domingo, 4 de novembro de 2012

Santuário de São Francisco das Chagas


Meu pai, muito devoto de São Francisco, contava pra nós que assistiu ao lançamento da pedra fundamental do Santuário de São Francisco em Juazeiro, em 6 de janeiro de 1950 e também a sua inauguração, seis anos depois. No dia do lançamento da pedra fundamental, a euforia reinava em toda população juazeirense, dia de muitos festejos, de bandeirolas espalhadas no local, pois não havia mais dúvida da edificação do majestoso santuário em homenagem a São Francisco das Chagas, obra dos  frades capuchinhos. Naquele dia, após o lançamento da pedra fundamental, já era noite quando aconteceu uma tragédia que repercutiu por vários anos e obscureceu um pouco o evento, que foi o assassinato de Monsenhor Joviniano Barreto. Monsenhor Joviniano vigário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, padre íntegro, correto, fiel aos dogmas da igreja, foi assassinado barbaramente com uma facada desferida no seu coração por uma pessoa que, segundo foi informado na época, não possuía o juízo perfeito e cujo nome é José Pedro da Silva. Ele pediu ao Monsenhor que fizesse seu casamento com uma senhora que já era casada, e como ele se negou a atender seu pedido vingou-se tirando-lhe a vida. Nos domingos papai gostava de passear conosco quando éramos crianças e como não tinha opção de parques, de praças para brincarmos, ele nos levava para passear no Passeio das Almas, nos Franciscanos. Depois, era tradição visitar o santuário, olhar para o teto e procurar a estrela que tinha o nosso nome. Meus irmãos se distraíam sentando nos bancos, se escondendo nas colunas, mas o meu objetivo era encontrar a estrela que tinha o meu nome, o pescoço doía, mas continuava insistindo com a cabeça para cima, no entanto, a busca foi sempre inútil porque nunca encontrei e até hoje, quando participo da celebração da santa missa, ainda a procuro. Um pequeno esclarecimento para os leitores: as estrelas formam o forro da igreja, e essas estrelas na época da construção foram uma estratégia para arrecadar fundos para a obra. Quem comprava a estrela tinha o nome colocado, papai comprou oito estrelas. Por essa razão meus pais então, se aproximaram mais dos capuchinhos e em especial de frei Jesualdo, que se tornou grande amigo de nossa família, frequentando nossa casa como visitante e como conselheiro. Frei Jesualdo junto com frei Conrado e frei Virgílio  foram os missionários escolhidos como esmoleiros, os encarregados de conseguir rendas para a execução da obra, denominados depois como três autênticas colunas do Santuário. Frei Mirocles presidiu a construção do santuário, organizando movimentos para a obtenção dos meios financeiros e como era um perito entalhador confeccionou as portas do santuário e do convento. Foi o 1º Superior da Comunidade dos Capuchinhos. Frei Francisco, o artista forjador do santuário, em cujos ombros pesaram as responsabilidades maiores, da técnica e arquitetura. Ele não só dirigiu, como trabalhou no sol e na chuva, pelos andaimes da construção, carregando material, rebocando, medindo, instruindo e aconselhando. As informações contidas com relação à construção, frade superior, frades benfeitores, frade construtor, consegui no Suplemento Extraordinário de A voz de São Francisco em comemoração a solene inauguração do Santuário que faz parte do Arquivo do Portal de Juazeiro.                      
  Para um maior conhecimento dos meus leitores o santuário concluído gastou em mão de obra 560.000 horas de trabalho; 4.591 sacas de cimento; 10.500 quartas de cal; 49.088 quilos de ferro; 4.700 m3 de vidros; 3.050.000 de tijolos. Frente do santuário 110 mts; torre 50 mts; carrilhão formado com 8 sinos.  Uma excelente forma que encontraram para dar continuidade à construção foi colocando  à venda colunas, janelas, vitrais, portas etc. Apelaram também às cidades circunvizinhas e à população de nossa cidade com o seguinte pedido: “Fazemos um veemente apelo a todas as pessoas de boa vontade, amigos ou devotos de são Francisco, para que ajudem aos Capuchinhos e à população juazeirense a terminar o monumental santuário de São Francisco, comprando alguma parte dessa igreja em construção”. Receberam como doação tijolos, mosaicos, telhas, cimento, madeira etc.   É de admirar que mais de cinquenta anos depois da construção o forro (teto) continua em perfeito estado. As imagens que se encontram nos altares e a de são Francisco são todas feitas em madeira e vieram da Itália em navio. Umas das minhas maiores alegria foi participar da 1ª Eucaristia nesse santuário, em 8 de maio de 1958. Aquele tapete vermelho enorme  estendido da porta central até próximo do altar e as crianças de ambos os sexos, enfileiradas em par acompanhadas das suas catequistas, em busca dos seus lugares. Que cena maravilhosa, até hoje lembro de todos os detalhes e da sensação jubilosa de neocomungante. Outro fato acontecido comigo neste santuário, desta feita foi de muito medo. Aluna do Colégio Menezes Pimentel, cursando o 4º ano, a professora Socorro Duarte programou uma visita para que conhecêssemos o carrilhão da torre do Santuário. A turma de alunos não muito grande, de 15 a 18 alunos, quando comecei a subir as escadas o pavor tomou conta de mim, ao ver as cordas penduradas e o espaço muito pequeno para subir. Cadê a coragem? Quis desistir, mas dona Socorro muito enérgica disse: “Neuma, você vai subir, não vou deixá-la sozinha aqui embaixo. O coração palpitando até a goela e as pernas como geleia foi dessa forma que subi, no topo todos admirados observando a vista da cidade e eu encolhidinha, tremendo que só vara verde, não apreciei o passeio, para mim foi uma verdadeira tortura, hoje conto sem traumas, mas naquela época, criança ainda, o medo foi grande. Amigos que nos visitam, fazemos questão de mostrá-los essa preciosa joia da arquitetura em estilo romano. Temos imenso orgulho que os nossos amigos visitantes conheçam a lindeza dessa igreja. E em reconhecimento e gratidão por Juazeiro tê-los acolhido e atendido com prontidão aos seus apelos na construção do santuário, frei Virgílio, que participou da construção como esmoleiro, e por seu grande amor ao Juazeiro, idealizou e construiu um presente imponente e valiosíssimo por ocasião do seu Centenário de Juazeiro, que são as  artísticas estações da Via Sacra e os mistérios do Rosário da Santa Mãe de Deus, tendo como engenheiros da obra, Francisco Tadeu Coelho Bezerra e Felipe Neri Coelho. Cada quadro foi doado por pessoas amigas e por instituições. O calçamento em derredor das estações na Praça das Almas foi tudo obra sua, o empenho e o esforço foram grandes, mas valeu a pena deixar essa obra que perdurará por séculos. E é necessário que se diga foi uma das poucas obras que ficaram para lembrar o Centenário da Independência de Juazeiro. E viva frei Virgílio por deixar marcado com tão belo cenário a Praça das Almas! 
Quadro da Via Sacra e carrilhão


Interior do Santuário

Passeios das Almas

Vitrais e teto com estrelas com nomes dos benfeitores
Frei Francisco, Frei Mirocles, Frei Conrado, Frei Jesualdo e Frei Virgílio

Fotos históricas da construção do Santuário



Nesta foto, eu quando criança (8 anos)  acompanhada de
minha prima Lizieux e papai (Luiz Pereira e Silva em frente
ao Santuário de São Francisco


MENSAGENS RECEBIDAS SOBRE O TEMA DA COLUNA ANTERIOR
"O Ensino Normal é uma necessidade, pois não existe ninguém melhor do que a normalista para lidar com crianças em fase escolar." - Concordo com essa sua assertiva. Necessidade que abre lacuna pedagógico-didático-disciplinar."
Eurides Dantas, Juazeiro do Norte

Olá minha prima, boa tarde!
Fazia algum tempo que não lia seus artigos em sua coluna, e hoje resolvi fazer como Bial "dá uma espiadinha"... E de repente me deparo com as delícias de sua culinária e o nosso tão famoso pavê. Sem contar com os outros artigos sobre dona Amália, dona Valba e dona Nilmar. Como sempre, uma homenagem muito bonita e merecida. E o seu Baú então!... Esse parece que é sem fundo, desses de mágico, que não para de surgir coisas interessantes que ficaram em nossa memória. Adorei tudo!
Continue assim nos levando ao mundo do passado.
Um grande beijo,
Marleide Barbosa Guimarães, Fortaleza, Ceará

Nota da Colunista: Uma pequena informação para os nossos leitores com relação ao artigo sobre o fim do curso normal, Daniel em conversa com o professor Geraldo que já foi diretor desse estabelecimento, foi informado de que o Curso Normal do Moreira de Sousa está se acabando por falta de pessoas interessadas em se matricular. A procura diminui ano a ano, estando hoje com cerca de 30 e poucos alunos. Que pena!


sábado, 20 de outubro de 2012

O Normal Pedagógico e os seus últimos dias em Juazeiro


Tomei conhecimento que o Curso Normal da Escola Moreira de Souza está em vias de extinção, estando hoje com poucos alunos. Meu esposo, Daniel Walker, que estudou e foi depois professor da Escola Normal, me disse que na década de 70 a escola vivia o seu apogeu, com oito salas de aula só no primeiro ano, formando anualmente dezenas de normalistas, diferente da primeira turma (1937) que só tinha cinco diplomandas, cujos nomes são: Heloísa Coelho Alencar, Maria Martins Camelo, Maria Moreira, Maria Ceci Borges e Dacilde Sobreira Cruz.
Que lástima! Um colégio de renome, que é sucessor da primeira Escola Normal Rural do Brasil, inaugurada no dia 13 de junho de 1934, um mês antes do falecimento do Padre Cícero que foi um dos seus fundadores. Em 2014 completaria 80 anos de fundação. Quantas gerações foram diplomadas por essa escola. Quantas alunas fizeram o Normal e exerceram o magistério com tanto amor. Quantos segredos, sonhos, aflições, confidências aconteceram nos bancos escolares. Muitas alunas se tornaram professoras desse conceituado estabelecimento de ensino e algumas até chegaram a assumir o cargo de diretor, como é  caso de dona Valba Gondim de Sousa, que semana passada comemorou seus 80 anos de idade. Dona Amália foi a diretora que passou mais tempo na direção da Escola Normal Rural e dona Valba foi a que passou mais tempo na direção do Moreira de Sousa. Em sua gestão, dona Valba trouxe de volta a farda antiga da Escola Normal, a qual marcou época: saia de cor vinho, gravata da mesma cor e blusa branca. Havia também uma farda especial para o período do Estágio, coisa muito chique! O Ensino Normal é uma necessidade, pois não existe ninguém melhor do que a normalista para lidar com crianças em fase escolar. O conteúdo da grade curricular das normalistas é muito rico em Sociologia, Psicologia, Filosofia, Ciências, Português, Matemática, Educação Artística e Didática, afora o Estágio. Estas disciplinas as instruem para saber lidar e compreender o pequeno ser que irá passar por suas mãos. O professor primário como era chamado antigamente precisava atender a todos os requisitos como Estágio de observação (assistir aulas em outras escolas); Estágio supervisionado, dar aulas durante uma semana e finalmente o estágio supervisionado de um mês, no qual a professoranda era a regente da classe. O professor titular deixava à sala e ela assumia a sala de aula. A professoranda, portanto assume o seu verdadeiro papel, que é o de mestra. A sua capacidade de doação é nesse momento testada. Necessário se faz a presença da professora-orientadora, aquela que acompanhou e orientou todos os passos para o melhor desempenho do estágio. Lembro-me que a professora Nilmar Belarmino assumiu esse cargo na Escola Normal durante um bom período. Foi uma excelente orientadora. Exigente, cobrava de suas alunas o melhor, não aceitava deslizes, indisciplinas ou faltas. Cobrava com muito rigor o relatório do estágio. Fazia questão de visitar suas alunas todos os dias em suas salas de aula. Quando a aluna está estagiando expõe todo o material que desenvolveu e preparou durante dois semestres, o material didático como é chamado. Consta de cartazes, jogos, chamada, diário, fichas, planos de aula. Um ano intenso de atividades, muitas responsabilidades, mas o importante de tudo isso é a conclusão do curso. O recebimento do diploma para exercer a profissão. Uma profissão que talvez não seja tão aplaudida, tão reconhecida, porém o que não se pode negar é que todas as outras profissões dependem do professor primário. Aquele que colocou os pontinhos formando uma letra para que a criancinha unisse; cobrisse as letras; ensinasse o alfabeto; os numerais; a juntar as palavras e iniciar a leitura. Sei que para o professor do pré e dos primeiros anos conquistar a afeição e apego das crianças que estão iniciando sua vida escolar é uma tarefa não muito fácil. As crianças são tiradas do seio materno, de sua rotina do lar e precisam ser bem acolhidas para que não cheguem a conduzir traumas para o resto da vida. Por isso é necessário que o professor primário se identifique com as disciplinas que irão nortear todo o desempenho do seu trabalho. E assim, cada dia mais o mundo moderno incorre em erros, não deixando fincar marcas de afinidades, de disponibilidade. O que vigora nos nossos dias é a rapidez dos acontecimentos e as mudanças radicais no sistema de ensino, prejudicando de certa forma o alunato infantil.  A figura do professor primário não pode ser negligenciada; mesmo na era da informática a confiança do aluno no professor precisa continuar. Pois, só assim teremos uma juventude solidária, enraizada nos conhecimentos que adquiriu e aprendeu nos seus primeiros anos de escola. Este é o meu protesto diante do que está determinado, o fim iminente do Curso Pedagógico do Centro Educacional Professor Moreira de Sousa, escola essa que já foi motivo de muito orgulho para nossa cidade. Não sei exatamente porque o curso está se extinguindo, então seria bom que o Crede desse uma explicação oficial ao público explicando as verdadeiras causas. 

Dona Amália, dona Valba e Nilmar







domingo, 7 de outubro de 2012

Descobrindo os mofados do meu baú – III





No dia de hoje, 07 de outubro está acontecendo a votação para prefeitos e vereadores em todo país. No meu tempo de criança lembro que os candidatos tinham os seus seguidores, mas a praxe em votar era por simpatia, era a amizade que existia, o conhecimento. Naquela época seu Zé Geraldo e Dr. Feitosa, eram os mais fortes candidatos. Quem aderia a Dr. Feitosa recebia o nome de carrapato e quem acompanhava seu Zé Geraldo, era tratado com o nome de gogó. Não se pagava o voto. Atualmente os candidatos têm que gastar fortunas para se elegerem. Tenho saudade do meu tempo! Como tenho! Da fidelidade, da palavra dada, aí não tinha quem tomasse. Pela saudade causada, aproveito leitores, para apresentar-lhes mais uma série de mofados do meu baú. Coisas que no seu devido tempo tiveram muita importância e outras que ainda conservam a sua importância como é caso da colcha de cetim em metalassê, que vez por outra a coloco em minha cama e como a embeleza. Essa colcha foi comprada na Malharia Vênus de propriedade de Francisquinha Almeida, localizada no Edifício M. Oliveira, térreo, do lado da Rua Santa Luzia. Essa colcha fui presenteada por minha mãe quando estava preparando o meu enxoval para casar. O lencinho é uma verdadeira relíquia (acredito que não exista mais), pois é feito em organdi bordado com labirinto e com o meu nome bordado. Esse presente recebi da mãe de dona Francisquinha Leandro, dona Videlina (nós costumávamos chamá-la de madrinha Videlina), ela morava na Rua Santa Rosa e sempre a visitava quando criança. Bolsinha em plástico duro para por moedas. Peça rara nesse estilo, mamãe a trouxe quando viajava a Manaus para comprar toalhas plásticas com bordados, imitando renascença, richelieux; cachos de uvas em plástico; relógios de pulsos na marca Orient; pratos decorados; truces (bolsas para festas), exponho duas que ainda guarda com muito carinho. Na verdade era um grande sortimento de mercadorias, naquela época não se encontrava por aqui. Mamãe foi pioneira na venda desses artigos, seu espírito aventureiro e destemido a levou algumas vezes para Manaus, no tempo de grandes fiscalizações. Mas ela desbravava naqueles aviões pequenos e chegava. Os clientes aguardavam sua chegada ansiosos para apreciar e comprar novidades. A maleta 007 como era chamada, objeto que Daniel usava todos os dias quando se dirigia para a Agência da Credimus, quando a gerenciou. Bolsinha vermelha, ou melhor um porta batom, brinde que a Credimus distribuía com as funcionárias e com os familiares dos funcionários. Broches com flores de vários tipos presentes que recebi da pessoa mais expressiva na confecção de flores em tecidos, dona Cilinha Almeida, devido a nossa amizade de muitos anos, ela gostava de me presentear com os lindos adornos que ela criava. Porta-retrato que foi muito usado tempos atrás e que hoje já não é comercializado devido os incontáveis modelos que surgiram no mercado e o que possuo já não faz parte do que é moderno, é considerado ultraprassado. A Singer campeã em vendas de máquinas de costuras em nossa região e tendo como revendedora a Lojas Credilar, de propriedade de Valdo Figueiredo brindavam os seus clientes com o Curso de corte e costura de moldes, fui aluna desse curso. E para enriquecer a minha Coluna trago para os meus caros leitores uma amostra de notas e moedas do dinheiro já usado, que passaram por nossas mãos e que os jovens não tiveram a chance de conhecê-los. Esta mostra fez parte do acervo do senhor Franciel, que já foi focalizado no Portal de Juazeiro na Seção História dos Apelidos, que presenteou Daniel. 









domingo, 30 de setembro de 2012

Delícias de minha culinária


Espero que agrade aos meus leitores o tema escolhido para esta semana: meus dotes culinários. Sou uma pessoa que não tenho muita afinidade com a cozinha, são pouquíssimos dotes, entretanto preparo alguns quitutes que agradam muito às pessoas que os recebem. O costume que tenho é o de presentear meus amigos com coisas feitas por mim. Acredito que é mais valorizado e apreciado, porque tem o carinho pelo meio. Coloco então, à disposição de vocês leitores que apreciam esta Coluna, a receita do bolo fofo, apelidei-o de Bolo Gostoso. Esse bolo fez parte de minha infância, porque mamãe o comprava sempre, não completo, apenas algumas fatias no Café Expresso de seu Francisquinho Monteiro, localizado na Rua Santa Luzia, onde hoje funciona a agência do Bradesco. Padre Francisco (Salesiano) por ser compadre dos meus pais, padrinho do meu irmão, Aldo, sempre os visitava e quando chegava, mamãe se apressava em lhe oferecer um lanche, como não tinha bolo frequentemente lá em casa, o jeito era mandar comprar, e haja menino a ir apressado satisfazer o pedido de mamãe. E a receita é esta, sinto ainda o cheirinho apetitoso do bolo quando chegava.

                  3 copos (americano ou de geleia) de farinha de trigo com fermento
                  2  ½ copos de açúcar
                  1 copo de leite
                  4 colheres (sopa) de manteiga
                  4 ovos
         
                  Bate o açúcar com a manteiga até ficar do jeito de creme; coloca uma gema de cada vez e bate até colocar todas. Vai colocando a farinha de trigo aos poucos, alternando com o leite e por último põe as claras batidas em neve. Polvilha a forma  com manteiga e farinha de trigo e coloca a massa já batida. Tempo de duração para assar o bolo, de 40 a 45 minutos ou de acordo com a temperatura do forno do seu fogão. Uma dica importante, o segredo do bolo está na maneira de bater, tem que seguir numa mesma direção, ou melhor siga a direção do relógio. Após retirar do forno deixa esfriar. Retira da forma, coloca na boleira, põe por cima creme de goiaba e queijo ralado. Ah! Fica muito saboroso.

                Pavê de biscoito maizena
              
               1 caixa ou lata de leite moça
               Mesma quantidade de leite
               1 caixa de creme de leite
               Biscoito de maizena
               2 ovos

               Colocam-se no liquidificador  duas gemas, o leite moça e o leite de gado, bate bem. Põe no fogo e fica mexendo até ficar na consistência de mingau. Esfria um pouco e coloca no pyrex; em seguida vai colocando os biscoitos, antes molha no leite, três de cada vez; põe o creme por cima, mais biscoitos e por último as claras batidas em neve, 5 colheres (sopa) de açúcar e o creme de leite, mexe um pouco para unificar.
Dica: Para que o creme de leite endureça, coloque no congelador por umas duas horas. A receita deste pavê foi minha prima/irmã, Marleide que me ensinou, ou melhor, fez em minha casa e eu aprendi.

                Torta de maçã ou abacaxi

                1 caixa ou lata de leite moça
                Mesma quantidade de leite
                1 colher (sopa) de manteiga
                1 colher (sopa) de maizena
                2 ou 3 maçãs ou um abacaxi
                Ameixa sem caroço
                Limão (caso use a maçã) espreme o limão por cima dos pedaços de maçã.
                No caso do abacaxi corta em pedacinhos.
                3 ovos.

                 No liquidificador põe as gemas, o leite moça, o leite e a maizena, bate bem. Leva ao fogo brando e fica mexendo até soltar da panela. Deixa esfriar. Coloca num pyrex uma parte do creme, põe por cima os pedaços de maçã ou abacaxi, cobre todo o creme. Em seguida coloca novamente o creme, os pedaços da fruta. As ameixas liquidificadas com um pouco de água, coloca por cima e a última camada é das claras batidas em neve com açúcar e o creme de leite endurecido, mexe um pouco. Leva ao refrigerador. É um bom lanche e agrada muito o aniversariante quando o presenteio. Esta torta era obra de Dejesus Batista, aprendi quando fiz o curso de arte culinária com ela, em sua casa.
                 Um fato interessante que aconteceu com a tia de Daniel, tia Lourdes, o seu aniversário acontece no mês de janeiro. Preparei o bolo, coloquei na caixa, enfeitei com fitas e fui até sua casa com o presente. Queria lhe fazer uma surpresa. Mas, a surpresa veio da parte dela, não sabia que tinha viajado para Guarapari, foi visitar seus filhos que residem lá. Apertei na cigarra e tia Ló (sua irmã) abriu a porta. Perguntei por tia Lourdes e ela começou a rir e respondeu: “Você não soube que ela viajou para Guarapari?”. Soltei uma risada bem gostosa e disse: “Não vou levar o presente de volta, vocês podem saborear o que trouxe e façam inveja a tia Lourdes, ligaram logo depois para ela e fizeram inveja dizendo que estavam comendo o bolo que era o presente do seu aniversário. Então, quem deseja presentear com estas delícias, é bom se certificar primeiro se a pessoa que vai receber o presente não viajou, para não passar por este mico.
         
Comentários sobre a coluna anterior:
Francisco Carlos Pontes, Parnaíba, PI: “O Colégio Salesiano exerce sobre cada um de nós, ex-alunos um orgulho muito peculiar. Não se trata de sobrepujar nenhuma instituição ou coisa que o pareça, mas ter estudado no Salesiano São João Bosco em Juazeiro tem um sabor especial. De fato o Salesiano desfilava com muita pompa... Parabéns Neuma pelos lindos registros de uma história real. Muito bom...!
  
Raimundo Nonato Alencar Dantas, Fortaleza, CE: “Minhas homenagens à Profª. Tereza Neuma. Sugeriu rabiscar um fato, curioso? Inédito? Aborda o Ginásio Salesiano nas ruas do Juazeiro”.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Imagens fotográficas dos desfiles de 7 de Setembro do Colégio Salesiano nos tempos áureos



Assistindo pela TV o desfile de 7 de Setembro deste ano, surgiram imediatamente as lembranças dos desfiles do Colégio Salesiano de antigamente. Geralmente era o último a desfilar e mesmo com a hora já bastante adiantada, sol escaldante do meio-dia, a multidão aguardava ansiosa a sua chegada, esperando para ver o que ele trazia como novidade. E como tinha coisa bonita para mostrar! E o idealizador e colaborador na preparação dos carros alegóricos, contando a nossa história e a história do Brasil, era nada mais, nada menos do que o professor Luiz Magalhães que dedicou toda sua existência a esse tão amado colégio. Ele se realizava com essa missão, por isso primava na ornamentação dos carros alegóricos e na indumentária dos participantes que levavam a coisa a sério, como se fossem atores participando de um filme. Quem não fizesse direito nos ensaios levava bronca. A preparação começava muito cedo, com ensaios intensos no mês de agosto e começo de setembro, e no horário das aulas. No dia do desfile ele ficava feliz porque a consagração era certa. A multidão aplaudia com bastante entusiasmo. O desfile do Salesiano de antigamente tinha bandeiras, cavalos, carros (jeeps, caminhões e até trator, oferecidos gentilmente pelos pais dos alunos) e roupas vistosas para representar personagens da história. A farda de gala quando o colégio era somente masculino era idêntica à das Forças Armadas, mais parecida com a da Aeronáutica por causa da cor azul. Lembro que tinha um quepe muito bonito e uma túnica com botões dourados e um torçal também dourado, coisa realmente chique. Os rapazes marchavam imponentes, orgulhosos, até chegando a despertar olhares apaixonados das adolescentes da época. A banda, também muito organizada e cadenciada, era um espetáculo à parte. Esplêndida! Mas esta parte, a do desfile propriamente dito, era mais tarefa do Padre Mário Balbi. Professor Luiz cuidava da parte artística. Depois foi incorporada uma participação dos ex-alunos salesianos, formando um bloco especial sempre muito concorrido. Felizmente o professor Luiz teve o cuidado de registrar através de fotografias momentos históricos dos desfiles de antigamente, algumas das quais, referentes aos desfiles de 1955 - 1965 - 1967 - 1976 - 1998 – 1999, mostro a seguir para deleite dos meus leitores e ex-alunos salesianos. As fotos nos foram doadas por suas sobrinhas Nalizany e Wilany, primas de meu esposo.