sábado, 20 de outubro de 2012

O Normal Pedagógico e os seus últimos dias em Juazeiro


Tomei conhecimento que o Curso Normal da Escola Moreira de Souza está em vias de extinção, estando hoje com poucos alunos. Meu esposo, Daniel Walker, que estudou e foi depois professor da Escola Normal, me disse que na década de 70 a escola vivia o seu apogeu, com oito salas de aula só no primeiro ano, formando anualmente dezenas de normalistas, diferente da primeira turma (1937) que só tinha cinco diplomandas, cujos nomes são: Heloísa Coelho Alencar, Maria Martins Camelo, Maria Moreira, Maria Ceci Borges e Dacilde Sobreira Cruz.
Que lástima! Um colégio de renome, que é sucessor da primeira Escola Normal Rural do Brasil, inaugurada no dia 13 de junho de 1934, um mês antes do falecimento do Padre Cícero que foi um dos seus fundadores. Em 2014 completaria 80 anos de fundação. Quantas gerações foram diplomadas por essa escola. Quantas alunas fizeram o Normal e exerceram o magistério com tanto amor. Quantos segredos, sonhos, aflições, confidências aconteceram nos bancos escolares. Muitas alunas se tornaram professoras desse conceituado estabelecimento de ensino e algumas até chegaram a assumir o cargo de diretor, como é  caso de dona Valba Gondim de Sousa, que semana passada comemorou seus 80 anos de idade. Dona Amália foi a diretora que passou mais tempo na direção da Escola Normal Rural e dona Valba foi a que passou mais tempo na direção do Moreira de Sousa. Em sua gestão, dona Valba trouxe de volta a farda antiga da Escola Normal, a qual marcou época: saia de cor vinho, gravata da mesma cor e blusa branca. Havia também uma farda especial para o período do Estágio, coisa muito chique! O Ensino Normal é uma necessidade, pois não existe ninguém melhor do que a normalista para lidar com crianças em fase escolar. O conteúdo da grade curricular das normalistas é muito rico em Sociologia, Psicologia, Filosofia, Ciências, Português, Matemática, Educação Artística e Didática, afora o Estágio. Estas disciplinas as instruem para saber lidar e compreender o pequeno ser que irá passar por suas mãos. O professor primário como era chamado antigamente precisava atender a todos os requisitos como Estágio de observação (assistir aulas em outras escolas); Estágio supervisionado, dar aulas durante uma semana e finalmente o estágio supervisionado de um mês, no qual a professoranda era a regente da classe. O professor titular deixava à sala e ela assumia a sala de aula. A professoranda, portanto assume o seu verdadeiro papel, que é o de mestra. A sua capacidade de doação é nesse momento testada. Necessário se faz a presença da professora-orientadora, aquela que acompanhou e orientou todos os passos para o melhor desempenho do estágio. Lembro-me que a professora Nilmar Belarmino assumiu esse cargo na Escola Normal durante um bom período. Foi uma excelente orientadora. Exigente, cobrava de suas alunas o melhor, não aceitava deslizes, indisciplinas ou faltas. Cobrava com muito rigor o relatório do estágio. Fazia questão de visitar suas alunas todos os dias em suas salas de aula. Quando a aluna está estagiando expõe todo o material que desenvolveu e preparou durante dois semestres, o material didático como é chamado. Consta de cartazes, jogos, chamada, diário, fichas, planos de aula. Um ano intenso de atividades, muitas responsabilidades, mas o importante de tudo isso é a conclusão do curso. O recebimento do diploma para exercer a profissão. Uma profissão que talvez não seja tão aplaudida, tão reconhecida, porém o que não se pode negar é que todas as outras profissões dependem do professor primário. Aquele que colocou os pontinhos formando uma letra para que a criancinha unisse; cobrisse as letras; ensinasse o alfabeto; os numerais; a juntar as palavras e iniciar a leitura. Sei que para o professor do pré e dos primeiros anos conquistar a afeição e apego das crianças que estão iniciando sua vida escolar é uma tarefa não muito fácil. As crianças são tiradas do seio materno, de sua rotina do lar e precisam ser bem acolhidas para que não cheguem a conduzir traumas para o resto da vida. Por isso é necessário que o professor primário se identifique com as disciplinas que irão nortear todo o desempenho do seu trabalho. E assim, cada dia mais o mundo moderno incorre em erros, não deixando fincar marcas de afinidades, de disponibilidade. O que vigora nos nossos dias é a rapidez dos acontecimentos e as mudanças radicais no sistema de ensino, prejudicando de certa forma o alunato infantil.  A figura do professor primário não pode ser negligenciada; mesmo na era da informática a confiança do aluno no professor precisa continuar. Pois, só assim teremos uma juventude solidária, enraizada nos conhecimentos que adquiriu e aprendeu nos seus primeiros anos de escola. Este é o meu protesto diante do que está determinado, o fim iminente do Curso Pedagógico do Centro Educacional Professor Moreira de Sousa, escola essa que já foi motivo de muito orgulho para nossa cidade. Não sei exatamente porque o curso está se extinguindo, então seria bom que o Crede desse uma explicação oficial ao público explicando as verdadeiras causas. 

Dona Amália, dona Valba e Nilmar







domingo, 7 de outubro de 2012

Descobrindo os mofados do meu baú – III





No dia de hoje, 07 de outubro está acontecendo a votação para prefeitos e vereadores em todo país. No meu tempo de criança lembro que os candidatos tinham os seus seguidores, mas a praxe em votar era por simpatia, era a amizade que existia, o conhecimento. Naquela época seu Zé Geraldo e Dr. Feitosa, eram os mais fortes candidatos. Quem aderia a Dr. Feitosa recebia o nome de carrapato e quem acompanhava seu Zé Geraldo, era tratado com o nome de gogó. Não se pagava o voto. Atualmente os candidatos têm que gastar fortunas para se elegerem. Tenho saudade do meu tempo! Como tenho! Da fidelidade, da palavra dada, aí não tinha quem tomasse. Pela saudade causada, aproveito leitores, para apresentar-lhes mais uma série de mofados do meu baú. Coisas que no seu devido tempo tiveram muita importância e outras que ainda conservam a sua importância como é caso da colcha de cetim em metalassê, que vez por outra a coloco em minha cama e como a embeleza. Essa colcha foi comprada na Malharia Vênus de propriedade de Francisquinha Almeida, localizada no Edifício M. Oliveira, térreo, do lado da Rua Santa Luzia. Essa colcha fui presenteada por minha mãe quando estava preparando o meu enxoval para casar. O lencinho é uma verdadeira relíquia (acredito que não exista mais), pois é feito em organdi bordado com labirinto e com o meu nome bordado. Esse presente recebi da mãe de dona Francisquinha Leandro, dona Videlina (nós costumávamos chamá-la de madrinha Videlina), ela morava na Rua Santa Rosa e sempre a visitava quando criança. Bolsinha em plástico duro para por moedas. Peça rara nesse estilo, mamãe a trouxe quando viajava a Manaus para comprar toalhas plásticas com bordados, imitando renascença, richelieux; cachos de uvas em plástico; relógios de pulsos na marca Orient; pratos decorados; truces (bolsas para festas), exponho duas que ainda guarda com muito carinho. Na verdade era um grande sortimento de mercadorias, naquela época não se encontrava por aqui. Mamãe foi pioneira na venda desses artigos, seu espírito aventureiro e destemido a levou algumas vezes para Manaus, no tempo de grandes fiscalizações. Mas ela desbravava naqueles aviões pequenos e chegava. Os clientes aguardavam sua chegada ansiosos para apreciar e comprar novidades. A maleta 007 como era chamada, objeto que Daniel usava todos os dias quando se dirigia para a Agência da Credimus, quando a gerenciou. Bolsinha vermelha, ou melhor um porta batom, brinde que a Credimus distribuía com as funcionárias e com os familiares dos funcionários. Broches com flores de vários tipos presentes que recebi da pessoa mais expressiva na confecção de flores em tecidos, dona Cilinha Almeida, devido a nossa amizade de muitos anos, ela gostava de me presentear com os lindos adornos que ela criava. Porta-retrato que foi muito usado tempos atrás e que hoje já não é comercializado devido os incontáveis modelos que surgiram no mercado e o que possuo já não faz parte do que é moderno, é considerado ultraprassado. A Singer campeã em vendas de máquinas de costuras em nossa região e tendo como revendedora a Lojas Credilar, de propriedade de Valdo Figueiredo brindavam os seus clientes com o Curso de corte e costura de moldes, fui aluna desse curso. E para enriquecer a minha Coluna trago para os meus caros leitores uma amostra de notas e moedas do dinheiro já usado, que passaram por nossas mãos e que os jovens não tiveram a chance de conhecê-los. Esta mostra fez parte do acervo do senhor Franciel, que já foi focalizado no Portal de Juazeiro na Seção História dos Apelidos, que presenteou Daniel. 









domingo, 30 de setembro de 2012

Delícias de minha culinária


Espero que agrade aos meus leitores o tema escolhido para esta semana: meus dotes culinários. Sou uma pessoa que não tenho muita afinidade com a cozinha, são pouquíssimos dotes, entretanto preparo alguns quitutes que agradam muito às pessoas que os recebem. O costume que tenho é o de presentear meus amigos com coisas feitas por mim. Acredito que é mais valorizado e apreciado, porque tem o carinho pelo meio. Coloco então, à disposição de vocês leitores que apreciam esta Coluna, a receita do bolo fofo, apelidei-o de Bolo Gostoso. Esse bolo fez parte de minha infância, porque mamãe o comprava sempre, não completo, apenas algumas fatias no Café Expresso de seu Francisquinho Monteiro, localizado na Rua Santa Luzia, onde hoje funciona a agência do Bradesco. Padre Francisco (Salesiano) por ser compadre dos meus pais, padrinho do meu irmão, Aldo, sempre os visitava e quando chegava, mamãe se apressava em lhe oferecer um lanche, como não tinha bolo frequentemente lá em casa, o jeito era mandar comprar, e haja menino a ir apressado satisfazer o pedido de mamãe. E a receita é esta, sinto ainda o cheirinho apetitoso do bolo quando chegava.

                  3 copos (americano ou de geleia) de farinha de trigo com fermento
                  2  ½ copos de açúcar
                  1 copo de leite
                  4 colheres (sopa) de manteiga
                  4 ovos
         
                  Bate o açúcar com a manteiga até ficar do jeito de creme; coloca uma gema de cada vez e bate até colocar todas. Vai colocando a farinha de trigo aos poucos, alternando com o leite e por último põe as claras batidas em neve. Polvilha a forma  com manteiga e farinha de trigo e coloca a massa já batida. Tempo de duração para assar o bolo, de 40 a 45 minutos ou de acordo com a temperatura do forno do seu fogão. Uma dica importante, o segredo do bolo está na maneira de bater, tem que seguir numa mesma direção, ou melhor siga a direção do relógio. Após retirar do forno deixa esfriar. Retira da forma, coloca na boleira, põe por cima creme de goiaba e queijo ralado. Ah! Fica muito saboroso.

                Pavê de biscoito maizena
              
               1 caixa ou lata de leite moça
               Mesma quantidade de leite
               1 caixa de creme de leite
               Biscoito de maizena
               2 ovos

               Colocam-se no liquidificador  duas gemas, o leite moça e o leite de gado, bate bem. Põe no fogo e fica mexendo até ficar na consistência de mingau. Esfria um pouco e coloca no pyrex; em seguida vai colocando os biscoitos, antes molha no leite, três de cada vez; põe o creme por cima, mais biscoitos e por último as claras batidas em neve, 5 colheres (sopa) de açúcar e o creme de leite, mexe um pouco para unificar.
Dica: Para que o creme de leite endureça, coloque no congelador por umas duas horas. A receita deste pavê foi minha prima/irmã, Marleide que me ensinou, ou melhor, fez em minha casa e eu aprendi.

                Torta de maçã ou abacaxi

                1 caixa ou lata de leite moça
                Mesma quantidade de leite
                1 colher (sopa) de manteiga
                1 colher (sopa) de maizena
                2 ou 3 maçãs ou um abacaxi
                Ameixa sem caroço
                Limão (caso use a maçã) espreme o limão por cima dos pedaços de maçã.
                No caso do abacaxi corta em pedacinhos.
                3 ovos.

                 No liquidificador põe as gemas, o leite moça, o leite e a maizena, bate bem. Leva ao fogo brando e fica mexendo até soltar da panela. Deixa esfriar. Coloca num pyrex uma parte do creme, põe por cima os pedaços de maçã ou abacaxi, cobre todo o creme. Em seguida coloca novamente o creme, os pedaços da fruta. As ameixas liquidificadas com um pouco de água, coloca por cima e a última camada é das claras batidas em neve com açúcar e o creme de leite endurecido, mexe um pouco. Leva ao refrigerador. É um bom lanche e agrada muito o aniversariante quando o presenteio. Esta torta era obra de Dejesus Batista, aprendi quando fiz o curso de arte culinária com ela, em sua casa.
                 Um fato interessante que aconteceu com a tia de Daniel, tia Lourdes, o seu aniversário acontece no mês de janeiro. Preparei o bolo, coloquei na caixa, enfeitei com fitas e fui até sua casa com o presente. Queria lhe fazer uma surpresa. Mas, a surpresa veio da parte dela, não sabia que tinha viajado para Guarapari, foi visitar seus filhos que residem lá. Apertei na cigarra e tia Ló (sua irmã) abriu a porta. Perguntei por tia Lourdes e ela começou a rir e respondeu: “Você não soube que ela viajou para Guarapari?”. Soltei uma risada bem gostosa e disse: “Não vou levar o presente de volta, vocês podem saborear o que trouxe e façam inveja a tia Lourdes, ligaram logo depois para ela e fizeram inveja dizendo que estavam comendo o bolo que era o presente do seu aniversário. Então, quem deseja presentear com estas delícias, é bom se certificar primeiro se a pessoa que vai receber o presente não viajou, para não passar por este mico.
         
Comentários sobre a coluna anterior:
Francisco Carlos Pontes, Parnaíba, PI: “O Colégio Salesiano exerce sobre cada um de nós, ex-alunos um orgulho muito peculiar. Não se trata de sobrepujar nenhuma instituição ou coisa que o pareça, mas ter estudado no Salesiano São João Bosco em Juazeiro tem um sabor especial. De fato o Salesiano desfilava com muita pompa... Parabéns Neuma pelos lindos registros de uma história real. Muito bom...!
  
Raimundo Nonato Alencar Dantas, Fortaleza, CE: “Minhas homenagens à Profª. Tereza Neuma. Sugeriu rabiscar um fato, curioso? Inédito? Aborda o Ginásio Salesiano nas ruas do Juazeiro”.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Imagens fotográficas dos desfiles de 7 de Setembro do Colégio Salesiano nos tempos áureos



Assistindo pela TV o desfile de 7 de Setembro deste ano, surgiram imediatamente as lembranças dos desfiles do Colégio Salesiano de antigamente. Geralmente era o último a desfilar e mesmo com a hora já bastante adiantada, sol escaldante do meio-dia, a multidão aguardava ansiosa a sua chegada, esperando para ver o que ele trazia como novidade. E como tinha coisa bonita para mostrar! E o idealizador e colaborador na preparação dos carros alegóricos, contando a nossa história e a história do Brasil, era nada mais, nada menos do que o professor Luiz Magalhães que dedicou toda sua existência a esse tão amado colégio. Ele se realizava com essa missão, por isso primava na ornamentação dos carros alegóricos e na indumentária dos participantes que levavam a coisa a sério, como se fossem atores participando de um filme. Quem não fizesse direito nos ensaios levava bronca. A preparação começava muito cedo, com ensaios intensos no mês de agosto e começo de setembro, e no horário das aulas. No dia do desfile ele ficava feliz porque a consagração era certa. A multidão aplaudia com bastante entusiasmo. O desfile do Salesiano de antigamente tinha bandeiras, cavalos, carros (jeeps, caminhões e até trator, oferecidos gentilmente pelos pais dos alunos) e roupas vistosas para representar personagens da história. A farda de gala quando o colégio era somente masculino era idêntica à das Forças Armadas, mais parecida com a da Aeronáutica por causa da cor azul. Lembro que tinha um quepe muito bonito e uma túnica com botões dourados e um torçal também dourado, coisa realmente chique. Os rapazes marchavam imponentes, orgulhosos, até chegando a despertar olhares apaixonados das adolescentes da época. A banda, também muito organizada e cadenciada, era um espetáculo à parte. Esplêndida! Mas esta parte, a do desfile propriamente dito, era mais tarefa do Padre Mário Balbi. Professor Luiz cuidava da parte artística. Depois foi incorporada uma participação dos ex-alunos salesianos, formando um bloco especial sempre muito concorrido. Felizmente o professor Luiz teve o cuidado de registrar através de fotografias momentos históricos dos desfiles de antigamente, algumas das quais, referentes aos desfiles de 1955 - 1965 - 1967 - 1976 - 1998 – 1999, mostro a seguir para deleite dos meus leitores e ex-alunos salesianos. As fotos nos foram doadas por suas sobrinhas Nalizany e Wilany, primas de meu esposo.











domingo, 9 de setembro de 2012

Os cem anos de Dona Toinha Grangeiro

09.09.2012



Completar cem anos é uma dádiva maravilhosa de Deus, Nosso Pai. Dizemos sempre quando uma pessoa chega aos oitenta que ela é uma privilegiada, que tem vivido tanto tempo para alegria e conforto dos seus familiares. E para quem chega aos cem, o que podemos dizer? Que é uma pessoa felizarda, abençoada, protegida, e tem mais, o prazer pela vida a tem acompanhado, claro que Deus é o seu maior parceiro. Tive a felicidade de conhecer dona Toinha na casa de meu irmão, Aldo, que é casado com sua filha, Gilvânia. Logo que o filho deles nasceu,  costumávamos passar em sua casa para visitar meu sobrinho bebê, Pedro. Gostava de colocá-lo nos braços, de embalá-lo, porque esse gostinho de amor, do prazer de pegar em um nenê já ia muito longe, meus filhos já estavam na adolescência. E foi numa desses visitas que conheci dona Toinha. Amei a criatura, foi uma empatia instantânea. Conversamos, rimos, nos abraçamos e assim surgiu nossa amizade. Quando faleceu seu filho, Getúlio, cadê a coragem para visitá-la, me senti impotente para lhe prestar a minha solidariedade. Na missa de sétimo dia consegui a coragem necessária e a abracei comovida. Entretanto, o que vi diante de mim foi uma fortaleza. A fé inabalável em Deus não a deixou fraquejar mesmo com a perda de mais um filho e do amado esposo. Uma vez ou outra passava em sua casa para vê-la e também para constatar como estava reagindo. Novo choque, a perda do seu filho, Gil, seu filho caçula. O filho que lhe fazia companhia, junto com a Irmã Grangeiro. O mundo girou para ela dessa vez, ficou bastante abalada. Familiares, amigos e padres a visitavam para lhe confortar. A dor imensa, o choro queria consumi-la. A fé lhe revigora e toca a frente o barco. Novamente, receio visitá-la, o que dizer? Como confortá-la? Quais palavras devo usar? Descubro uma maneira bem sutil para disfarçar o meu constrangimento, levo de presente para ela, um ursinho de pelúcia na cor azul, em posição de joelhos dobrados, mãos postas e que recita o Pai Nosso. Com um pequeno pacote em embalagem de presente, vou a sua casa. Chego até ela e lhe dou um forte abraço, as lágrimas deslizam dos seus olhos, imediatamente coloco em suas mãos o pacote. Ela o abre,  ri e indaga surpresa: “Agora virei criança?” Respondo, “não dona Toinha, ele vai rezar com a senhora, é só apertar na barriga que ele reza”. E coloquei para que ela ouvisse. Notei que tinha gostado, e deu um pequeno sorriso. Algum tempo depois, fui visitá-la e que surpresa maravilhosa,   a encontrei trabalhando com fuxico. A tristeza aos poucos foi diminuindo e a disposição para ocupar o tempo chegou. Xales, almofadas, colchas tudo para presentear os filhos, netos e amigas. Fez tanto fuxico que enjoou, mas não queria ficar ociosa, não podia de forma alguma parar. Começa, então, a trabalhar com passa fita em toalhas de banho, de rosto e de mão. As toalhinhas de mão ela confeccionou uma média de quarenta somente para presentear, segundo informações de Vânia, e eu fui contemplada com esse presente. Dona Toinha tem como rotina dar uma dorminhoca gostosa após o almoço e, quando acorda fica assistindo TV e executando seus trabalhos que a entretém demais e gozando da companhia do seu fiel gato, amigo de longas datas, José. Ele fica pertinho dos seus pés ou na sua almofada, e vez por outra dá uma espreguiçada e ronrona, como se dissesse “eu estou aqui do seu lado, não esqueça de mim”. Já cansada de tanto ver toalhas em sua frente, procura outro meio de desenvolver suas habilidades. Que novidade surgiu para sua fértil criatividade? Ornamentar a capelinha de Mãe Rainha Três Vezes Admirável feita de madeira, e pregou lantejoulas de várias cores. Ficaram lindas! E lá se vão mais presentes, ganhei novamente essa preciosidade, guardo com muito carinho. Passei então, em sua casa para agradecer o presente e vejo que suas mãozinhas habilidosas continuam em atividade. Nova criação, uma mandala enfeitada com sianinha, lantejoulas e pregado no centro o Divino Espírito Santo. Muitas foram distribuídas com os familiares e amigos. A elogiei muito por essa perseverança em continuar trabalhando, ela riu e disse: “É isso mesmo minha filha, não posso ficar parada, me sinto mal”. Conversamos, quando ela chama Maria, sua secretária, e diz: “Traga um caldinho de feijão para Neuma, tá muito gostoso”. E diz pra mim: “Notei que você está muito magrinha”. Dei uma risada e uma desculpa para não aceitar, mas, ela insistiu e tomei o tão comentado caldo de feijão, ela tinha razão estava saborosíssimo. Ao me despedir, a abracei, beijei, elogiei os cabelinhos tão arrumados, quando  ela disse: “Velho já é feio e por cima descuidado,  com os cabelos desarrumados fica mais feio ainda”. Que presença de espírito e ainda a vaidade que possui. Já na saída, ela ainda diz: “Minha filha não vá agora, fique mais um pouco eu gosto muito quando você vem me visitar”. Fiquei envaidecida com o tratamento. Dona Toinha é uma pessoa que traduz ternura, afeto, com o jeitinho de aconchego, de transmissão de energia positiva. Próximo do seu aniversário, com os outros trabalhos já saturados e sem mais motivação foi colocado em suas mãos abençoadas, cadernos de desenhos para pintar. Ficou animada novamente. Seu semblante irradiou alegria e contentamento. E aí começou a colorir os desenhos e viu como num passe de mágica os seus desenhos criando vida. Redobra a atenção para não sair da linha, para que as cores combinem, até hoje não deixou sua índole de perfeição. Essa homenagem que presto a esta pessoa maravilhosa que admiro demais, caros leitores, serve de exemplo para muitos de nós que nos abatemos com as tribulações que nos atingem no nosso dia a dia e que às vezes obscurecem nossa fé em um Deus verdadeiro que nos ama muito e que nos acompanha em todos os instantes de nossa vida. O Deus que abençoa e protege dona Toinha, mulher guerreira, forte e que ama demais a vida, nos abençoe também. Palmas para ela, uma centenária com o jeito benfazejo de jovialidade.
Abaixo mostro fotos de alguns trabalhos de Dona toinha



MENSAGENS RECEBIDAS:
Obrigado por relembrar os pioneiros da classe odontológica em Juazeiro. Hoje o número aumentou e vai aumentar ainda mais com a quantidade exagerada de alunos da Faculdade Leão Sampaio. Nada contra o Curso, pois traz inovações, novos profissionais e o atendimento ao público carente. Mas, 200 alunos por turma vai acarretar um inchaço e trazer a má qualidade no atendimento.
Dr. Leonardo Celestino, Juazeiro do Norte, Ceará

Quando leio um artigo como este fico aqui pensando,COISA DE RICO, mas não, era coisa de gente que tinha cuidado. Frequentei todos eles, mesmo porque o Dr Balbino por tabela e amizade é quase primo, Dr Edival vizinho e o Dr Sátiro atendeu ao Juazeiro todo. Agora o melhor dentista e todos frequentavam era -A LINHA ZERO-era infalível. Joguei uns cinco dentes no telhado lá de casa.
Entre nós os homens esta prática gerou muitas brigas, pois era colocado a linha zero e de supetão -os dentistas Zé Balbino, irmão do Dr Antonio Balbino,ou o Jorge Luiz, irmão do Daniel puxavam sem avisar. Era briga certa, dez minutos depois só alegria, brincadeira e o aumento dos laços de amizade.
Por isso sempre falo-O SOCORRO NÃO ERA UM BAIRRO, ERA UMA FAMÍLIA.
Neuma, parabéns. .
Dr. Iderval Tenório, Salvador, BA


Acompanho diariamente o Jornal On Line de Juazeiro, e sua Coluna. Sempre com boas recordações dos meus tempos., na oportunidade, gostaria de lhe agradecer pela lembrança do nome do meu Pai, Luis Bezerra de Sousa, como um dos primeiros Dentistas da nossa Cidade.
Obrigado.
Alexandre Julio Gondim de Sousa, Iguatu, Ceará