terça-feira, 29 de maio de 2012

Dona Tudinha, amiga e costureira de mão cheia

29.05.2012


O meu conhecimento com dona Tudinha se deu através da amizade que existia entre ela e dona Maria (minha sogra), vizinhas de longas datas. Quando namorava Daniel fui apresentada para ela, que bem simpática, teceu alguns elogios sobre mim e perguntou o nome dos meus pais. Quando falei o nome do meu pai, a alegria estampou-se em seu rosto e disse: “Você é filha de Lulu? ... Ele foi muito meu amigo, pessoa de coração grande, gostava de fazer caridade, de ajudar aos necessitados e de tratar cordialmente às pessoas, dizendo: Saúde e paz! Que pena, ele morreu muito novo”. E daí surgiu a nossa amizade. Sempre que ia para a casa de Daniel a encontrava, algumas vezes na porta, outras sentada na calçada, e muitas outras vezes passava em frente à sua casa e a porta  encontrava-se fechada. Esse era o sinal de que estava trabalhando. E o seu trabalho era o de confeccionar camisa e calça para homens. Diplomou-se em corte e costura, e assumiu a sua profissão com tanto amor, com tanta dedicação que sua clientela crescia cada dia. Ela não gostava de dizer NÃO para os seus inúmeros clientes, mas quando não tinha condições de entregar no prazo solicitado, para não ser irresponsável não recebia a encomenda. Para ser mais exata, no dia marcado o vestuário estava pronto, passado, já no jeito de ser usado. Gostava muito de conversar, de assistir missa na Capela do Socorro e de cultivar boas amizades. Falava sobre minha tia Laura, irmã de meu pai, uma grande amiga sua. Quando meus filhos nasceram ela se tornou a costureira deles. O primeiro boné usado por Michel e por Daniel Junior foram criações suas. Macacões de vários modelos, bermudas, calções, camisas, conjuntos Safari, um guarda roupa completo de novidades, uma verdadeira expert no que executava com tanto prazer, que quando finalizava o trabalho estendia-o em sua frente e ficava admirando sua obra. Recordo que quando ela marcava o dia de entregar as roupas dos meninos, em sua casa não existia ainda cigarra e tinha que chamar, e quando ela não escutava devido ao barulho da máquina, eu batia no vidro da porta, dizendo: “Dona Tudinha, é Neuma”. Ela respondia e pedia que entrasse e acrescentava: “Tô já terminando, sente um pouco, já estou passando para lhe entregar”. E eu respondia assim: “Não se incomode em passar, sempre amassa, deixe que passo em casa”. Mas, sempre muito correta, não aceitava a minha sugestão e ainda embrulhava em papel de embrulho, naquela época não existia sacolas de plástico. Quando saía de sua casa carregada de embrulhos, sorria feliz imaginando como meus filhos ficariam alinhados com os modelos confeccionados por ela. E foi assim por um bom tempo que dona Tudinha costurou para eles, deixando quando eles já crescidos porque optaram por camisas de malha e calça jeans. Coincidiu também com a época em que ela já estava se aposentando e deixava de costurar, passando a aproveitar a vida para viajar, conhecer novos horizontes, países estrangeiros e visitar os filhos que moram fora. Com setenta e sete anos, enfrentou uma longa viagem à Europa, numa excursão organizada por padre Murilo de Sá Barreto, para comemorar os cem anos da missa celebrada por Padre Cícero, em Roma, na Igreja de São Carlos Al Corso. A excursão percorreu cinco países; Portugal, Espanha, França, Suíça e Itália. Fiz parte dessa excursão e em nenhum momento vi dona Tudinha cansada, indisposta, renunciando a algum passeio ou pedindo para descansar. Participou de todo o roteiro, e olhem que não foi moleza, pois  foram percorridos 11.900km por terra, é muito chão. E a baixinha Tudinha, toda enfronhada com agasalhos e cachecóis, resistiu ao frio e não sentiu nem resfriado. Como foi maravilhosa essa caminhada de peregrinação, visitando igrejas, santuários, assistindo missas e pregações, o momento com o Papa. Para dona Tudinha decidir participar de uma excursão de temporada tão longa para uma pessoa da sua idade considero um ato de heroísmo. Relembro agora o local de sua residência, local privilegiado voltado para uma praça (José Sarney), com árvores, bancos para sentar com os amigos e  palestrar,  cumprimentar as pessoas que passam, e ainda, quando sozinha resolvia as incontáveis revistas de palavras cruzadas, prazer muito apreciado por ela. Em novembro do ano passado comemorou com familiares e amigos os seus noventas anos, num clima de alegria com a celebração da Eucaristia na Capela do Socorro e muita descontração em jantar oferecido e organizado por seus filhos. Ultimamente, essa fortaleza de mulher que sempre à tardinha nestes últimos tempos ficava sentadinha na frente de sua casa aguardando os amigos para conversar, não está mais com aquela disposição. A idade contribui para isso e também o coração que começa a falhar. Mas espero em breve vê-la novamente sentada na praça, saudando os amigos com aquele belo sorriso de meiguice. Dona Tudinha é viúva de seu Isaias Melo, uma das primeira pessoas a possuir e pilotar motocicleta em nossa cidade, tem quatro filhos  (Eliane e Socorro; Francisco e Raimundo). A dedicação e os cuidados com que seus filhos a assistem ultimamente é resultado do amor e abnegação que ela teve para com eles.   
Amostra de algumas roupas confeccionadas por Dona Tudinha

Dona Tudihnha  com sua máquina de costura; sua residência na Praça José Sarney e o banco onde costuma conversar com as amigas na mesma praça.

Na foto de cima, participando da Renovação do Sagrado Coração de Jesus na casa de sua amiga Maria Almeida,; na de baixo: um flagrante de sua viagem a Europa em excursão coordenada pelo padre Murilo.
 MENSAGENS RECEBIDAS:

Gostei demais de você ter publicado as histórias engraçadas de mamãe na sua coluna. Gostaria de acrescentar que mamãe, após o falecimento de papai, recebeu de vários amigos da Pracinha muitas manifestações de consolo, através de palavras de conforto e de conversas alegres acompanhadas de contação de piadas. Ela gravou na memória todas as piadas que lhe foram contadas e gostava de contar pra gente. Ela tinha uma predileção especial pelas piadas mais picantes. Todas as suas piadas eu publiquei noutro livreto, intitulado “Piadas e outras histórias de Almeidinha”, que espero publicar brevemente.
Carlos Alberto, Fortaleza

Adorei a matéria.Também estudei com D.Toinha e D.Alice, sua irmã. Aprendí a tabuada na ponta da língua e adorava a macaxeira que a mãe dela vendia na hora do recreio....Parabéns, Neuma!!!!
Sávia Ferraz, Fortaleza

domingo, 20 de maio de 2012

Homenagem ao Dia das Mães

 


Transcrevo hoje, dando sequência a homenagem prestada na coluna anterior, o restante do livreto Histórias de Almeidinha que Carlos Alberto escreveu, homenageando sua mãe por ocasião dos seus noventa anos. No momento da entrega do presente, aconteceu uma pequena festinha regada a salgadinhos, refrigerantes, um bolo confeitado com as velhinhas nove e zero e a presença dos familiares e amigos. Foi uma tarde muito gostosa, alegre e de muita gozação por parte de seu Zeca, zombando das gafes, dos micos e vexames cometidos por dona Maria e que a partir desse dia se tornaram públicos.
A sequência final do livrinho: Histórias de Almeidinha
                          
                                        
A BAHIA NÃO É O CEARÁ
Mamãe foi com Lou para Salvador, para assistir ao nascimento de Carlos Alexandre. Foram de ônibus e atravessaram o Rio São Francisco, chegando em Juazeiro da Bahia. Nesta cidade baiana, tiveram que mudar de ônibus para prosseguir viagem até Salvador. Prontamente, um gentil carregador se ofereceu para carregar as malas das duas senhoras até o outro ônibus. Concluído o serviço, mamãe quis dar uma gorjeta e perguntou, bem educadamente: “Quanto é, meu senhor?”. O baiano, sem cerimônia e baianamente, cobrou um certo valor, que elas acharam muito alto. Mamãe então, exclamou:”Vige, é muito caro! No Ceará não é esse preço não”. O baiano, agora nada gentil e irritado falou: “Acontece que a senhora tá na Bahia”.

NO TAXI, EM SALVADOR

Também na viagem a Salvador, mamãe e Lou, pegaram um taxi para ir do meu apartamento ao hospital, onde Ozenir estava se recuperando do parto de nosso filho Carlos Alexandre. Eu não podia levá-las porque estava trabalhando. Naquele tempo, a maioria dos taxis era fusca, sem o banco de passageiro da frente. Os baianos diziam que o banco era retirado para facilitar o acesso dos passageiros no carro. Mas parece que, na verdade, era para transportar menos gente. Coisa de baiano!
Lou entrou no taxi e ficou sentada no banco, atrás do motorista. Mamãe sentou no lado que não tinha o banco da frente. Logo que sentou, mamãe disse pro motorista para ir pro hospital e que estavam atrasadas. É claro que mamãe não disse para o motorista ir ligeiro. Foi ele que entendeu dessa maneira e seguiu, então, com muita velocidade. Mamãe, como estava sem o cinto, deslocou-se para o painel do carro e, desequilibrada quase sentou no colo do motorista. Este, entre assustado e incomodado, falou: “Calma, minha senhora, desse jeito eu não vou poder dirigir”.

OS MEUS CINQUENTA ANOS

Quando eu completei 50 anos, comemorei a data em minha residência, em Natal. Além dos meus pais, familiares meus e de Ozenir, vieram também alguns amigos íntimos de Juazeiro. Foi uma festinha bem familiar e que me proporcionou uma grande alegria. Lá para altas horas da noite, já no final da festa, eu já estava, digamos, um pouco mais alegre, sob o efeito de algumas doses de whisky. E como se diz no Ceará, eu quis botar boneco, inventando de ir para a rua, continuar a bebedeira. Mamãe pedia que eu não fosse, insistia mesmo. E eu lá, bonecando: “Não..., eu vou pra rua, eu não quero que o dia acabe”. Lá para as tantas, ela vendo que eu não me demovia dessa ideia maluca, falou sério comigo: “Olha aqui, Carlos Alberto, se você continuar com essa palhaçada eu não venho pra festa do seu próximo cinquentenário”. ´Taí, uma demonstração inédita de otimismo dela, que eu nunca tinha visto  antes.

NO CARRO COM DANIEL

Mamãe tem o maior medo de carro. Dentro e fora dele. Cuidadosa e precavida, ela só atravessa uma rua, se não tiver nenhum carro se dirigindo no seu ângulo de visão. Dentro do carro não é diferente. Por diversas vezes em suas visitas às minhas residências, em Salvador, Aracaju e Natal, a gente saía para passear pela cidade. Ficávamos mostrando os locais turísticos da cidade, e ela não virava a cabeça para olhar. Ela dentro do carro só olha para a frente. Ela acha que se desviar o olhar, quem estiver dirigindo se distrai e pode bater o carro ou atropelar alguma pessoa. Pois bem, foi assim que um dia ela foi passear de carro com Daniel, Neuma e papai, na estrada do Horto. Durante todo o percurso até ao Horto, mamãe ficava advertindo Daniel: “Cuidado, olha o menino!, olha o carro!, vá devagar”; “Oh! Meu Deus, olha a carroça, cuidado no jumento, esse carro tem freio?”. Daniel, já sem paciência, de imediato parou o carro, tirou a chave da ignição, abriu a porta, desceu do carro e falou pra mamãe: “Tome a chave, mamãe, a senhora agora é que vai dirigir”. Mamãe, chateada, resmungou alguma coisa tipo ”Precisa ser tão grosso assim!”, e ficou quietinha o resto da viagem.

A VALISE NO ÔNIBUS

Quando eu morava em Aracaju, mamãe e papai foram nos visitar. Viajaram de ônibus até Maceió e lá pegaram outro ônibus para Aracaju. Naquele tempo não tinha ônibus direto de Juazeiro para Aracaju. Mamãe sentou numa cadeira do lado direito do ônibus, e colocou a valise no porta bagagem de mão do ônibus, de tal modo que ela sentada, olhando para a frente, ficava vendo a valise do seu lado esquerdo. Num determinado momento, o ônibus fez uma parada para o almoço ou lanche, no percurso Juazeiro/Maceió. Todos desceram. Ao retornar ao ônibus, mamãe entes de sentar na poltrona, quis pegar a valise para retirar alguma coisa. Então, de pé, no interior do ônibus, ela procurou a valise no porta bagagem do lado esquerdo, como ela sabia que estava. Mas, não a encontrou. Aí ficou abusada: “Cadê minha valise? Eu coloquei bem aqui, desse lado. Eu não posso viajar sem minha valise. Ela é marrom e eu não estou vendo ela”. Nisso todo mundo já tinha entrado no ônibus, todos já estavam sentados e logicamente queriam seguir viagem. Ela continuou: “Eu quero minha valise! Ô motorista, o senhor não pode seguir viagem se não aparecer minha valise”. O clima já estava pesado, papai, tranquilo nem participava da cena. Foi então, que o motorista resolveu interferir. Vendo uma valise, perguntou: "Minha senhora, não será aquela valise ali, do outro lado?” E mamãe: “É essa mesmo”. Foi então, que mamãe se deu conta que estava olhando no sentido contrário do ônibus. Agradeceu ao motorista, pegou a valise, colocou-a no colo e a viagem seguiu em paz.

NO ELEVADOR DO PRÉDIO DE LÍLIA

Durante uma viagem a Aracaju, passamos em Recife e Olinda para fazer uma visita aos nossos parentes. Lilia nos levou para visitar sua filha e minha sobrinha Lília, que mora no décimo andar de um apartamento em Boa Viagem. Pegamos o elevador social do prédio, muito chique, tinha um espelho no fundo. Mamãe ficou na lateral do elevador, quietinha, tensa, bem no seu natural, e olhou para o espelho. Quando a porta do elevador abriu, já no andar de Lília, mamãe falou bem baixinho: “Esse pessoal parece com a gente”. Ela achou que a nossa imagem refletida no espelho eram outras pessoas. Imaginem as risadas.

CONFUNDINDO PALAVRAS

Mamãe está com um pequeno problema de surdez. Digo pequeno, porque acho que ela ouve só o que quer ouvir e, precipitada, confunde as palavras. Inclusive, há uns três anos ou quatro anos atrás, ela fez um exame de audiometria, que acusou sua boa audição, com alguma deficiência, normal para sua idade. Há pouco tempo atrás, passava uma novela na TV Globo, “O quinto dos infernos”. E tinha uma personagem que representava D. João VI, meio ridicularizado, bobalhão, e que tinha um jeito de falar meio meloso, tipo retardado. Eu gostava de imitar o seu jeito de falar. Um dia, em Juazeiro, eu estava de saída para Natal, logo cedo. Sentei-me na mesa da cozinha, enquanto mamãe preparava o nosso café da manhã. Eu então, realmente triste por ter que viajar, e querendo brincar um pouco com a situação, disse, imitando o tal D. João VI e relembrando um apelido meu de criança: “Bertim está tão tristim!” Mamãe imediatamente achou que eu estava querendo alguma coisa e perguntou: “Quer feijão?”

EU QUERO É BROA

Tem duas coisas que mamãe não gosta: viajar de carro (porque tem medo de acidente) e almoçar em restaurante de estrada durante a viagem (o motivo: não quer gastar dinheiro e nem quer que a gente gaste). Numa viagem de carro de retorno de Natal para Juazeiro, vinham Daniel, Neuma, papai e mamãe. Ao chegarem em Pombal (PB), Daniel errou o caminho e seguiu viagem na direção de Patos  e Campina Grande (PB). Lá pra frente notou que estava errado e se distanciando do destino. Como já era mais ou menos o meio dia, e estavam com fome, ele resolveu parar no primeiro restaurante que apareceu. Ao sentarem-se na mesa, Daniel irritado com a mancada e com o atraso da viagem, perguntou a mamãe: “E aí mamãe, o que a senhora vai querer para almoçar?” Mamãe prontamente respondeu: “Eu quero é broa!” Daniel um pouquinho mais irritado, contestou. “Que broa, Mamãe? A gente vai demorar a chegar em Juazeiro, está todo mundo com fome, e a senhora vem dizer que quer almoçar broa!”

MENSAGENS RECEBIDAS
Pessoas especiais deixam marcas que fazem a vida realmente valer a pena, meus avós foram muito felizes e souberam como ninguém repartir essa felicidade, lembranças muito boas e alegres!!!
Michel Macedo, Crato, Ceará

Hoje cedo postei também no blog Antonio Luiz Macêdo e no Recanto das Letras homenagens às mães. você, como mãe, está  incluída. A homenagem da sua coluna tá arretada. Pense! Parabéns!
Antonio Luiz Macedo, Fortaleza, Ceará

Mais uma vez quero parabenizá-la pelos artigos escritos. Primeiramente a linda homenagem feita a D. Toinha e agora recentemente pelo Dia das Mães e o Mês de Maio, Mês de Maria. Adorei todos. Homenagens mais do que merecidas.
Marleide Guimarães, Fortaleza, Ceará


domingo, 13 de maio de 2012

Dia das mães, dia de homenagens



Como hoje o dia é dedicado às mães do mundo inteiro, aproveito a oportunidade e apresento-lhes minhas três mães: a que me deu a vida, que me trouxe à luz, Zeneida (mulher que pacientemente com o seu espírito de mulher guerreira e temente a Deus suportou galhardamente os infortúnios que a vida lhe reservou); Munda (Raimunda) que cuidou de mim e dos meus irmãos quando mamãe ficou viúva e não pôde dar aos seis filhos a necessária assistência devido a depressão que a acometeu com a morte do meu pai; e  dona Maria, minha sogra, que me deu muitos ensinamentos com relação a uma convivência feliz no casamento e que me adotou  como uma verdadeira filha. A elas que já partiram para uma outra vida, a vida celestial, dedico-lhes o meu eterno amor. No caso particular de minha sogra, manifesto minha homenagem através de uma forma prazerosa e engraçada que fui buscar no opúsculo intitulado Histórias de Almeidinha, com que meu cunhado, Carlos Alberto, presenteou sua mãe e minha sogra por ocasião dos seus noventa anos e cuja capa é mostrada na foto abaixo. Pouca gente conhecia o lado humorística dela, das coisas engraçadas que dizia, das gafes que inocentemente, sem nenhuma maldade ela cometia. Relato duas gafes contadas por Carlos Alberto as quais serviram de muita gozação e de muitas risadas por parte de seus familiares.

                                                       O TIRO NA IGREJA
            
             Mamãe e Ozenir (minha esposa) estavam assistindo à missa do final da tarde no interior da igreja do Socorro. A igreja estava cheia e elas estavam em pé, atrás da última fileira de bancos. Eis que, em um dado momento, mamãe ouviu um som, tipo um grito lamentoso. Assustada, imediatamente mamãe gritou: “É tiro!”, e saiu correndo na direção da praça. Ozenir, sem entender o que houve, saiu também correndo atrás dela. Rapidamente, elas notaram que ninguém as seguia. Elas estavam correndo sozinhas. Foi então que mamãe parou, virou-se para Ozenir e falou ofegantemente: “Você não ouviu?... Para mim era um tiro”. Ozenir, então, rindo sem controle, disse-lhe que foi apenas um pobre velhinho que sofreu um ataque de epilepsia, caiu do banco e ficou se contorcendo de dor. Após a explicação, não deu mais para elas voltarem para a igreja e seguiram rindo, baixinho, para casa.
                                                 
                                                         A TROUXA

                No final de dezembro de 1973, meus pais, Ozenir, Jorge Luiz, Lou e Zé  Maria foram a Recife assistir à minha formatura. Ficamos todos no apartamento de Lilia, minha cunhada. Nesse tempo, eu já estava casado com Ozenir e ela estava morando com meus pais em Juazeiro. Ficou planejado que, após a formatura, todos voltariam para Juazeiro  e Ozenir ficaria morando comigo em Recife. Mas não deu certo, e Ozenir teve que voltar.
                 Então, estávamos todos na Rodoviária de Recife, naquele clima de tristeza, normal de despedida, mas agravado pelo fato de que os planos não tinham dado certo. Não tínhamos conseguido passagem no mesmo ônibus para todos e papai teve que ficar para ir em outro ônibus, que sairia duas horas depois. O quadro era esse: mamãe, Ozenir, Lou, Jorge Luiz e Zé Maria no interior do ônibus. Ozenir numa cadeira da janela numa indisfarçável tristeza, mamãe noutra cadeira, de frente, também na janela, triste e preocupada porque papai viajaria sozinho. Eu e papai ficamos na plataforma de embarque, conversando e aguardando a saída do ônibus, junto com várias outras pessoas. Papai ficou de levar como bagagem apenas um saco de pano com algumas peças dentro. E como sempre foi despreocupado, o saco estava no chão, ao seu lado. Mamãe, temendo que papai esquecesse  volume, gritou de dentro do ônibus: “Zeca segura a trouxa”. E, achando que papai não tinha ouvido, gritou: “Ô, Zeca, não esquece de trazer a trouxa”.  Foi uma gargalhada geral, por parte dos passageiros e das pessoas que estavam perto de nós na plataforma de embarque, pois em Pernambuco, como no Ceará, trouxa além de ser um saco de roupas, é também mais uma denominação do órgão genital masculino.

Carlos Alberto tem catalogada quase uma centena de “causos” com dona Maria Almeida e no opúsculo de estréia ele escreveu o seguinte:

Neste dia em que comemoramos os noventa anos de idade de mamãe, quero prestar-lhe uma homenagem diferente. Resolvi relatar algumas das noventas historinhas curiosas que têm mamãe como protagonista e as quais eu presenciei ou ouvi contar. Em todas essas passagens, podemos identificar traços característicos de sua personalidade. Fazendo uso da intimidade de que possuo como filho, posso enfatizar essas características que somadas às suas infinitas qualidades, constituem um conjunto harmonioso que a torna uma pessoa extremamente especial. Procurei desde o início achar uma palavra que resumisse todas as suas qualidades e características, mas não encontrei. Portanto, para mim ela é simplesmente Especial.
            Mamãe, além de ser a melhor mãe do mundo, é também muito boa como esposa, avó, bisavó, sogra, cunhada e amiga. É amorosa, dedicada, compreensiva, tolerante, pacificadora, conselheira, atenciosa, tem boa conversa, religiosa, trabalhadeira, boa cozinheira, pessimista, assustada, não gosta de festa, não gosta de fazer aniversário, não gosta de viajar de carro, tem medo de água, gosta de  novela, sempre quis ter na casa (sendo uma para uso e uma de enfeite) duas cozinhas, dois banheiros, duas salas, gosta de fazer renovação e gosta de broa.
             Nas histórias a seguir podemos identificar várias dessas suas características.
Na  sequência: eu com mamãe, Munda e dona Maria.



domingo, 6 de maio de 2012

Mês de maio, mês de Maria

06.05.2012


No final de cada mês elaboro um roteiro dos assuntos que irei abordar nas quatro ou cinco semanas do mês seguinte. E como sou uma fervorosa devota de Nossa Senhora, e também por que Maio é mês que lhe é dedicado aproveito o momento para expressar o meu sentimento de gratidão, confiança e de fidelidade. Ela é exaltada como a Mãe de Jesus, filho de Deus, e também de todos nós. A sua presença é importante em nossa vida para rogar a seu filho por todos nós. A imagem que tenho na memória já distorcida pelo tempo, me traz pequenos toques de como surgiu essa minha grande afeição à Maria Santíssima. Em nossa casa rezávamos diariamente o terço em família. Meu pai e minha mãe se revezavam, cada um recitava um mistério e nós os acompanhávamos. Depois cada um fazia o oferecimento, com exceção de minha irmã caçula, Analuce, que por ser bem pequenina não tinha condições ainda de um colóquio com Deus, pois não tinha noção do que devia pedir. Depois pedíamos a bênção aos nossos pais e nos recolhíamos. Sempre fui muito tímida, mas gostava de observar o que minha mãe fazia. E antes de me recolher, a beijava e abraçava, fazia o mesmo com o meu pai, mas observava nas mãos de mamãe um pequeno livrinho. Esse livrinho depois que aprendi a ler, descobri que era a Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Essa novena fazia parte do seu cotidiano, concluía e recomeçava. Foi dessa forma que me interessei em aprender a tirar essa novena, e aprendi bem rapidinho. Então, comecei a recorrer com muita fé nos meus momentos de aflições, de problemas e de dificuldades a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, implorando dessa forma: “Valei-me Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”. Por isso, diante de um susto ou medo grande, não consigo me controlar e me socorro dela. O tempo foi passando, a infância dando lugar a adolescência, porém a missa diária não perdia. E atentem, naquela época as missas eram celebradas em latim por Mons. Lima. Com o advento da missa em português o entusiasmo foi maior. O horário que costumava assistir na Matriz de Nossa Senhora das Dores era a missa vespertina, no horário de 16:30h. Os celebrantes eram padre Murilo de Sá Barreto ou então, seu coadjutor, padre José Alves de Lima. As homilias eram curtas, mas traziam sempre ensinamentos da palavra de Deus para serem aplicadas no nosso dia a dia. Glória, filha de Seu Vavá (Odemar Bastos Rodrigues, falecido recentemente) muito minha amiga, me acompanhava sempre,  de segunda a sexta. No domingo ia com mamãe e meus irmãos. Quanto estava noiva, mamãe me presenteou com um quadro pintado com a imagem de Nossa Senhora do Silêncio. Na comemoração de um aniversário de casamento recebi de presente a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de minha querida sogra. Ganhei também a imagem de Nossa Senhora da Rosa Mística, de titia Laura, tia muito querida. Comecei, então, a me entusiasmar para adquirir mais imagens e, na loja de artigos religiosos de seu Zeca, meu sogro, quando ele comprava imagens bem feitas, bonitas, não contava conversa, pegava logo uma para mim. Nas viagens de turismo comprava a imagem da padroeira da cidade visitada, e assim foi aumentando o meu acervo, hoje, possuo 60 imagens (de gesso e de resina) e oito quadros, alguns pintados, outros em louça ou capelinha. Em Juazeiro, de alguns anos para cá, o mês de maio, antes tão festejado, não possui mais o brilho de outrora. Existia um planejamento, meses de preparo; de reuniões para organização do evento de louvor a Maria; as entidades, escolas, comércio, famílias que receberiam a imagem. Os interessados com antecedência já se prontificavam informando na Paróquia que queriam acolher Nossa Senhora. A escolha dos coordenadores de cada família que se encarregavam de abrilhantar com apresentação de cantores, cantando músicas exaltando o nome de Maria;  a escolha do repertório para ser cantado durante todo o mês; a impressão dos cânticos para distribuir com os fiéis para que todos aprendessem e cantassem. E a noite da família Calou e Sá Barreto, era a mais deslumbrante e por esse motivo a mais esperada. O dia escolhido era sempre o sábado, porque dessa maneira os familiares residentes na zona rural tinham condições de se deslocar de sítios, de cidades vizinhas, pois a presença de todos era indispensável. A coordenadora da família, Vera Lucia Sampaio Morais, se esmerava em trazer novidades, em apresentar números inéditos e que nos emocionavam. Lembro de uma vez, não recordo o ano, que na hora da homenagem soltaram um casal de pombos (simbolizando a busca da Paz), que ficaram agoniados, voando em torno do altar, e padre Murilo, muito aflito, pediu que desligassem os ventiladores porque podiam ferir ou matar os pombinhos que estavam muito desorientados. Um ponto marcante na solenidade organizada pela família Callou era a AVE MARIA em latim, uma linda canção magistralmente cantada por dra. Margarida Callou Thé, uma voz angelical que trazia lágrimas aos olhos dos presentes. Outro representante das famílias da noite, Velasques Sabiá, um senhor de voz muito possante,  também encerrava a festa cantando a AVE MARIA em latim. É bom que se frise a alegria, a euforia que contagiava as famílias convidadas para organizar as noites das famílias. Todas sentiam prazer em ornamentar o altar. Cada família primava em fazer o mais bonito, o mais significativo, era uma espécie de concorrência, concorrência sadia,  e ao mesmo tempo de orgulho em apresentar o melhor. Eis que vem à minha memória, parece que estou vendo, foi a noite da qual entre outras famílias estava a Família Rocha. Ione Rocha, como coordenadora, quis prestigiar as floristas da Rua Santa Luzia que trabalham com flores de papel de seda, e para tanto encomendou muitos cordões com flores azuis, da cor do manto de Maria, e foram colocadas abaixo da imagem de Nossa Senhora das Dores, no altar antigo (o de pedra), e desciam como cachos até perto dos anjos. Ficou lindo e a iluminação enriqueceu ainda mais a beleza, a singeleza de uma coisa tão simples, mas que teve um efeito fantástico beirando ao celestial.
Deixando de lado a modéstia, não podia deixar de mencionar também o esforço de duas pessoas muito dedicadas. Eram Gorete Couto e Luciene Marques, respectivamente representantes das famílias Couto e Marques. Com muita antecedência, tão logo recebiam a convocação de Padre Murilo elas caiam em campo para organizar a programação que seria realizada na noite das famílias que representavam. E faziam bonito, recebendo ao final os maiores aplausos e o agradecimento afetuoso do saudoso Vigário do Nordeste.
Não devemos deixar morrer as sementes plantadas com tanto amor, que foram regadas com tanto entusiasmo e que o modernismo está levando embora. O conformismo, a preguiça, o descaso de momentos tão importantes e que foram tão prestigiados que estão sendo relegados a segundos ou últimos planos. Vamos dar um grito de alerta e pedir: NOSSA SENHORA OLHA POR NÓS JUAZEIRENSES E POR NOSSA CIDADE.
Essa foi a maneira encontrada para louvar a Mãe de Jesus e nossa mãe, expondo para os nossos leitores o meu relicário de imagens que acompanhadas da presença de Jesus em minha vida e na vida dos meus familiares nos presenteiam com bênçãos e graças todos os dias. 

Imagens e quadros do meu acervo: Nossa Senhora da Purificação; de Monteserrat; de Salete; Desatadora dos nós; dos Pobres; da Eucaristia; Rainha da Paz; de Nazaré; de Conceição Aparecida; da Cruz; dos Milagres; dos Prazeres; das Neves; da Saúde; dos Navegantes; das Candeias; do Rosário; do Perpétuo Socorro; da Pena; do Pilar; de Fátima; da Luz; das Graças; de Lourdes; da Penha; da Penha de Vitória; da Cabeça; de Loreto; do Sagrado Coração de Maria; Imaculada Conceição; do Bom Parto; do Bem Maior; Mãe do Divino; das Dores; Auxiliadora; da Glória; de Copacabana; Rosa Mística; das Mercês; da Abadia; do Silêncio; do Pantanal; do Rosil; do Cacupé; do Livramento; de Pietá; da Vitória; Mãe Rainha Três Vezes Admirável; do Carmo; da Defesa e de Guadalupe.  
Vera, Gorete, Luciene, Velasques, Glória e Ione
Padre Murilo, Padre José, Mons. José Alves de Lima e Dra. Margarida Callou
Capa do meu livrinho da novena de Na. Sra. do Perpétuo Socorro














terça-feira, 1 de maio de 2012

Dona Toinha, professora nota 10

01.05.2012

Decorria o ano de 1957, apesar de estar matriculada no 1° Ano Forte, não tinha aprendido a ler. Sabia escrever corretamente, ditado não errava nenhuma palavra, a letra bem legível, mas o principal não sabia, que era ler. Meus pais começaram a ficar preocupados, crianças de minha idade já liam corretamente, e comigo nada. E o pior de tudo isso é que já tinha passado por várias escolas, e a dificuldade continuava. Então indicaram para meus pais que perto de onde morávamos existia uma professora com uma pequena escola em sua própria residência e que ministrava suas aulas através de um método muito eficiente, o uso da palmatória, disseram para eles, “é um santo remédio, aprende mesmo”. Mamãe então, foi conversar com a professora Antônia Silva Filha, Dona Toinha, explicou o meu caso e me entregou para ela, dizendo: “Minha filha é muito nervosa e emotiva; chora com facilidade; sente muita dor de cabeça e, fica envergonhada quando dizem que ela não sabe ler. A palavra que se usava para qualificar essas crianças, criança rude. Estou aqui para matriculá-la, mas peço-lhe que lhe dê um pouco mais de atenção, pois acredito que com a senhora ela vai aprender, tenha paciência com ela”!
Assim, ficou combinado o dia que começava a frequentar sua escola. O receio, o medo que teria que enfrentar todo dia me deixava muito nervosa e preocupada. Finalmente chegou o dia, me preparei com um vestidinho simples, calcei as alpercatas com rabichos, como costumávamos chamar, e me dirigi toda trêmula, o pavor tão grande, que quase não conseguia andar. Ao chegar à porta da escola ela já estava lá esperando os alunos, cumprimentei-a muito encabulada e ela, com seu vozeirão, respondeu: “Bom dia, Tereza! Os dias foram passando e fui me adaptando, já a cumprimentava sem tanto receio. Mas quando ela dizia: “Tereza, estudou, preparou as tarefas?” Não respondia, mas, o meu pensamento respondia: – Claro que tinha feito, não queria levar bolos. Acontece que na hora da leitura me engasgava, tossia, até soluço me dava. Ela me dispensava e passava para outro aluno. Notava que ela sentia uma afeição especial por mim, talvez como se penelizasse da minha dificuldade em aprender. Nos dias que aconteciam a sabatina da tabuada, não errava uma sequer, pois decorar era o meu fraco. A sabatina consistia no seguinte: as quatro operações ela arguia, dessa forma: 5+8-3x6: e a resposta deveria ser dada bem rápida. Entretanto, num certo dia ao sabatinar um colega da minha sala, não lembro o nome, ele errou, e ela fez a pergunta para mim, respondi de imediato, e dessa maneira ela se expressou: “Você vai aplicar seis bolos nele, três em cada mão”. Muito tola e envergonhada, não quis aplicar os bolos com força. Na primeira que apliquei, devagar, ela tomou a palmatória de minha mão e disse assim: “Olhe, menina, é dessa forma que deve dar os bolos, com gosto, para que ele da próxima vez se esforce, estude para não errar”. Então, pegou minhas mãos e aplicou-os com força como sempre recomendava. Nesse dia chorei pra danar, não me conformava porque levei os bolos. Mas também serviu de lição, nas outras vezes botava pra quebrar, não quis sofrer pelos erros dos outros. Em conversa com Socorro Lima, neta de seu Pedro que tocava o sino na Capela do Socorro, que foi minha colega de turma, ela disse que até hoje agradece a Dona Toinha saber algarismos romanos até 5.000. A cartilha usada por  Dona Toinha na nossa turma ela lembra ainda, Lalau, Lili e o Lobo. Outros colegas de minha turma, Paulo Machado (hoje odontólogo e advogado); Maria Ieda de Lima (professora); Edson Amorim (falecido). E foi nessa escola simples, de carteiras duplas, quadro-negro de madeira e com uma cantina no fundo do quintal, que sua mãe Sá Tonha vendia as merendas, como: cocada, pitomba, amendoim, mas raras vezes levava dinheiro para comprar, pois lá em casa a ordem era levar a merenda de casa, que consistia em banana, leite com bolacha, bolacha Lídia e suco. Conduzia numa pequena sacola de pano feita por minha mãe, com um babado e o nome da gente. Foi aí que conquistei um grande sonho, o meu maior desejo naquele período de minha vida, o de saber ler. Com orgulho passava nas lojas e lia as placas, um pouco soletrando, mas finalmente atingi o tão esperado alvo. Dona Toinha dedicou uma boa parte de sua vida na alfabetização de crianças. Ela perdeu a conta de quantos alunos passaram por suas mãos, sabe que foram mais de vinte anos de dedicação total. Conseguiu diplomar-se na Escola Normal Rural e de posse do diploma conseguiu um contrato do Estado e do Município. Entregou sua escola para sua irmã Alice dar continuidade. Sua residência continua no mesmo endereço, Rua Santa Luzia, 21. Hoje aposentada, costuma sentar na calçada para palestrar com seus amigos e vizinhos. Sempre a vejo na Capela do Socorro na missa de 15:30h, no sábado, e a abraço. A essa pessoa simples, de método antiquado, que a pedagogia moderna condenava (o uso da palmatória), devo muito e tiro meu chapéu. E finalizo com os seguintes dizeres: Dona Toinha, muito obrigada, a senhora foi nota dez para mim!.
1.Dona Toinha quando jovem. 2. Atualmente e 3. A cartilha que ela adotava para ensinar Português.
1.Dona Toinha como concludente do Curso de Datilografia. 2. 

Quando aluna da Escola Normal e 3. Na solenidade de sua colação de grau como Professora Primária.

1. Sá Tonha, mãe de Dona Toinha e 2. A imagem de Nossa Senhora da Conceição que no final do mês de maio era coroada. Quando estava encerrando as atividades de sua escola, Dona Toinha fez um sorteio com a turma masculina e o contemplado foi o aluno Antony Agostinho que até hoje a conserva em sua casa, colocando-a bem na entrada da sala do Coração de Jesus.

1.Socorro, ex-aluna e 2. Daniel Walker, também ex-aluno.
Na foto Dona Toinha relembra o tempo em que  dava bolo de palmatória 

Capa das provas da Escola de Dona Toinha. 
Turma  mista de1971, gentilmente cedida por Edvânia. Em pé, da esquerda para a direita: Edvânia, Rosângela, Jaqueline, Cícera, ?, Antony, Mário Jorge, ?, Socorrinha, ?, Rosana, Regina, Carlos Edvan, ?  

Da esquerda para a direita:1ª fila em pé: ?, ?, Dona Toinha, ?; 2ª fila: Nailma, ?, ?, Nilce, ?, Ludmila, ?, ?. Sentadas: ? Imeuda, Sílvia, Isabel Cristina, Analuce e Lúcia Cansanção.
Turma masculina de 1961.Em pé, a partir da esquerda: Demontiê Sobreira, Antonio Agostinho (falecido), ?, Evandro Amorim, Cicero Sobreira, ? ,Paulo Airton Macedo, Serginaldo Agostinho. Segunda fila, ?, Marcos Germano, Marcelo Macedo, a professora Toinha, Roberto Gomes, ?, Cícero Roberto Gondim Medeiros, ?, Carlinhos Lima, Evânio Amorim, ?. Na identificação dos nomes participaram, Dona Toinha, Paulo Airton, Aldo Marcozzi e Evison Amorim. 


MENSAGENS RECEBIDAS
Que lindo! Me deliciei lendo tuas memórias como contação de uma infancia e adolescência que hoje não vemos e não temos o prazer de ver. Que Baú rico hem? Amei as roupinhas dos filhinhos. Também guardo dos meus. Lindo, lindo sensacional! Bjs
Herbene Guedes, Juazeiro do Norte

Olá querida Neuma! Tudo bem?
Hoje depois de algum tempo sem ler os seus artigos, resolvi me deliciar com suas recordações que me fazem tanto bem... Porque não dizer nossas também. Pois são através de suas lembranças que conseguimos entrar e voltar ao nosso mundo imaginário e incrivelmente maravilhoso da nossa infância. Pode acreditar que a cada uma das suas descobertas me vejo nelas, pois me traz de volta todo o nosso passado. Obrigada por me fazer lembrar que existe dentro de nós uma história a contar e que nos torna vivas novamente. Quero dizer que adoro viajar com você nesse tão fabuloso universo.
Um grande beijo,
 PS : Consegui me atualizar com suas colunas.E como era de se esperar todas homenagens ali postadas foram bem merecidas. Parabéns!!!
Marleide Fernandes Guimarães, Fortaleza, Ceará