Assistindo pela TV o desfile de 7 de Setembro deste ano, surgiram imediatamente as lembranças dos desfiles do Colégio Salesiano de antigamente. Geralmente era o último a desfilar e mesmo com a hora já bastante adiantada, sol escaldante do meio-dia, a multidão aguardava ansiosa a sua chegada, esperando para ver o que ele trazia como novidade. E como tinha coisa bonita para mostrar! E o idealizador e colaborador na preparação dos carros alegóricos, contando a nossa história e a história do Brasil, era nada mais, nada menos do que o professor Luiz Magalhães que dedicou toda sua existência a esse tão amado colégio. Ele se realizava com essa missão, por isso primava na ornamentação dos carros alegóricos e na indumentária dos participantes que levavam a coisa a sério, como se fossem atores participando de um filme. Quem não fizesse direito nos ensaios levava bronca. A preparação começava muito cedo, com ensaios intensos no mês de agosto e começo de setembro, e no horário das aulas. No dia do desfile ele ficava feliz porque a consagração era certa. A multidão aplaudia com bastante entusiasmo. O desfile do Salesiano de antigamente tinha bandeiras, cavalos, carros (jeeps, caminhões e até trator, oferecidos gentilmente pelos pais dos alunos) e roupas vistosas para representar personagens da história. A farda de gala quando o colégio era somente masculino era idêntica à das Forças Armadas, mais parecida com a da Aeronáutica por causa da cor azul. Lembro que tinha um quepe muito bonito e uma túnica com botões dourados e um torçal também dourado, coisa realmente chique. Os rapazes marchavam imponentes, orgulhosos, até chegando a despertar olhares apaixonados das adolescentes da época. A banda, também muito organizada e cadenciada, era um espetáculo à parte. Esplêndida! Mas esta parte, a do desfile propriamente dito, era mais tarefa do Padre Mário Balbi. Professor Luiz cuidava da parte artística. Depois foi incorporada uma participação dos ex-alunos salesianos, formando um bloco especial sempre muito concorrido. Felizmente o professor Luiz teve o cuidado de registrar através de fotografias momentos históricos dos desfiles de antigamente, algumas das quais, referentes aos desfiles de 1955 - 1965 - 1967 - 1976 - 1998 – 1999, mostro a seguir para deleite dos meus leitores e ex-alunos salesianos. As fotos nos foram doadas por suas sobrinhas Nalizany e Wilany, primas de meu esposo.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Os cem anos de Dona Toinha Grangeiro
Completar cem anos é uma dádiva
maravilhosa de Deus, Nosso Pai. Dizemos sempre quando uma pessoa chega aos
oitenta que ela é uma privilegiada, que tem vivido tanto tempo para alegria e
conforto dos seus familiares. E para quem chega aos cem, o que podemos dizer?
Que é uma pessoa felizarda, abençoada, protegida, e tem mais, o prazer pela
vida a tem acompanhado, claro que Deus é o seu maior parceiro. Tive a
felicidade de conhecer dona Toinha na casa de meu irmão, Aldo, que é casado com
sua filha, Gilvânia. Logo que o filho deles nasceu, costumávamos passar em sua casa para visitar
meu sobrinho bebê, Pedro. Gostava de colocá-lo nos braços, de embalá-lo, porque
esse gostinho de amor, do prazer de pegar em um nenê já ia muito longe, meus
filhos já estavam na adolescência. E foi numa desses visitas que conheci dona
Toinha. Amei a criatura, foi uma empatia instantânea. Conversamos, rimos, nos
abraçamos e assim surgiu nossa amizade. Quando faleceu seu filho, Getúlio, cadê
a coragem para visitá-la, me senti impotente para lhe prestar a minha
solidariedade. Na missa de sétimo dia consegui a coragem necessária e a abracei
comovida. Entretanto, o que vi diante de mim foi uma fortaleza. A fé inabalável
em Deus não a deixou fraquejar mesmo com a perda de mais um filho e do amado
esposo. Uma vez ou outra passava em sua casa para vê-la e também para constatar
como estava reagindo. Novo choque, a perda do seu filho, Gil, seu filho caçula.
O filho que lhe fazia companhia, junto com a Irmã Grangeiro. O mundo girou para
ela dessa vez, ficou bastante abalada. Familiares, amigos e padres a visitavam
para lhe confortar. A dor imensa, o choro queria consumi-la. A fé lhe revigora
e toca a frente o barco. Novamente, receio visitá-la, o que dizer? Como confortá-la?
Quais palavras devo usar? Descubro uma maneira bem sutil para disfarçar o meu
constrangimento, levo de presente para ela, um ursinho de pelúcia na cor azul,
em posição de joelhos dobrados, mãos postas e que recita o Pai Nosso. Com um
pequeno pacote em embalagem de presente, vou a sua casa. Chego até ela e lhe
dou um forte abraço, as lágrimas deslizam dos seus olhos, imediatamente coloco
em suas mãos o pacote. Ela o abre, ri e
indaga surpresa: “Agora virei criança?” Respondo, “não dona Toinha, ele vai
rezar com a senhora, é só apertar na barriga que ele reza”. E coloquei para que
ela ouvisse. Notei que tinha gostado, e deu um pequeno sorriso. Algum tempo
depois, fui visitá-la e que surpresa maravilhosa, a encontrei trabalhando com fuxico. A
tristeza aos poucos foi diminuindo e a disposição para ocupar o tempo chegou.
Xales, almofadas, colchas tudo para presentear os filhos, netos e amigas. Fez
tanto fuxico que enjoou, mas não queria ficar ociosa, não podia de forma alguma
parar. Começa, então, a trabalhar com passa fita em toalhas de banho, de rosto
e de mão. As toalhinhas de mão ela confeccionou uma média de quarenta somente
para presentear, segundo informações de Vânia, e eu fui contemplada com esse
presente. Dona Toinha tem como rotina dar uma dorminhoca gostosa após o almoço
e, quando acorda fica assistindo TV e executando seus trabalhos que a entretém
demais e gozando da companhia do seu fiel gato, amigo de longas datas, José.
Ele fica pertinho dos seus pés ou na sua almofada, e vez por outra dá uma
espreguiçada e ronrona, como se dissesse “eu estou aqui do seu lado, não
esqueça de mim”. Já cansada de tanto ver toalhas em sua frente, procura outro
meio de desenvolver suas habilidades. Que novidade surgiu para sua fértil
criatividade? Ornamentar a capelinha de Mãe Rainha Três Vezes Admirável feita
de madeira, e pregou lantejoulas de várias cores. Ficaram lindas! E lá se vão
mais presentes, ganhei novamente essa preciosidade, guardo com muito carinho.
Passei então, em sua casa para agradecer o presente e vejo que suas mãozinhas
habilidosas continuam em
atividade. Nova criação, uma mandala enfeitada com sianinha,
lantejoulas e pregado no centro o Divino Espírito Santo. Muitas foram
distribuídas com os familiares e amigos. A elogiei muito por essa perseverança
em continuar trabalhando, ela riu e disse: “É isso mesmo minha filha, não posso
ficar parada, me sinto mal”. Conversamos, quando ela chama Maria, sua
secretária, e diz: “Traga um caldinho de feijão para Neuma, tá muito gostoso”.
E diz pra mim: “Notei que você está muito magrinha”. Dei uma risada e uma
desculpa para não aceitar, mas, ela insistiu e tomei o tão comentado caldo de
feijão, ela tinha razão estava saborosíssimo. Ao me despedir, a abracei,
beijei, elogiei os cabelinhos tão arrumados, quando ela disse: “Velho já é feio e por cima descuidado,
com os cabelos desarrumados fica mais
feio ainda”. Que presença de espírito e ainda a vaidade que possui. Já na
saída, ela ainda diz: “Minha filha não vá agora, fique mais um pouco eu gosto
muito quando você vem me visitar”. Fiquei envaidecida com o tratamento. Dona
Toinha é uma pessoa que traduz ternura, afeto, com o jeitinho de aconchego, de
transmissão de energia positiva. Próximo do seu aniversário, com os outros
trabalhos já saturados e sem mais motivação foi colocado em suas mãos
abençoadas, cadernos de desenhos para pintar. Ficou animada novamente. Seu
semblante irradiou alegria e contentamento. E aí começou a colorir os desenhos
e viu como num passe de mágica os seus desenhos criando vida. Redobra a atenção
para não sair da linha, para que as cores combinem, até hoje não deixou sua
índole de perfeição. Essa homenagem que presto a esta pessoa maravilhosa que
admiro demais, caros leitores, serve de exemplo para muitos de nós que nos
abatemos com as tribulações que nos atingem no nosso dia a dia e que às vezes
obscurecem nossa fé em um Deus
verdadeiro que nos ama muito e que nos acompanha em todos os instantes de nossa
vida. O Deus que abençoa e protege dona Toinha, mulher guerreira, forte e que
ama demais a vida, nos abençoe também. Palmas para ela, uma centenária com o
jeito benfazejo de jovialidade.
Abaixo mostro fotos de alguns trabalhos de Dona toinha
MENSAGENS RECEBIDAS:
Obrigado por relembrar os
pioneiros da classe odontológica em Juazeiro. Hoje o número aumentou e vai aumentar
ainda mais com a quantidade exagerada de alunos da Faculdade Leão Sampaio. Nada
contra o Curso, pois traz inovações, novos profissionais e o atendimento ao
público carente. Mas, 200 alunos por turma vai acarretar um inchaço e trazer a
má qualidade no atendimento.
Dr. Leonardo Celestino, Juazeiro
do Norte, Ceará
Quando leio um artigo como este
fico aqui pensando,COISA DE RICO, mas não, era coisa de gente que tinha
cuidado. Frequentei todos eles, mesmo porque o Dr Balbino por tabela e amizade
é quase primo, Dr Edival vizinho e o Dr Sátiro atendeu ao Juazeiro todo. Agora
o melhor dentista e todos frequentavam era -A LINHA ZERO-era infalível. Joguei
uns cinco dentes no telhado lá de casa.
Entre nós os homens esta prática
gerou muitas brigas, pois era colocado a linha zero e de supetão -os dentistas
Zé Balbino, irmão do Dr Antonio Balbino,ou o Jorge Luiz, irmão do Daniel
puxavam sem avisar. Era briga certa, dez minutos depois só alegria, brincadeira
e o aumento dos laços de amizade.
Por isso sempre falo-O SOCORRO
NÃO ERA UM BAIRRO, ERA UMA FAMÍLIA.
Neuma, parabéns. .
Dr. Iderval Tenório, Salvador, BA
Acompanho diariamente o Jornal On
Line de Juazeiro, e sua Coluna. Sempre com boas recordações dos meus tempos.,
na oportunidade, gostaria de lhe agradecer pela lembrança do nome do meu Pai,
Luis Bezerra de Sousa, como um dos primeiros Dentistas da nossa Cidade.
Obrigado.
Alexandre Julio
Gondim de Sousa, Iguatu, Ceará
domingo, 2 de setembro de 2012
Os poucos dentistas nos anos 60
Quando criança, sempre que precisava ir ao dentista para algum tratamento, ficava apavorada e acho que isso é comum em toda criança, pelo menos antigamente. O medo, o pavor dos aparelhos, do alicate, da seringa com o anestésico era uma verdadeira aflição. Foi assim que aconteceu comigo e com meus irmãos. Um medicamento que nunca faltou na farmácia da nossa casa era Cálcio, e por sinal tomamos exageradamente, devido o cuidado que mamãe tinha conosco e exagerou na dose. Esse foi o motivo (segundo mamãe dizia) que acarretou a fragilidade de nossos dentes, e a cárie aproveitava para se instalar neles. Dos nossos dentes de leite a maior parte foi extraída por titio Valdo, que tinha já pronta uma pinça a nos esperar. Já um pouco maiorzinhos, com mais coragem, colocávamos um pedaço de linha zero, uma linha grossa, que não quebrava, e como fazíamos? Colocávamos no dente que estava mole e dávamos uma laçada e puxava. Quando não saía logo, ficava sangrando e Munda (a irmã adotiva de mamãe) que morava em nossa casa e ajudava mamãe nas tarefas domésticas concluía a operação, isto é, retirava o dentinho. O nosso primeiro dentista foi Dr. Raimundo Tavares Neves. Lembro de sua figura, baixinho, vestido impecavelmente de branco, bata e calça tão bem passadas, que até tinham um ar de mistério, pois não ficavam amassadas; e sapatos brancos também. Seu consultório era localizado na Rua Conceição, próxima da casa de seu Sebastião Teixeira. Lembro que tinha um portãozinho, e tínhamos que abrir para entrarmos. O medo em mim já começava aí, as mãos gelavam e suavam. Levava um lencinho, necessário para limpar a boca, porque naquele tempo suponho não existia ainda o lencinho de papel, hoje comum em todo consultório. Dr. Raimundo muito cordial, brincava com a gente para que relaxássemos. Ai Deus! Quando lembro do motorzinho no dente ainda suo frio. Não posso negar que ia levada à força. É tanto que devido ao meu descuido e medo perdi vários dentes. Águas passadas. Frequentei também o consultório de Dr. Antônio Balbino, no Edifício M. Oliveira. A sala ficava no 1º andar. Era preciso subir uma escada, achava-a tenebrosa, pois não era muito bem iluminada. Tenho lembrança das mãos de Dr. Balbino, os dedos grossos e as unhas bem redondas. Nos advertia sempre que tivéssemos muito cuidado com os nossos dentes permanentes, porque perdendo-os não tinha mais como recuperá-los. Fiz tratamento com Dr. Geraldo Barbosa e algumas extrações e restaurações. Quando estava nos atendendo gostava de cantarolar. Muito amistoso. Seu consultório funcionava na Rua Padre Cícero, 314, vizinho à Farmácia dos Pobres, atualmente funciona na mesma rua, nº 275. Dr. Luiz Bezerra de Souza, o seu consultório, antes funcionou na Rua Pe. Cícero, 330; mudou-se depois para a São Francisco, próximo ao Hotel Municipal. Outros dentistas a quem recorri para tratamento, Dr. Edval Vieira Almeida, muito educado, recebia o cliente à porta, cumprimentava-o e mostrava a cadeira que devíamos sentar. Quando ele notava que eu estava muito ansiosa e o medo transparecia no meu semblante, calmamente pedia que relaxasse que logo, logo tudo terminava. Realmente me sentia mais aliviada e a tensão diminuía e o tratamento prosseguia. Seus passos cadenciados se locomovendo no seu consultório, numa demonstração de muito amor à profissão. Seu consultório ficava na Rua Pe. Cícero, 469 e posteriormente passou a ocupar uma sala no Edifício M. Oliveira, na Rua São Pedro, 573, 1º andar, s/112. Dr. José Leite Feitosa (conhecido como Dr. Zi), seu consultório sempre funcionou na Rua São Francisco, 427. Fiz tratamento de canal com ele. Sereno e calmo, muito habilidoso no trabalho que exercia. Dr. Queiroz, natural de Barbalha, pessoa boníssima, quis trabalhar em Juazeiro e instalou seu consultório no Edifício M. Oliveira, 1º andar. Eeu e meus irmãos íamos para o seu consultório, e quando sentávamos esperando a vez de sermos atendidos, ficávamos disputando no par ou ímpar, quem seria o próximo. O consultório de Dr. Pedro Bispo dos Santos, funcionou na Rua São Pedro, 934, e posteriormente na Rua Santo Antônio, 544, hoje Rua Pe. Pedro Ribeiro. Com o seu falecimento, sua esposa dona Maria Bispo deu continuidade ao seu trabalho. Dr. Sátiro, o consultório, localizava-se na Rua Pe. Cícero, entre a Rua Cloves Bevilaqua e a Rua da Aurora, hoje Radialista Edésio de Oliveira.
Como mudou! Naquela época tão poucos dentistas. E agora, o número de profissionais da odontologia cresceu muito, chegando a centenas. Uma das causas foi o aumento da população. Felizmente, hoje com a moderna tecnologia que investiu em equipamentos sofisticados, ir ao dentista, pelo menos para mim, não chega mais a causar o pavor de antigamente. Os consultórios aprazíveis e confortáveis têm concorrido para a procura mais acentuada dos clientes. E quem hoje não quer apresentar um sorriso bonito, com dentes bem cuidados e perfeitos? Saúdo os odontólogos pioneiros de minha cidade, pois enfrentaram obstáculos, porque tempos atrás a saúde bucal não era levada muito a sério, como hoje em que o próprio governo proporciona atendimento direto à população carente.
| Doutores Edval, Balbino, Geraldo, Bispo e Luiz. |
sábado, 25 de agosto de 2012
A bicharada da minha infância
Nos passeios e viagens que tenho feito sempre encontro algo que desperta motivação para escrever. Desta feita foram fotos e animaizinhos ao vivo que me fizeram voltar ao tempo, trazendo-me alegria em lembrar de minha infância tão contagiada com a presença de animais (insetos, aves e peixes). Passamos um dia desses no Caldas com as netas e os pais delas, e lá ficamos debaixo de uma árvore próxima de uma das piscinas que a criançada adora, de repente surge uma fileira de saguís (as pessoas geralmente chama soim), bem juntinhos, em busca de comida. Tive coragem de me aproximar e colocar banana na boca de um deles. Contei então para minhas netas como era a casa dos meus pais. Ela se localizava na Rua São José e terminava na Rua Santa Rosa. A casa construída na Rua São José e o quintal muito extenso ia até a Rua Santa Rosa. Na metade da extensão do quintal, existia um viveiro enorme, sendo dividido em duas partes. Numa parte acomodava dois saguís, que passavam o dia todo se balançando em um balançador, feito de um pedaço de madeira e nas pontas cordas que eram pregadas no teto do viveiro. Era engraçado quando colocávamos a banana pra eles, rápido eles tomavam de nossas mãos e engoliam quase inteira. E depois, ficavam limpando as mãozinhas e pedindo mais. E quando um deles resolvia catar piolho na cabeça do outro, me extasiava olhando aquela imagem de seres irracionais, mas que tinham o instinto do carinho, do afago. O que oferecia a cabeça aceitava o agrado todo dengoso. Na outra parte do viveiro várias espécies de passarinhos nos alegravam com os seus gorjeios. E o casal de arara de cor amarela com azul, tinha sua casinha de alvenaria e com uma porta de arame. Elas gostavam de passear pelo quintal, de pegar cajaranas do chão e ficar chupando. Levantavam a cabeça para que o suco descesse por suas gargantas sem perder nada. E ainda roíam o caroço. Quando o chão estava quente corriam para a casinha, para não queimar os pés. O papagaio que cantava Ave Maria, ficava pendurado no seu poleiro e algumas vezes enganchava o pé na corrente, e tínhamos que salvá-lo. A corrente encurtava e a posição de ponta cabeça o incomodava demais. O lago redondo com pedrinhas pregadas na parte de cima. Viviam felizes dois casais de marrecos de cor marrom claro com bico vermelho, uma marreca chamada de viuvinha por ter a penugem escura, uma patola e um paturi. Passavam o dia todo nadando de um lado para o outro, tão felizes. Depois, à tardinha já exaustos, saíam da água e ficavam balançando as asas para escorrer a água e deitavam nas pedrinhas do lago. O pombal, que lindeza, várias casinhas construídas em alvenaria e com o primeiro andar e lá viviam pombos de penas brancas, de penas misturadas com marrom e de penas pretas com branco. A gente gostava de observar o acasalamento, o pombo todo faceiro dando o ar de sua graça para a pomba. Algumas não davam bolas para os pretendentes. Beliscava, voava e entrava na casa. E quando nasciam os filhotes bem peladinhos, só tinham grande a cabeça. O pai cuidava do filhinho e a mãe ia pegar comida. Quando já estavam crescidinhos, chamados de borrachudo, já era um petisco. Antônio Luiz (meu irmão) era craque em matar os coitadinhos dando uma pancada na cabeça com um pauzinho. Tinha muito dó deles sendo sacrificados e depois preparados e fritados por Munda para matar o desejo dos meninos, nessa hora eu pecava comendo uma perninha, pois não resistia. Como era bom conviver com essa fartura de coisas lindas criadas por Deus! Nessa nossa última viagem visitamos a Estação Ciências, em João Pessoa. E na visita me deparei com um quadro de uma borboleta, não sabia o nome dela, mas a acho muito linda e em minha casa cliquei sua foto pousada numa planta. Imediatamente me veio a mente as lindas borboletas que pousavam nas plantas do jardim e do quintal da casa dos meus pais, não me cansava de contemplá-las. Mas, os irrequietos meninos (meus irmãos) e os meus primos tão malvados, caçavam as borboletas com um pedaço de pano ou toalha e matavam as bichinhas, com a invenção que ia colecioná-las. Ah! Lembrei agora das abelhas, mamãe as criava em caixotes de madeira. No dia de colher o mel, as abelhas ficavam assanhadas e sempre nos ferroavam. O sistema era muito arcaico, atiçava fogo em uma vassoura e quando estava com bastante fumaça colocava nos caixotes, as coitadas estonteadas, fugiam e muitas morriam. Que malvadeza! Hoje, é bem moderna a maneira de retirar o mel, não se sacrificam as abelhas como antigamente. No lago do jardim, mamãe colocou alguns peixes da espécie chupa pedra, não conseguíamos distingui-lo das pedras, e sua função era limpar o lodo que se acumulava nas paredes do lago. Sentava-me na beira do lago e ficava admirando o seu belo trabalho. Depois de muito esforço, eles paravam e colavam nas paredes, durante horas e horas.O viveiro feito de arame na forma de uma casinha, de cor prateada, repleto de periquitos australianos, de muitas cores: verde, amarelo, azul, branco. O barulho era infernal, quando todos resolviam cantar na mesma hora. Minha paciência ia a zero, principalmente na hora de estudar. O viveiro tinha que ficar dentro de casa, pois surgia muito gato traiçoeiro no quintal e surrupiava os agitadores, como dava pena encontrar somente as penas. Os matreiros gatos da vizinhança não davam trégua, todo cuidado era pouco. Não posso deixar de lembrar de minha galinha Mimosa, presente recebido de dona Rosinha das galinhas, moradora da Rua Santa Rosa. Mamãe, suas irmãs (Maroli e Odete) e sua cunhada (Suleta) eram freguesas constantes dela. Compravam geralmente, frango ou capão. Galinha não tinham interesse, diziam que a carne era dura. Sempre acompanhava mamãe quando ia comprar. Interessante a forma de ver se o bicho estava sadio, se era gordo, se tinha gogo. Pegava no pescoço e assoprava no final do pescoço para saber se estava gordinho. Apertava o bico, caso saísse um líquido estava com gogo, não se comprava. Nos dias atuais é difícil a gente encontrar os vendedores de galinha caipira ou de capoeira. O frango de granja tomou conta do mercado. Não posso deixar de mencionar outros animais que existiam no mesmo quarteirão de nossa casa, na casa de doutor Feitosa e de dona Heloísa, esquina com a Rua Santa Luzia, hoje nesse local está instalada a Policlínica de Juazeiro Ltda. Mamãe muito amiga dela, sempre a visitava e a gente gostava de acompanhá-la para ver os animais de lá, bem diferentes dos nossos. A preguiça trepada no pé de benjamim; os camaleões circulando pelos arredores da casa; os cágados e jabutis que gostavam de se esconder nas moitas; a anta, animel enorme com uma pequena tromba; a cobra jiboia que vivia presa num viveiro e as emas enormes, de pernas grandes e finas, que se exibiam desfilando em derredor do jardim. Atualmente, devido o desmatamento, o vandalismo e de atos que prejudicam ao meio ambiente não é mais permitido criar animais dessas espécies em cativeiro. Muitos foram extintos e só os encontramos em fotografias expostas em museus, em exposições ou em livros. Ao contar para vocês, caros leitores, estas minhas lembranças, sinto o sabor maravilhoso de um tempo feliz.
E-MAILS RECEBIDOS
Olá querida prima.
Não poderia
deixar de aproveitar esse espaço, para
mais uma vez lhe parabenizar pela iniciativa do "Bazar
Solidário" que foi um sucesso. Como já disse no facebok,compartilhando
essa sua coluna maravilhosa. Assim como Heloísa disse: "que tem orgulho
dos avós, eu tenho um imenso orgulho de
ser sua prima/irmã. Foi muito bom ver o empenho de todos seus colaboradores:
Francisquinha, Luana, Isadora, Heloísa, Yolanda, Analuce, Juliana, Paulo,
Danielzinho etc.
Parabéns
mesmo!
Um grande
beijo.
Que Deus
lhe abençoe.sempre!
Marleide
Fernandes Guimarães, Fortaleza, Ceará
Querida
irmã,
Parabéns
por esta bela iniciativa e que Deus lhe abençoe.
Atenciosamente,
Paulo Airton. Tauá, Ceará
Minha prima
querida!!
Beijos,
Mirna, Fortaleza,
Ceará
Parabéns! O
sucesso do Bazar Solidário é mesmo fruto de quem reúne valores e abraça com
determinação a causa do irmão necessitado. Glória a Deus nas alturas e muita
Paz a você, que voluntariamente, abraça a causa do irmão necessitado, criando
alternativas dignas de admiração. Fiquei comovida com seu exemplo e muito feliz
por ter atingido suas metas. E mais ainda com a declaração de amor
"Divino" de sua neta Heloisa, muiiiiiiiiiito linda.
Rio de
Janeio, RJ
Neuma,
O desapego
é o primeiro passo que se dá em busca da santidade. "Não junteis tesouros
na terra." Sinto-me engrandecido também por este ato de amor e
solidariedade para com aqueles que necessitam do nosso supérfluo.
Deus
abençoe você por esse gesto, minha irmã querida do meu coração. Um dia - no céu
- você entenderá o que o seu despojamento representou para o Senhor Jesus.
Fique com
Deus.
Neuma, cada vez mais você me
surpreende, essa agora de você se despojar de seus objetos ornamentais que
tanto você gosta, é um gesto tão sublime minha prima, indescritível... Que Deus
lhe dêr muitos anos de vida, com saúde e paz para que continue edificando esses
seus projetos tão nobres. Gestos como esses precisam ser copiados. Parabéns!
Sua prima,
Socorro Romão, Juazeiro, Ceará
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Bazar solidário: o resultado e a entrega da renda às instituições
O planejamento do Bazar começou em maio, com a colaboração de Vânia (minha cunhada) e de Mano Grangeiro. No primeiro encontro coloquei uma pequena mostra do que tinha disponível para fazer parte do bazar. Gostaram do que viram. Ficou combinado para o próximo encontro todos os objetos retirados dos caixotes, 31 ao todo, para traçarmos com mais precisão como deveríamos fazer. Colocando em miúdos para melhor esclarecimento dos leitores, os enfeites eram colocados em caixotes de mercantil (contêineres). Eu tinha o cuidado de pôr uma etiqueta informando o que continha: peças verdes; peças transparentes; louças brancas; louças brancas e azuis; louças azuis e amarelas; bombonieres transparentes e em cores; taças de vários tamanhos etc. As peças eram todas embrulhadas em plástico bolha. Retirei tudo dos caixotes durante a semana, e fui colocando espalhadas nas mesas, estante modulada, barzinho e também no chão da sala de estar. Vânia quando chegou para o encontro e viu a enormidade de peças, muito admirada indagou: “Daniel, você sabia que tinha esta loja em sua casa?” Daniel respondeu assim: “Eu sabia que Neuma comprava muita coisa, mas do jeito que estou vendo, jamais imaginei”. Resolvemos convidar pessoas abalizadas para dar uma ideia dos preços que poderíamos cobrar. Pedi ajuda de duas amigas, Rejane, funcionária da Lojas Freitas e de Cleone, proprietária da loja de decorações MC Decorações. Os preparativos no mês de junho se intensificaram, já com um roteiro definido. Compra de sacolas, de copos descartáveis, guardanapos, aventais, todo o material necessário que seria utilizado no bazar. Preços colocados em todos os objetos. Separação das estantes de aço que acomodariam as peças, três no total. Minha estante modulada com três partes e cinco mesas; duas minhas e três de Suelan (Suel Festas). Precisei de uma boa equipe para que tudo se realizasse sem nenhum contratempo. Analuce (minha irmã) e Juliana (sua filha) vieram de Fortaleza; Paulo (meu irmão) e Cristina (sua esposa), vieram de Tauá. Vânia que desde o início me auxiliou de forma total. Magdalene (prima de Daniel), ajudou bastante transportando os objetos e colocando-os nas estantes e mesas. Preparamos um quadro grande no qual seriam afixadas etiquetas com os nomes dos visitantes compradores, e o batizamos de Painel do Bazar Solidário. Por incrível que pareça todas as pessoas que visitaram sempre saíam com uma sacola ou com várias sacolas. Outras pessoas voltaram no dia seguinte para novas aquisições. O Caixa e o local de empacotamento ficaram no jardim sob a coordenação de Analuce, Juliana e Cristina. As estantes e mesas ficaram dispostas da seguinte forma: as três estantes e o móvel modulado, instalados no hall. As cinco mesas foram colocadas do portão do jardim até o início do hall. Tudo abarrotado de louças, vidros, castiçais, pratos, velas etc. O dia para a abertura do bazar ficou determinado 14 de julho, no horário de 15:00. Às três instituições beneficiadas foram convidadas para se fazerem presente na abertura e compareceram. Convidamos o primo de Daniel, Lécio, para ficar no portão vigiando para impedir a entrada de intrusos. Ao abrir o bazar fiz questão de usar a palavra e explicar o que me fez tomar esta atitude e o destino da renda. Depois de 15h30min, começou a chegar o público alvo, os interessados em comprar e alguns, apenas por curiosidade. Todos ficaram admirados da quantidade de objetos que estavam expostos. E alguns me indagavam curiosos: “Neuma, como você acomodava todos estes enfeites?” “Ah! Minha amiga, respondia: Em um quarto que tenho lá atrás, os enfeites eram acondicionava em contêineres e os colocava em estantes de aço, ao todo seis. As pessoas que estavam ajudando no bazar usavam um avental com a logomarca. Minhas netas, Heloísa e Isadora juntamente com sua prima, Yolanda, recebiam os convidados e perguntava o nome para afixar no painel. Muito educadas, cumprimentavam e sorriam para as pessoas. Foi um momento ímpar em minha vida, a realização de algo que vinha acalentando há algum tempo e que naquele exato momento estava presenciando a sua efetivação. Cercada de familiares e de amigos curti muitíssimo, assistindo a venda dos objetos e a saída deles de minha de minha vida. Foi servido um chá mate gelado com torradas para os presentes. Como já tínhamos previsto, um dia só não seria suficiente para encerrar o bazar. Então, continuamos no domingo e por mais três semanas continuou funcionando. No domingo, eu e Daniel recebemos da netinha Heloísa uma cartinha que nos tocou e nos emocionou muito, e que me fez chorar de emoção. No término das três semanas, Daniel achou por bem encerrá-lo. Luana, minha nora, muito esperta, sugeriu que levaria o restante dos enfeites para vender em Barbalha, pois ela tem um conhecimento muito grande, por ser sua cidade de origem. Aceitei prontamente a sua sugestão. Ela e Daniel Junior empacotaram tudo e colocaram em três contêineres, levaram também os álbuns com fotos das instituições que seriam contempladas e fotos de como ficava ornamentada minha casa. Foi um sucesso, os amigos de Luana barbalhenses se comoveram e fizeram questão de participar comprando os objetos com o intuito de ajudar. E foi assim, caros amigos e leitores, que consegui graças a Deus a soma líquida de R$7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), depois de deduzida a despesa com a organização. A distribuição dói a seguinte: R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) entregues ao Lar de Lazer do Ancião Feliz, que abriga 25 velhinhos; ao Albergue Sagrada Família, R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), abriga 56 velhinhos e ao Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais), quantia esta que será revertida na compra de setenta telhas, atendendo ao apelo feito pelas Monjas Beneditinas, que estão com dificuldades em comprar a cobertura da Igreja, e a campanha diz o seguinte: compre uma telha no valor de R$ 50,00 (cinquenta reais) e contribua com a cobertura da igreja. A entrega do cheque ao Lar de Lazer do Ancião Feliz aconteceu no dia 04, dia em que a fundadora Dona Francisca Benício estava completando setenta e cinco anos. Ela recebeu com muita alegria a nossa doação. A entrega foi feita para sua irmã, Zenilda Benício administradora da casa. Dona Francisca Benício muito alinhada, aguardava os convidados para a comemoração do seu aniversário com um jantar e uma seresta. No domingo, dia 5, fizemos a entrega no Albergue Sagrada Família ao casal, Carlinhos e Graça, diretores da instituição. E logo depois, nos dirigimos para o Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, para a entrega da doação para a Madre Aparecida, Superiora do Mosteiro que juntamente com as monjas receberam com muito entusiasmo a nossa doação. Digo para vocês: missão cumprida! Estou muito feliz! Obrigada a todos!
Momento em que eu anunciava a abertura do bazar e explicava a sua finalidade
As fotos mostram as fases de preparação do bazar e a sua abertura.
As meninas que anotavam os nomes dos visitantes e afixavam no painel.
Representantes das instituições beneficiadas presentes à abertura: Eridna e Filomeno (Mosteiro), Zenilda Benício (Casa do Ancião Feliz) e Carlos Alberto Oliveira (Albergue Sagrada Família.
Momento da entrega dos cheques às instituições 1) Irmã Aparecida Menezes recebe em nome do Mosteiro Nossa Senhora da Vitória; Carlos Alberto e Graça recebem em nome do Albergue Sagrada Família e dona Zenilda Benício recebe em nome da Casa de Lazer do Ancião Feliz
Cartinha enviada por minha neta Heloísa
Eu e dona Francisca Benício no dia da entrega do cheque, por coincidência data de seu aniversário
Conteineres onde guardo meus enfeites de casa
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