extrair o óleo. Investimentos, muito trabalho e que não vingou, decepções. Mas, a vida nos ensina a cada dia e sei que as dificuldades enfrentadas por você geraram uma gama de conhecimentos que o têm elevado à categoria de um bom profissional. E foi assim que se submeteu ao concurso da Grendene e foi aprovado. Colocou em prática os seus conhecimentos como engenheiro de segurança elaborando programas para extinguir o risco de acidentes, gerando satisfação na empresa. Não ainda satisfeito quis voar um pouco mais alto e partiu para criar a sua própria empresa, a Quality Engenharia e Consultoria Ltda. Executando trabalhos em postos de gasolina, em empresas e como consultor do Senai e Sebrae. Filho, isso é coisa demais para a sua cabecinha como costumo dizer e você risonho, muito feliz me responde: “maiinha eu gosto de trabalhar, é assim que me realizo”.     

Com apenas catorze anos começou a trabalhar como jovem aprendiz no IPESC- órgão ligado à Universidade Regional do Cariri-URCA, localizado no prédio do Ginásio Municipal, na parte do acervo jornalístico. Com o dinheiro que recebeu arrumou sua bicicleta, ficou novinha em folha, e era o seu transporte para chegar ao trabalho. Talvez, nem lembre desse fato filho, você não colocou o cadeado e carregaram sua bicicleta. E ficou indo a pé durante um bom tempo. E a alegria que sentiu quando conseguiu tirar a sua carta de motorista. E a compra do seu primeiro carro, conquista exclusivamente sua.  

No dia de sua formatura duas grandes alegrias aconteceram: a conclusão acadêmica em Engenharia de Produção e o seu noivado com Luana Garcia López, Após a solenidade de conclusão do curso no Polisportivo todos fomos para nossa casa para celebrarmos este momento tão especial e você diante dos presentes e da mãe de Luana você colocou a aliança na mão direita de Luana e ela colocou na sua. Palmas, abraços, choros e alegrias aconteceram eternizando a partilha. O casamento aconteceu no mesmo ano, em 2001 no meado de novembro. No ano seguinte chegou um presente maravilhoso de Deus, o nascimento de sua primeira filha, Heloísa, na Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, na cidade de Barbalha. A minha primeira netinha, a bonequinha da vovó e do vovô. Alegria estampada no seu rosto quando a segurou pela primeira vez. Vida normal com a bebezinha, linda e fofa. Ano seguinte o nascimento da segunda filha, Isadora, na mesma maternidade, em Barbalha. Gorduchinha e com a cabecinha coberta de cabelos pretos logo encheu de alegria a família, especialmente os pais. Os avós corujas e os bisavôs logo a visitaram, família aumentada e finais de semana maravilhosos em nossa casa para aprofundarmos o amor verdadeiro com filhos e netas. Então, o que posso dizer mais, que as netinhas cresceram e já participam de festinhas. E o papai um pouco ciumento não deixa de levá-las para os eventos e depois vai pegá-las. Lei da vida, tudo parece igual.

Expresso o meu sentimento de amor e de dedicação para você meu filho que nós o consideramos um grande vencedor, porque apesar dos percalços encontrados no caminho que vem trilhando não deixa de sorrir e de confiar no Deus supremo que nos momentos mais difíceis o carregou nos braços e não o abandonou. Agora, filho, é colher os frutos das sementes plantadas em solo fértil que com certeza lhe trarão grandes realizações. Que Deus o guarde e o proteja, sempre.
Beijo grande de sua mãe,   

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA