sábado, 5 de agosto de 2017

Era uma vez... Antonio Luiz uma vida de muitas provações e de muitas graças

Filho de Luiz Pereira e Silva e de Antônia Zeneida Macêdo e Silva, recebeu o nome de Antônio Luiz prestigiando a ambos, os pais. Nasceu no dia 13 de outubro de 1948, em uma quarta-feira. O trabalho de parto muito difícil, não dando condições à parteira de trazê-lo ao mundo, depois de muitas tentativas. Foi necessário recorrer ao médico dr. Antônio Conserva Feitosa que atendendo ao pedido do seu pai disse que levasse a parturiente até ao seu consultório e lá poderia tratá-la. O trabalho do parto não consolidava e foi necessário a aplicação do fórceps. Nasceu muito maltratado, com hematomas na cabeça e muito roxinho. Dr. Feitosa de acordo com relato de sua mãe, achou que não tinha nenhuma chance de sobrevivência, deixou-o de lado e foi cuidar da mãe que estava merecendo cuidados. 

E assim o menino franzinho foi se desenvolvendo graças ao leite de cabra e de uma jumenta que seu pai comprou e a colocou no curral do seu pai, Manoel Bento que ficava ao lado de sua casa, na Rua do Salgadinho, hoje denominada de Rua Leandro Bezerra. Na idade de 4 anos adquiriu o verme de cachorro, a larva migrans, transmitida através das fezes do cachorro e do gato. Na época, ano de 1952, a medicina de nossa cidade era muito precária e seus pais foram orientados pelo médico que o atendeu para levá-lo para Fortaleza. Sua mãe acompanhada de sua irmã, Odete seguiram de trem conforme a orientação do médico. Ficaram hospedados no apartamento do irmão, Gerson localizado na Praia de Iracema. Enquanto aguardavam o horário de atendimento do médico, o pediatra muito famoso, dr. Luiz de França, desceram para a praia para mostrar ao menino a grandeza e beleza do mar. Em um dado momento de distração ele desce para a beira mar e uma onda muito forte o carrega para longe. A mãe e a tia muito aflitas gritam desesperadas sem condições de salvá-lo. Eis que num impulso de fé a tia grita pedindo a Nossa Senhora do Socorro que o salve. Imediatamente o seu pedido foi alcançado, a onda muito forte voltou e o trouxe deixando-o nos pés da tia. Para elas que presenciaram o fato consideraram um milagre, pois a esperança de salvá-lo era impossível. Assim, depois da consulta feita com o dr. Luiz de França voltaram à Juazeiro e graças ao tratamento prescrito ficou curado. 

Em 1959, com apenas 11 anos, seus pais aconselhados por amigos resolveram colocá-lo para estudar na Escola Apostólica dos Padres Jesuítas de Baturité em regime interno. Para ele, criança, ainda fazia xixi na cama foi uma verdadeira morte. Foi muito triste deixar seus pais, irmãos e primos (quase irmãos). No dia de viajar para o Colégio em Baturité, passou o dia inteiro chorando, não se conformava com a decisão tomada por seus pais. Viajou acompanhado pelos padres jesuítas de nossa cidade, Juazeiro do Norte e de alguns colegas que também iriam estudar lá. A tristeza era sua companheira. Cartas seguiam e vinham, mas a saudade era imensa. O coração doía melancólico. Finalmente o final do ano chegou e pôs fim ao tormento e a angústia do menino já pré-adolescente. Os dias foram passando, a criança raquítica foi tomando corpo de um rapazinho. Os primeiros fios do bigode aparecendo, o menino levado e brincalhão em sala de aula, entretanto era aplicado e suas notas causava orgulho para os pais. Destacava-se em Português e Redação. Foi escolhido para representar a turma como orador. 

Tudo transcorria muito bem. Até que de repente seu pai adoece de um mal incurável, Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), levando-o a morte no prazo de três meses. O choque foi enorme. A estrutura da família se desequilibrou, o chefe, o patriarca partiu, deixando uma viúva desolada com seis filhos menores, o mais velho, o menino Antônio Luiz sem nenhuma experiência, recebe uma carga muito grande em seus ombros. A mãe, com a morte do esposo desencadeia uma terrível depressão que a deixou totalmente dependente, sem ânimo, sem nenhuma disposição para viver. Remédios e mais remédios para superar a dor do vazio, do inexplicável, a dor terrível da alma. O médico que a atendeu por muito tempo, foi o médico psiquiatra, dr. Maurício Teles, na vizinha cidade do Crato. O menino estudioso fica sem rumo, o seu ídolo, o seu guia tinha partido, o que fazer? Então, a orientação que precisava na fase mais difícil não aconteceu. Precisava de um ombro amigo para chorar suas mágoas, suas tristezas, seu imenso trauma. Não queria levar mais preocupações para sua mãe acabrunhada. O que fez o menino-moço, enveredou para o caminho da bebida. Saía de casa em busca de refúgio e de atenção. 

E foi assim por um tempo a sua caminhada, de boteco em boteco. Mas, Deus em sua infinita misericórdia tinha um propósito para ele. Sua mãe, precisava de um companheiro para ajudá-la a terminar de criar os filhos. Uma amiga e vizinha, dona Lica Barbosa lhe apresentou um rapaz solteirão que morava vizinho à sua casa, João dos Santos. E com ele sua mãe casou em segundas núpcias. Esta decisão de sua mãe não o abalou muito, aceitou naturalmente. Já próximo de terminar o Científico, foi estudar em Recife, ficando hospedado na casa de sua tia, Dolores Pereira O colégio que foi matriculado Carneiro Leão. Longe da mãe, se sentiu com liberdade para fazer o que desejava, gaseava as aulas, dedicando o seu tempo a diversão. Quando sua mãe tomou conhecimento que o seu filho estava praticamente reprovado, viajou para Recife imediatamente em busca de uma solução. Visitou o Colégio para se inteirar do fato. O diretor confirmou que o ano letivo estava perdido para o aluno Antônio Luiz. Sua mãe se sentiu impotente diante desse fato tão grave, e pediu-lhe chorando e muito emocionada que lhe oferecesse uma oportunidade, um modo de recuperar a sua irresponsabilidade. O diretor atendeu ao pedido de sua mãe e lhe deu um prazo mínimo para estudar matéria de todo o semestre e a nota exigida seria 9. A oportunidade foi aceita e o estudante fincou os olhos nos livros dia e noite sem tréguas, e o resultado foi mais do que o exigido, conseguiu um 10. 

Concluiu o Científico e volta para Juazeiro. Resolveu se submeter ao vestibular de Farmácia e se prepara em um cursinho de Fortaleza. A alegria chegou com a aprovação em 1972. Primeiros dias na faculdade conhecimento das disciplinas, dos colegas, dos professores. Segue em frente nos estudos. Colegas, influências, farras, o descuido e a reprovação do ano letivo. Tranca matrícula. Volta para o Juazeiro. Sua mãe resolve morar em Fortaleza dessa forma fica mais fácil porque não terá que morar em hotel ou república. Vida mansa, sem responsabilidades, sem estudos, nenhuma ocupação. Mas, Deus no traçado da vida do jovem que foi o menino Antônio Luiz, tinha algo que o afastaria da vida desregrada que estava vivendo. 

Em frente de sua casa, na Rua J. da Penha, viu uma jovem loirinha com livros nas mãos entrando em uma casa próxima, e ficou curioso. Vez por outra saía até a calçada para vê-la. Certo dia, no mês de outubro conseguiu se aproximar dela e entabulou uma rápida conversa na intenção de cortejá-la. No início sentiu uma certa rejeição da parte dela, talvez o medo do desconhecido. Um vizinho recém-chegado no pedaço, sem referências. Porém, algo pairava no ar, o cupido chegando, a busca do encontro dos olhos e o amor os aproximou. Encontro vai e encontro vem e a decisão tomada pelo casal, a fuga para acontecer o casamento. E foi assim que se tornaram marido e mulher no dia 23 de janeiro de 1973. Ele desempregado e ela cursando a faculdade de Veterinária. No início moraram na casa de um irmão dela. Com o dinheiro que tinha direito da herança do seu pai, a sua mãe comprou uma casa na Rua Álvares Fernandes, e lá foram morar. A mobília foi toda doação. Ele estimulado pela esposa, Maria Alda, resolveu continuar sua faculdade e os dois terminaram no mesmo ano em 1975. O baile de formatura dos dois cursos, Farmácia e Veterinária foi no Clube dos Diários. Os dois radiantes pelo término do curso e pelo empenho que tiveram com o Livro de Ouro e conseguiram arrecadar fundo suficiente para as despesas da festa. 

Agora, pé na estrada em busca de emprego. Assinou algumas farmácias, foi vendedor de produtos farmacêuticos. Fez o concurso para o Exército, no qual obteve o 1º lugar. Ficando durante 2 anos. As vicissitudes da vida, as dificuldades financeiras, o levavam a recair na bebida. A esposa paciente e crente no Deus Criador o acolhia sem reclamação. Dia melhor, dia pior. Filhos nascendo. O amor redobrado e preenchido pela esposa amorosa que dividia com ele suas tarefas em momentos de sobriedade. As crianças foram crescendo quatro ao todo, todos homens num clima de amor e de resignação. Lamentação, briga, rejeição, impaciência, palavrão, jamais presenciaram. Graças a fé e ao comportamento de uma mãe que soube conduzir com muita sabedoria o cotidiano de um lar. Porque não dizer? Firme e forte no desempenho de esposa, mãe e no exercício da profissão escolhida. As orações partidas do coração de uma mulher aflita foram atendidas e o homem, que foi menino, adolescente e hoje homem, Antônio Luiz abandonou por completo o vício do álcool e foi difundir e pregar a palavra de Deus em pastorais, em reuniões de grupos e também atuou por um bom tempo como Ministro Extraordinário da Eucaristia. 

À medida que se aprofundava no Ministério da Igreja Católica, a empolgação o estimulava a cada dia produzir mais, então, surgiu um espinho em sua labuta, o problema visual. Acometido de degeneração macular da retina, como o próprio nome indica, é a degeneração da mácula, uma estrutura do olho situada no centro da retina e que é responsável pela visão central do campo visual. A perda parcial da mácula torna difícil ou impossível ler ou reconhecer rostos, por exemplo, embora a visão periférica permaneça suficiente. Teve que reduzir suas leituras, escritas e não pode mais dirigir. A surpresa e o impacto da descoberta o deixou no momento sem nenhuma reação, como se não quisesse acreditar no que estava acontecendo com a sua visão tão preciosa. Na busca de resultados para o verdadeiro prognóstico indicaram-lhe um renomado oftalmologista, o dr. Abelardo Targino, e assim o fez. Após o resultado dos exames foi constatado realmente o seu problema. O que fazer? Nada, apenas aceitar e seguir em frente. De 3 em 3 meses vai ao consultório para receber uma aplicação no olho para que paralise o aumento do edema. O tempo passando, tristeza vez por outra e muitas alegrias. De repente começa a escutar mal, recorre a um otorrino, resultado, surdez e a necessidade de usar aparelhos. Tudo nas mãos de Deus, é o que ele sempre afirma. 

O tempo corre veloz, a idade avançando e algumas mazelas surgindo devido à idade. Mais um espinho que surge que o massacra, o vírus da H1N1, vírus da gripe aviária, com febre muito alta é levado às pressas para o Hospital Gênesis ficando no setor de isolamento para evitar a contaminação dos outros pacientes. Tempo hospitalizado mais de uma semana. Volta para casa  necessitando ainda de alguns cuidados e logo se recupera. A vida continua. Tempo dedicado integralmente a anunciar através do meio de comunicação que lhe é acessível, os fundamentos, a palavra e os ensinamentos de Cristo. Realizações, alegrias com os quatro filhos, todos já formados e empregados. O que fazer da vida, agradecer os bens que têm recebido continuamente. Mas, o mar de rosas não é para sempre. O sofrimento faz parte e é necessário na nossa vida. 

Desta feita o espinho ataca o seu sistema neurológico, o nome da moléstia, síndrome mielodisplásica, também chamada de mielodisplasia ou SMD, é um grupo de distúrbios do sangue caracterizado pela incapacidade das células tronco da medula óssea de se desenvolverem em células sanguíneas maduras e funcionais. O apelido que ele deu para essa doença, SMD, Santa Mãe de Deus. O engraçado é que ele já brinca com os seus males. E a médica, dra. Rosângela Ribeiro que lhe prestou assistência durante o período dessa enfermidade, o chamava do Senhor esquisito. Mas uma etapa vencida. Netos nascendo, presentes de Deus; dois meninos e duas meninas. O sorriso imenso e a caduquice com eles é demais, o amor aflora e lhe rejuvenesce. Segue em frente na caminhada. Ah! Outro espinho. 

No início do mês de agosto do ano passado acorda sobressaltado com uma dor enorme, lancinante, pensou a princípio que fosse cálculo renal, pois há tempos atrás sofreu desse problema chegando até a desmaiar, devido a dor tão intensa, mas o caso foi resolvido quando expeliu o cálculo não sentindo mais nada. O problema dessa vez era diferente, após vários exames, tomografia, ressonância para diagnosticar com precisão o motivo de dor tão intensa, que foi necessário aplicar fortes doses de medicamentos que provocaram nele espasmos, alucinações e sudorese que ensopava a roupa. E a interrogação continuava, cálculo foi descartado. Recorreram a dr. George Magalhães clínico geral e psiquiatra, uma sumidade na medicina, para descobrir a causa dessa dor. Continuava hospitalizado no Hospital Gênesis, em Fortaleza. Testes e mais testes, exames de eletrodos, finalmente a causa foi descoberta, síndrome vasovagal também chamada síncope neuro mediada ou síncope neurocardiogênica que é um reflexo  (ou desmaio) relacionado à ativação inapropriada do nervo vago, faz parte do sistema nervoso parassimpático. Ela pode ocorrer em qualquer faixa etária. Venceu mais um espinho surgido. 

Vida normal. Férias de final de ano. Retiro na Serra do Estevão em Quixadá. Volta preparado para uma vida nova. Porém, no início deste ano, 2017, a depressão reaparece com grande intensidade. Procura de médicos que o confortasse e aliviasse o seu sofrimento aconteceu, porém, o resultado da medicação não aparecia. Insônia, tristeza, choro lhe faziam companhia. O efeito finalmente chegou e lhe deixou mais animado. Recomeçou o seu trabalho caseiro online. Deus seja amado e louvado. Tudo transcorria tranquilo, a paz reinava. Filhos reunidos nos finais de semana, a amada Aldinha, como a chama carinhosamente, dedicação total. A harmonia, o bem-estar compartilhado, momentos alegres, tudo voltou. Durou essa paz pouco tempo. 

Em março, Antonio Luiz, Alda e sua cunhada, Maria Amélia ficaram acamados por causa da Chikungunya. A informação que se tem é de que o vírus atinge a parte mais vulnerável do organismo da pessoa. Especificamente em Antônio Luiz voltou em dose dupla, além de atingir as articulações, a depressão foi ativada e intensamente. Doses altas de medicamentos, psiquiatras novamente procurou. O seu estado chegou a tal ponto de ficar praticamente dopado para que melhorasse o seu humor. E assim aconteceu de levantar de madrugada, para ir ao banheiro e sofreu uma queda batendo fortemente com a cabeça no chão. Levado ao Hospital da Unimed ficou hospitalizado. Bateria de exames para saber como estava o seu cérebro. Acusou um coágulo. Médico neurologista foi requisitado. Necessário se fez diminuir a dose dos medicamentos para depressão no sentido de que o médico acompanhasse o processo de sua lucidez com relação ao choque sofrido. Nada de melhora. A dose reduzida, a abstinência começou a provocar alucinações. Não conseguia dormir. Não queria se alimentar. Solução UTI, coma induzido. No dia 13 de junho, Dia de Santo Antônio, seu padrinho, entrou na Unidade Intensiva meu querido irmão já passou. Mas Deus não desampara os seus filhos e é por isso que a cada dia me sinto mais forte, segura, confiante para glorificar, adorar e verbalizar as suas maravilhas. Posso dizer para todos vocês, este é um milagre de Deus!
a. Teve que ser traqueostomizado por causa do longo período de permanência. O médico que o acompanhou, o intensivista, dr. Mário Henrique abriu um espaço para a esperança. O filho, Davi, ficou incumbido de postar o seu estado de saúde, melhoras e pioras. Orações, correntes de orações criadas nas redes sociais por seus filhos, missas celebradas em várias igrejas, a unção dos enfermos que recebeu de dois padres, e Nossa Senhora do Socorro lhe acompanhando em seu leito de dor e também a Oração de São Bento (recitada) várias vezes ao dia por familiares. 

A presença diária dos filhos nas duas visitas permitidas na UTI e da esposa amorosa, companheira, parceira e fiel - no longo período de sua enfermidade, 39 dias - o fizeram renascer. Deus é misericórdia, é bondade, é amor. E Ele sentiu que precisava atender ao pedido de clamor de muita gente. E tinha que proclamar o seu poder aos incrédulos, porque para Deus nada é impossível. E assim caros leitores, relato emocionada os sofrimentos que Antonio Luiz,
Antonio Luiz com a esposa e os filhos

A família completa



2 comentários:

  1. É VERDADE VERDADEIRA
    O QUE VOCÊ ESCREVEU.
    HOJE SOU TODO DE DEUS
    E DEUS É TODINHO MEU.

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  2. Edlania Figueiredo Oliveira6 de agosto de 2017 15:03

    Uma pessoa maravilhosa. Sempre alegre e bem humorada. Mesmo sendo prima nunca imaginei tamanhas provações na tu vida,Luiz. Deus tem te provado,com certeza para q possa ser exemplo. Um beijo bem grande. Edlania Figueredo Oliveira

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