terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Fotos da exibição da Lapinha Santa Clara em minha casa


Aprecio muito as tradições, os costumes, o regionalismo e é por isso que costumo convidar os participantes da Lapinha Santa Clara para apresentarem os seus cânticos, alegorias, enfim o que tem para mostrar uma lapinha. E no caso, a Lapinha Santa Clara que completou em 25 de dezembro passado, 100 anos de fundação, tendo como dirigentes, a Mestra Vanda e o Mestre Damião Felipe. Escolhi, portanto, amigos da minha Coluna, no primeiro dia do ano, fotos que poderão servir para estudantes, professores, pessoas ligadas com a cultura e também como forma de resgatar os valores de nossa região.










domingo, 23 de dezembro de 2012

Bola de natal, coroa imperial, diadema real, todos esses nomes para uma só flor



A natureza é magnífica, um presente maravilhoso que Deus criou para nós. A beleza das flores me encanta e me contagia de alegria. Em meu quintal tenho um pequeno jarro com batatas da lindíssima planta Scadoxus multiflores, popularmente conhecida como bola de natal, coroa da imperatriz e vários outros nomes. Cada batata produz uma única flor no ano e ela permanece bonita de uma a duas semanas, depois vai fenecendo aos poucos. O tom coral dá lugar a um tom vinho e o viço desaparece, os pendões caem todos ficando somente a haste. Possuo esta planta há vários anos e cada ano ela me surpreende com mais flores. No primeiro ano que surgiram as flores, abriram três. No ano seguinte aumentou para cinco e este ano 10. A história dessa planta é muito interessante. Durante quase o ano todo só aparecem as folhas. As folhas são sustentadas por hastes grossas que chegam a medir de trinta a quarenta centímetros. Quando chega o mês de setembro as folhas começam a amarelar e apodrecem. O que resta da planta, somente as batatas, a impressão que nos dá é que ela vai morrer. Passa o mês de outubro e nada de novidade, a planta está totalmente nua, somente as batatas expostas. No mês de novembro surge de dentro das batatas uma pequena folhagem na cor verde com tons de laranja. E no mês de dezembro o prenúncio de que a flor vai abrir, é como se ela estivesse anunciando a chegada do Deus-Menino, que é tempo de renovar, de mudar para melhor e receber o Deus-Menino com pureza no coração. E é nesse clima, embalado pela magia do Natal que a bola de natal dá os primeiros sinais de que logo, logo vai surgir esplêndida e majestosa a primeira flor aberta. É um processo curioso e genial, desabrocha de pouquinho. Bem cedo costumo aguar minhas plantas e vejo surgindo uns pequenos pendões, à tarde olho e os pendões já estão mais abertos, e no outro dia, a flor abre totalmente, não só uma flor, mas minúsculas e inúmeras florezinhas. A magia de Deus é espetacular, escolhe o mês do seu nascimento para que sintamos o quanto ele é importante. O quanto ele nos ama. O quanto ele nos quer ver felizes. Assim, apreciadores de minha coluna, admirem o que a Scadoxus multiflores é capaz de fazer, irradiando beleza. Um Feliz Natal, rico de sonhos realizados!

 Mensagens recebidas sobre a coluna anterior:
Quando eu vou para a casa dos meus avós ajudar minha avó a ornamentar a árvore de natal, colocar as pilhas nos papais noeis e preparar a lapinha, eu me sinto muiiiiiiiiiiiiiiiiito feliz em participar e ajudar a minha vovó.
Heloísa López Garcia Marques

Quando eu sei que faltam poucos dias para eu ir para a casa dos meus avós para ajudar vovó Neuma a enfeitar a casa para o Natal, fico muito ansiosa, e quando chega o dia eu fico muito feliz, pois quando tudo fica pronto gosto de saber que ajudei na decoração.
Isadora López Garcia Marques

domingo, 16 de dezembro de 2012

Meu acervo de Natal


Lanço mão nesta semana que está bem próxima do Natal os meus enfeites natalinos. O presépio que é o centro de toda manifestação do Natal, a preparação para a chegada do Menino-Jesus; a árvore enfeitada com bolas coloridas e o famoso velhinho de barbas brancas e roupa vermelha (pasmem leitores amigos quando criança acreditava realmente que ele trazia os nossos presentes). Sou possuidora de várias manias e uma delas é colecionar objetos, como: pequenos baús, bonecas japonesas, bonecas de resina e imagens de Nossa Senhora. A coleção de papai noel musicado começou quando recebi de lembrança do 1º aniversário do meu afilhado João Arthur em dezembro de 1998. Achei encantador, ao ligar a chave o papai noel andava e balançava um sinhinho com uma mão e com a outra segurava uma vela. Nas costas o famoso saco de presentes. Coloquei-o logo junto da árvore de natal. No ano seguinte comprei uns dois que tocavam instrumentos. E assim a cada ano adquiria um ou mais. Hoje possuo 39 e cada um apresenta uma coisa diferente. Desde pequenininhas acostumei minhas queridas netas, Heloísa e Isadora a me ajudarem a arrumar a casa para o Natal, se tornou para nós tradição. E quando se aproxima o mês de dezembro, então, elas ficam inquietas e ansiosas e perguntam: “Vovó já está perto de você arrumar a casa para o Natal? Quando é o dia que a gente precisa vir para ajudar a montar o presépio e colocar as pilhas nos papais noeis? Quando informo o dia a gritaria é grande, pois já sabem que o dia será de muito divertimento e novidades. Vejamos o que tenho para apresentá-los e o meu desejo é que apreciem a matéria e se divirtam com a enxurrada de velhinhos traquinas. Quem quiser ver os videos dos meus Papais Noeis acesse os links abaixo:



Meu primeiro Papai Noel




  
 


domingo, 9 de dezembro de 2012

Os ourives e as ourivesarias de Juazeiro que já existiram e as que ainda existem


Caros leitores, no início da semana formalizo mentalmente o assunto que irei abordar, depois passo pelo crivo de Daniel Walker (meu esposo) que faz suas considerações. Falei que escreveria sobre os ourives e ourivesarias de Juazeiro, pois queria guardar a imagem fotográfica de oficinas e profissionais que atuam ainda no ramo de ouro. Pois bem, entrevistei e fotografei alguns ourives, oficinas, utensílios, móveis etc. Inicio a digitação. Pesquiso sobre o assunto para enriquecer mais a minha Coluna, eis que vejo que esse assunto já foi focalizado por nosso amigo Renato Casimiro em sua Coluna do dia 13 de outubro de 2011, cujo tema As Ourivesarias, encontro também Padre Cícero e a Ourivesaria, texto de José Marques da Silva (meu sogro). E agora? O que fazer? Daniel fala que já está bem comentado. Mas, e as pessoas com quem conversei, que fotografei e lhes falei que sairia no Portal de Juazeiro online, minha responsabilidade perante estes senhores. Resolvi, então, apesar desse assunto já está bem debatido, escrever. Na década de 50 e 60 o ponto forte em ramo de negócios de nossa cidade eram as ourivesarias. O pontapé inicial se deu por intermédio do Padre Cícero que estimulou os moradores da cidade a disponibilizar em sua residência uma pequena oficina para a fabricação de joias, informações obtidas de pessoas mais velhas que viveram próxima do Padre Cícero. Sabe-se que as ourivesarias já viveram tempos de apogeu em Juazeiro, com centenas de fábricas de médio e grande porte, empregando uma vasta rede de trabalhadores e artesãos. No quarteirão da Rua São Pedro, entre Conceição e Santa Luzia só se viam, joalharias e ourivesarias. Joalheria Diamante nº 602; Ourivesaria Santa Luzia nº 513; Ourivesaria São Luiz nº 501;  Ourivesaria Padre Cícero nº 460; Joalharia Paraibana nº 415; Ourivesaria São Pedro nº 488 etc. Era realmente uma fartura de lojas especializadas em joias. Mas, quem destronou o comércio de joias em Juazeiro, segundo o comerciante Geraldo Farias, proprietário da mais antiga joalharia, Joalharia São Geraldo, localizada na Rua São Pedro  foi a invasão de fábrica de folheados.  A primeira a se instalar em nossa cidade, foi a fábrica dos irmãos Neri (Severino, Antônio e José) a Cimel – Comércio e Indústria Metalúrgica Ltda., localizada na Rua São Paulo, 1900, no bairro Santa Tereza, conforme consta no livro Milagres e previsões do Padre Cícero, de autoria de José Marques da Silva. Outros comerciantes do setor atribuem à redução assustadora nesse ramo de negócios aos produtos importadas e à invasão de produtos de baixa qualidade. Hoje, o mercado de joias de fabricação artesanal resiste a duras penas, devido ao investimento de pessoas do ramo que adquiriram máquinas para a fabricação em larga escala, podem ser fabricadas num só dia 5.000 peças, ao passo que o ourives tradicional fabrica no dia uma ou duas peças. É impossível concorrer satisfatoriamente com essas fábricas, eles mesmo reconhecem. Entretanto, seu Antônio Gomes, proprietário da Ourivesaria Padre Cícero, localizada na Rua Edésio de Oliveira, 84, diz que não falta trabalho para ele e os seus operários. Pessoas que querem uma peça diferente, exclusiva, levam o desenho, ou escolhem de revista, e ele fabrica. Seu Antônio trabalha no ramo há mais de 40 anos e teve como primeiro patrão Sutério Inácio da Costa, com quem aprendeu a arte de ourives. Trabalha em sua oficina seu João Temóteo Pereira, em consertos e limpeza de joias. No ramo de oficina de joias trabalha desde 1975. Disse que gosta muito do que faz. Outra oficina da qual obtive informações pertence ao Sr. Antônio Gomes, que está no ramo de ourives desde 1957, e começou como aprendiz de polidor. Trabalhou em muitas ourivesarias, mas a que passou mais tempo foi na Ourivesaria Santo Agostinho, de propriedade de Antônio Agostinho de Lemos, localizada na São Pedro, 684. Passou depois a trabalhar por conta própria e hoje é dono do seu próprio negócio, a Ourivesaria Santo Antônio, na Rua São Cândido, 30. Seu Antônio é muito contente com o que faz. Sente-se orgulhoso e gratificado quando vê sair de suas mãos um anel, uma aliança, um cordão. Capricha no seu trabalho, não lhe permite imperfeição. Considera-se um dos ourives mais antigos, juntamente com José Rufino.
José Rufino começou no ramo de ourivesaria na oficina de Zé Bezerra Sobrinho, mais conhecido como Zé de Bezerrinha. Depois prosperou e montou sua própria oficina com o nome de Santa Rosa, a qual se localiza na Rua São Pedro, 170, estando no ramo há mais de 50 anos.
Um fato interessante, que seu Antônio Gomes contou: “Acabou o ouro que tinha para fabricar as peças, saí da oficina em direção à Capela do Socorro para pedir ajuda a meu Padim e depois me dirigi à Matriz de Nossa Senhora das Dores, com a mesma intenção, pois estava bastante desanimado. Voltando para o trabalho, encontro com Zacarias da Silva, que já mexia no ramo de joias, hoje proprietário da Criativa Joias, e ele me pergunta se tinha interesse em fabricar peças em prata. Respondi imediatamente um sim. Logo, ele trouxe o que precisava para tocar o negócio para frente. Assim nunca mais faltou trabalho para mim, graças a Deus”. Ele mencionou ourivesarias famosas que já existiram, Ourivesaria Dois Irmãos, de Ivo e Oswaldo Pita; Ourivesaria Padre Cícero, de João Menezes Filho; Ourivesaria Alves, de José Alves de Souza; Ourivesaria Dom Bosco, de Alfeu Guimarães; Ourivesaria São Luiz, de Luiz Gonçalves Pereira e Ourivesaria Santa Luzia, de José Pereira Neto. Falei para seu Antônio que meu pai, Luiz Pereira e Silva, (Lulu) no final dos anos 50 possuiu uma ourivesaria, na Rua Santa Luzia com Padre Cícero. Ele mencionou que foi operário do meu pai, nos dois locais, na oficina da Rua Santa Luzia e da Rua Alencar Peixoto. Disse que papai era muito humano e lembrou da comemoração do Natal em nossa residência, que papai ofereceu para todos os operários. Lembra que todos se sentiram a vontade e que elogiaram a maneira delicada e fraterna dos meus pais. O paradoxo que vemos hoje, a proliferação de tantas lojas de calçados, de confecções, de presentes tão luxuosas que embelezam nossa cidade levando-a a ter aspecto de capital e o ramo que a impulsionou a crescer, que já viveu momentos áureos, não tem o aparato e a sofisticação dos outros setores. Por que será?


Antônio Gomes. João Temóteo e José Rufino



Equipamentos de ourivesaria



MENSAGEM RECEBIDA SOBRE A COLUNA ANTERIOR
Confesso-lhe, Neuma, que a leitura do seu texto mexeu comigo. É que também tenho uma paixão: adoro pássaros, especialmente o curió, cuja etimologia esclarece que seu significado é "amigo do homem". As aves, como o cão e o gato, nos escravizam. Às vezes, renuncio a uma viagem de recreio por causa deles, quando não encontro que os trate com o mesmo carinho. Há um ano, desfiz-me do meu plantel de curiós, em virtude de uma mudança de residência. Foi um suplício para mim. Minha mulher negou-me piedade: "Não os levará; não há espaço para eles". Fiquei desolado.
 Durou pouco a forçada separação deles. Hoje, já recompus me plantel com menos aves, mesmo sem a inteira aprovação da dona da casa, minha mulher, que é um pouco indiferente à suavidade do canto do curió, achando-o perturbador algumas vezes.
 Seus animais de estimação morreram, contudo resiste no seu íntimo a afeição por bichos. Logo você estará novamente mimando-os e, em contrapartida, recebendo deles retribuição.
 Meus aplausos pelo belo texto.
Eduardo Matos, Fortaleza

domingo, 2 de dezembro de 2012

Meus bichinhos de estimação que já se foram


Em setembro de 1992 fui junto com Maria Duarte (Maria que morava com meus sogros) buscar na casa de seu Ézio e dona Vilani, moradores da Rua São José, bem próximo do Colégio Salesiano, um gatinho todo branquinho. Quando surgiu a vontade de ficar com ele? Participávamos (Daniel e eu) na casa desse casal de uma reunião do ECC, quando vejo um monte de gatinhos recém-nascidos, achei-os lindos, principalmente um todo branquinho, demonstrei interesse em adotá-lo, mas dona Vilani disse: “Estão muito novinhos, daqui a um mês você pode vir pegá-lo”. E assim o fiz. Quando o peguei, ele abriu os olhinhos, a coisa mais linda e bocejou. Que alegria, fiquei fascinada, foi amor à primeira vista. No caminho fui dizendo para Maria que o nome dele seria Milk por ser muito branquinho, da cor de leite. Ao chegar em casa coloquei-o no chão e fui preparar uma caixinha para acomodá-lo, entretanto ele zangou-se e começou a miar. Coloquei leite morninho e nada, não quis nem saber. E o miado continuou, Daniel chegou do passeio que sempre fazia aos sábados na companhia do saudoso amigo Mons. Murilo. Daniel inclinou-se até ao chão e lhe acariciou, ele ficou bem quietinho e parou de miar, o que ele queria mesmo era colo, estava sentindo a falta da mãe. Os miados continuaram por uns dois dias, depois ele foi se acostumando, colocava perto dele um cordão e ele tentava segurar, era uma graça. À medida que o tempo passava, o blanquinho, como gostava de chamá-lo ficava cada dia mais sabido. Ficava escondido debaixo das camas, se deixasse o armário aberto era certeza se meter por lá. Corria pelo quintal, pelo jardim, subia nas árvores, como me divertia muito com suas traquinagens. Michel, meu filho, muito matreiro, achou pouco a minha preocupação com o sapeca felino e trouxe uma cadelinha muito lindinha de apenas vinte e cinco dias, dizendo que deixasse ela dormir apenas nessa noite em minha casa. Kátia e Jairo, quase nossos vizinhos nessa época, sua cadelinha tinha parido três cachorrinhos; um o professor Edilson adotou-o e ficaram dois, um dos quais era a cachorrinha que Michel trouxe. Questionei imediatamente, não quis de forma alguma aceitá-la, mas ele insistiu tanto que cedi, foi aí a minha ruína. Em primeiro lugar Milk não gostou da ideia, ficou emburrado, só aparecia  para comer. No dia seguinte me preparei para devolvê-la, porém a cadelinha ficava cheirando meus pés, para onde eu ia ela me acompanhava, travessa, já sabia como me conquistar. Mesmo assim a disposição de entregá-la era certa. Michel chegou, e fui logo dizendo que já estava na hora de levá-la para seu dono, ele olhou para mim e disse: “Mãinha a senhora não gostou dela, ela é tão carente e fará companhia para Milk”. Respondi que não, ele não tinha acatado a ideia de ser passado para trás. Daniel olhou para a bichinha e disse: “Neuma, você não gostou dela? Eu vi você colocando-a no braço, isso é sinal de que ela lhe cativou! E soltou uma gostosa gargalhada, fazendo charminho para que a aceitasse. Fiquei num beco sem saída, dois contra um, Michel e Daniel, e para completar o olhar pidão da cadelinha que já balançava o rabinho toda contente para mim. Entreguei os pontos e resolvi adotá-la, Kátia e Jairo tinham colocado o nome de Brahma, diziam eles que quando ela começou a andar era como uma bebinha, tentava se segurar e pendia para um lado, quando se levantava pendia para o outro lado, então aceitamos o nome. Milk muito arredio não se aproximava dela, ficou todo ciumento e quando me via com ela, miava e se esfregava em minhas pernas. Após uns dois ou três dias a amizade entre eles começou, brincavam o dia todo. Ela pulava em cima dele, mordia e ele não revidava, era muito divertido vê-los brincando. Aconteceram dois episódios que nos emocionaram muito e que demonstrou o grande amor que Brahma tinha por mim. No dia do falecimento de mamãe, quando recebi a notícia fiquei inconsolável, chorando muito e ela ficou o tempo todo ao meu lado, e não deixava ninguém aproximar-se de mim, quando os amigos me abraçavam ela latia desesperada, só ela podia me consolar, querendo ficar no meu colo e o tempo todo a me lamber. O outro fato, sempre no sábado à tarde ficava sozinha em casa. Daniel ia para a casa de padre Murilo, Michel ia ensaiar com a banda e Daniel Junior saía, e aconteceu que fui retirar da estante uma caixa e quando puxo cai uma pedra redonda de mármore da mesinha do telefone, só em pensar ainda sinto a dor, grito e não consigo puxar o pé, ficou preso e a dor lancilante me fez gritar muito forte, a danadinha procura socorro e começa a latir, não aparece ninguém, ela corre até o jardim e volta para perto de mim. Consigo me levantar e me dirijo à geladeira para pegar gelo e colocar no dedo, sento, ponho o gelo e gemo de dor, o dedo ficou logo roxo. Ela percebe minha aflição e corre novamente para o jardim, e late, mas nada. Vem para perto de mim e quando Daniel chega, ela se anima, querendo dizer chegou o salvador, balança o rabinho e se acomoda. Tive que ir para o hospital e engessei o pé, quando cheguei ficou cheirando o gesso para me agradar. Quando adoeceu levei para sua veterinária dra. Wilna, ela fez exame de sangue e constatou que Brahma estava com diabetes, que tristeza. Perdeu peso, tomava o medicamento, mas com tempo foi definhando, definhando até que chegou o dia de levá-la para a clínica para que ela não voltasse mais. Fiquei arrasada, chorei por uns quinze dias, sentindo a falta da minha cachorrinha, tão mimada, ela dormia no nosso quarto numa rede-berço, toda enroladinha por causa do ar condicionado. Senti também sua falta no portão, quando ela escutava o barulho do carro vinha nos esperar. E do ciúme que sentiu de minha primeira neta, Heloísa, ficava toda cismada e latindo. E dos passeios de carro, gostava de ficar no meu colo com a cara na janela que as orelhinhas balançavam. E dos passeios pela rua pela manhã, quando chegava perto da gaveta que estava sua coleira já entendia e corria para o jardim e ficava me esperando. O deus nos acuda era no dia do banho, tinha que pegar o sabonete, a toalha, a escova, colocar a água na pia, sem que ela percebesse, pois se sentisse que era para banhá-la se escondia debaixo das camas e não queria sair de forma alguma. Dez anos gozamos da companhia sincera e amiga desse animal que sabe conquistar o seu dono. Milk continuou conosco por mais quatro anos, porém ele sentiu muito a falta de Brahma, ficava procurando nos quartos, na sala que ela gostava de ficar deitada, cheirando os locais que ela costumava ficar. Depois, foi se acostumando e viveu conformado por mais de três anos. A idade foi avançando e o apetite foi diminuindo, perdeu peso, passava a maior parte do tempo dormindo. Não brincava mais, não se animava como antigamente. Fizemos uma viagem e quando voltamos ele nem se levantou do lugar em que estava, estranhei e falei para Daniel: “Bem, Milk nem veio cheirar minhas pernas e nem sequer miou, acho que ele está doente!”. Realmente, no outro dia chamei o veterinário, ele veio até aqui em nossa casa, dr. Wendy Gonçalves, durante uma semana aplicou injeções, mudou a alimentação e nada dele responder ao tratamento, nem abria mais os olhos. Fiquei logo triste, dizendo para mim mesma, mais um amiguinho que vou perder. Combinei com Daniel, saí de casa e ele ligou para a clínica veterinária e o meu blanquinho saiu também da minha vida, deixando muitas lembranças e saudades. Lembranças que alimentei com fotografias e revivo tudo novamente quando a saudade aperta. Hoje, não quero mais nenhum animal, poupo-me de grandes tristezas e quero também curtir minhas viagens sem nenhuma preocupação.