sábado, 25 de agosto de 2012

A bicharada da minha infância

25.08.2012


Nos passeios e viagens que tenho feito sempre encontro algo que desperta motivação para escrever. Desta feita foram fotos e animaizinhos ao vivo que me fizeram voltar ao tempo, trazendo-me alegria em lembrar de minha infância tão contagiada com a presença de animais (insetos, aves e peixes). Passamos um dia desses no Caldas com as netas e os pais delas, e lá ficamos debaixo de uma árvore próxima de uma das piscinas que a criançada adora, de repente surge uma fileira de saguís (as pessoas geralmente chama soim), bem juntinhos, em busca de comida. Tive coragem de me aproximar e colocar banana na boca de um deles. Contei então para minhas netas como era a casa dos meus pais. Ela se localizava na Rua São José e terminava na Rua Santa Rosa. A casa construída na Rua São José e o quintal muito extenso ia até a Rua Santa Rosa. Na metade da extensão do quintal, existia um viveiro enorme, sendo dividido em duas partes. Numa parte acomodava dois saguís, que passavam o dia todo se balançando em um balançador, feito de um pedaço de madeira e nas pontas cordas que eram pregadas no teto do viveiro. Era engraçado quando colocávamos a banana pra eles, rápido eles tomavam de nossas mãos e engoliam quase inteira. E depois, ficavam limpando as mãozinhas e pedindo mais. E quando um deles resolvia catar piolho na cabeça do outro, me extasiava olhando aquela imagem de seres irracionais, mas que tinham o instinto do carinho, do afago. O que oferecia a cabeça aceitava o agrado todo dengoso. Na outra parte do viveiro várias espécies de passarinhos nos alegravam com os seus gorjeios. E o casal de arara de cor amarela com azul, tinha sua casinha de alvenaria e com uma porta de arame. Elas gostavam de passear pelo quintal, de pegar cajaranas do chão e ficar chupando. Levantavam a cabeça para que o suco descesse por suas gargantas sem perder nada. E ainda roíam o caroço. Quando o chão estava quente corriam para a casinha, para não queimar os pés. O papagaio que cantava Ave Maria, ficava pendurado no seu poleiro e algumas vezes enganchava o pé na corrente, e tínhamos que salvá-lo. A corrente encurtava e a posição de ponta cabeça o incomodava demais. O lago redondo com pedrinhas pregadas na parte de cima. Viviam felizes dois casais de marrecos de cor marrom claro com bico vermelho, uma marreca chamada de viuvinha por ter a penugem escura, uma patola e um paturi. Passavam o dia todo nadando de um lado para o outro, tão felizes. Depois, à tardinha já exaustos, saíam da água e ficavam balançando as asas para escorrer a água e deitavam nas pedrinhas do lago. O pombal, que lindeza, várias casinhas construídas em alvenaria e com o primeiro andar e lá viviam pombos de penas brancas, de penas misturadas com marrom e de penas pretas com branco. A gente gostava de observar o acasalamento, o pombo todo faceiro dando o ar de sua graça para a pomba. Algumas não davam bolas para os pretendentes. Beliscava, voava e entrava na casa. E quando nasciam os filhotes bem peladinhos, só tinham grande a cabeça. O pai cuidava do filhinho e a mãe ia pegar comida. Quando já estavam crescidinhos, chamados de borrachudo, já era um petisco. Antônio Luiz (meu irmão) era craque em matar os coitadinhos dando uma pancada na cabeça com um pauzinho. Tinha muito dó deles sendo sacrificados e depois preparados e fritados por Munda para matar o desejo dos meninos, nessa hora eu pecava comendo uma perninha, pois não resistia. Como era bom conviver com essa fartura de coisas lindas criadas por Deus! Nessa nossa última viagem visitamos a Estação Ciências, em João Pessoa. E na visita me deparei com um quadro de uma borboleta, não sabia o nome dela, mas a acho muito linda e em minha casa cliquei sua foto pousada numa planta. Imediatamente me veio a mente as lindas borboletas que pousavam nas plantas do jardim e do quintal da casa dos meus pais, não me cansava de contemplá-las. Mas, os irrequietos meninos (meus irmãos) e os meus primos tão malvados, caçavam as borboletas com um pedaço de pano ou toalha e matavam as bichinhas, com a invenção que ia colecioná-las. Ah! Lembrei agora das abelhas, mamãe as criava em caixotes de madeira. No dia de colher o mel, as abelhas ficavam assanhadas e sempre nos ferroavam. O sistema era muito arcaico, atiçava fogo em uma vassoura e quando estava com bastante fumaça colocava nos caixotes, as coitadas estonteadas, fugiam e muitas morriam. Que malvadeza! Hoje, é bem moderna a maneira de retirar o mel, não se sacrificam as abelhas como antigamente. No lago do jardim, mamãe colocou alguns peixes da espécie chupa pedra, não conseguíamos distingui-lo das pedras, e sua função era limpar o lodo que se acumulava nas paredes do lago. Sentava-me na beira do lago e ficava admirando o seu belo trabalho. Depois de muito esforço, eles paravam e colavam nas paredes, durante horas e horas.O viveiro feito de arame na forma de uma casinha, de cor prateada, repleto de periquitos australianos, de muitas cores: verde, amarelo, azul, branco. O barulho era infernal, quando todos resolviam cantar na mesma hora. Minha paciência ia a zero, principalmente na hora de estudar. O viveiro tinha que ficar dentro de casa, pois surgia muito gato traiçoeiro no quintal e surrupiava os agitadores, como dava pena encontrar somente as penas. Os matreiros gatos da vizinhança não davam trégua, todo cuidado era pouco. Não posso deixar de lembrar de minha galinha Mimosa, presente recebido de dona Rosinha das galinhas, moradora da Rua Santa Rosa. Mamãe, suas irmãs (Maroli e Odete) e sua cunhada (Suleta) eram freguesas constantes dela. Compravam geralmente, frango ou capão. Galinha não tinham interesse, diziam que a carne era dura. Sempre acompanhava mamãe quando ia comprar. Interessante a forma de ver se o bicho estava sadio, se era gordo, se tinha gogo. Pegava no pescoço e assoprava no final do pescoço para saber se estava gordinho. Apertava o bico, caso saísse um líquido estava com gogo, não se comprava. Nos dias atuais é difícil a gente encontrar os vendedores de galinha caipira ou de capoeira. O frango de granja tomou conta do mercado. Não posso deixar de mencionar outros animais que existiam no mesmo quarteirão de nossa casa, na casa de doutor Feitosa e de dona Heloísa, esquina com a Rua Santa Luzia, hoje nesse local está instalada a Policlínica de Juazeiro Ltda. Mamãe muito amiga dela, sempre a visitava e a gente gostava de acompanhá-la para ver os animais de lá, bem diferentes dos nossos. A preguiça trepada no pé de benjamim; os camaleões circulando pelos arredores da casa; os cágados e jabutis que gostavam de se esconder nas moitas; a anta, animel enorme com uma pequena tromba; a cobra jiboia que vivia presa num viveiro e as emas enormes, de pernas grandes e finas, que se exibiam desfilando em derredor do jardim. Atualmente, devido o desmatamento, o vandalismo e de atos que prejudicam ao meio ambiente não é mais permitido criar animais dessas espécies em cativeiro. Muitos foram extintos e só os encontramos em fotografias expostas em museus, em exposições ou em livros. Ao contar para vocês, caros leitores, estas minhas lembranças, sinto o sabor maravilhoso de um tempo feliz. 


 
    
E-MAILS RECEBIDOS 
Olá querida prima.
Não poderia deixar de aproveitar esse espaço, para   mais uma vez lhe parabenizar pela iniciativa do "Bazar Solidário" que foi um sucesso. Como já disse no facebok,compartilhando essa sua coluna maravilhosa. Assim como Heloísa disse: "que tem orgulho dos avós,  eu tenho um imenso orgulho de ser sua prima/irmã. Foi muito bom ver o empenho de todos seus colaboradores: Francisquinha, Luana, Isadora, Heloísa, Yolanda, Analuce, Juliana, Paulo, Danielzinho etc.
Parabéns mesmo!
Um grande beijo.
Que Deus lhe abençoe.sempre!
Marleide Fernandes Guimarães, Fortaleza, Ceará
   
Querida irmã,
Parabéns por esta bela iniciativa e que Deus lhe abençoe.
Atenciosamente,
 Paulo Airton. Tauá, Ceará

Minha prima querida!!
 Parabéns! Não poderia ser diferente.
Beijos,
Mirna, Fortaleza, Ceará

Parabéns! O sucesso do Bazar Solidário é mesmo fruto de quem reúne valores e abraça com determinação a causa do irmão necessitado. Glória a Deus nas alturas e muita Paz a você, que voluntariamente, abraça a causa do irmão necessitado, criando alternativas dignas de admiração. Fiquei comovida com seu exemplo e muito feliz por ter atingido suas metas. E mais ainda com a declaração de amor "Divino" de sua neta Heloisa, muiiiiiiiiiito linda.
 Sua amiga, Socorro Aguiar
Rio de Janeio, RJ

Neuma,
O desapego é o primeiro passo que se dá em busca da santidade. "Não junteis tesouros na terra." Sinto-me engrandecido também por este ato de amor e solidariedade para com aqueles que necessitam do nosso supérfluo.
Deus abençoe você por esse gesto, minha irmã querida do meu coração. Um dia - no céu - você entenderá o que o seu despojamento representou para o Senhor Jesus.
 Beijo grande meu, da Aldinha e da turma.
Fique com Deus.
 Antonio Luiz Macêdo, Fortaleza, Cea


Neuma, cada vez mais você me surpreende, essa agora de você se despojar de seus objetos ornamentais que tanto você gosta, é um gesto tão sublime minha prima, indescritível... Que Deus lhe dêr muitos anos de vida, com saúde e paz para que continue edificando esses seus projetos tão nobres. Gestos como esses precisam ser copiados. Parabéns!
Sua prima,
Socorro Romão, Juazeiro, Ceará

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bazar solidário: o resultado e a entrega da renda às instituições

07.08.2012

O planejamento do Bazar começou em maio, com a colaboração de Vânia (minha cunhada) e de Mano Grangeiro. No primeiro encontro coloquei uma pequena mostra do que tinha disponível para fazer parte do bazar. Gostaram do que viram. Ficou combinado para o próximo encontro todos os objetos retirados dos caixotes, 31 ao todo, para traçarmos com mais precisão como deveríamos fazer. Colocando em miúdos para melhor esclarecimento dos leitores, os enfeites eram colocados em caixotes de mercantil (contêineres). Eu tinha o cuidado de pôr uma etiqueta informando o que continha: peças verdes; peças transparentes; louças brancas; louças brancas e azuis; louças azuis e amarelas; bombonieres transparentes e em cores; taças de vários tamanhos etc. As peças eram todas embrulhadas em plástico bolha. Retirei tudo dos caixotes durante a semana, e fui colocando espalhadas nas mesas, estante modulada, barzinho e também no chão da sala de estar. Vânia quando chegou para o encontro e viu a enormidade de peças, muito admirada indagou: “Daniel, você sabia que tinha esta loja em sua casa?” Daniel respondeu assim: “Eu sabia que Neuma comprava muita coisa, mas do jeito que estou vendo, jamais imaginei”. Resolvemos convidar pessoas abalizadas para dar uma ideia dos preços que poderíamos cobrar. Pedi ajuda de duas amigas, Rejane, funcionária da Lojas Freitas e de Cleone, proprietária da loja de decorações MC Decorações. Os preparativos no mês de junho se intensificaram, já com um roteiro definido. Compra de sacolas, de copos descartáveis, guardanapos, aventais, todo o material necessário que seria utilizado no bazar. Preços colocados em todos os objetos. Separação das estantes de aço que acomodariam as peças, três no total. Minha estante modulada com três partes e cinco mesas; duas minhas e três de Suelan (Suel Festas). Precisei de uma boa equipe para que tudo se realizasse sem nenhum contratempo. Analuce (minha irmã) e Juliana (sua filha) vieram de Fortaleza; Paulo (meu irmão) e Cristina (sua esposa), vieram de Tauá. Vânia que desde o início me auxiliou de forma total. Magdalene (prima de Daniel), ajudou bastante transportando os objetos e colocando-os nas estantes e mesas. Preparamos um quadro grande no qual seriam afixadas etiquetas com os nomes dos visitantes compradores, e o batizamos de Painel do Bazar Solidário. Por incrível que pareça todas as pessoas que visitaram sempre saíam com uma sacola ou com várias sacolas. Outras pessoas voltaram no dia seguinte para novas aquisições. O Caixa e o local de empacotamento ficaram no jardim sob a coordenação de Analuce, Juliana e Cristina. As estantes e mesas ficaram dispostas da seguinte forma: as três estantes e o móvel modulado, instalados no hall. As cinco mesas foram colocadas do portão do jardim até o início do hall. Tudo abarrotado de louças, vidros, castiçais, pratos, velas etc. O dia para a abertura do bazar ficou determinado 14 de julho, no horário de 15:00. Às três instituições beneficiadas foram convidadas para se fazerem presente na abertura e compareceram. Convidamos o primo de Daniel, Lécio, para ficar no portão vigiando para impedir a entrada de intrusos. Ao abrir o bazar fiz questão de usar a palavra e explicar o que me fez tomar esta atitude e o destino da renda. Depois de 15h30min, começou a chegar o público alvo, os interessados em comprar e alguns, apenas por curiosidade. Todos ficaram admirados da quantidade de objetos que estavam expostos. E alguns me indagavam curiosos: “Neuma, como você acomodava todos estes enfeites?” “Ah! Minha amiga, respondia: Em um quarto que tenho lá atrás, os enfeites eram acondicionava em contêineres e os colocava em estantes de aço, ao todo seis. As pessoas que estavam ajudando no bazar usavam um avental com a logomarca. Minhas netas, Heloísa e Isadora juntamente com sua prima, Yolanda, recebiam os convidados e perguntava o nome para afixar no painel. Muito educadas, cumprimentavam e sorriam para as pessoas. Foi um momento ímpar em minha vida, a realização de algo que vinha acalentando há algum tempo e que naquele exato momento estava presenciando a sua efetivação. Cercada de familiares e de amigos curti muitíssimo, assistindo a venda dos objetos e a saída deles de minha de minha vida. Foi servido um chá mate gelado com torradas para os presentes. Como já tínhamos previsto, um dia só não seria suficiente para encerrar o bazar. Então, continuamos no domingo e por mais três semanas continuou funcionando. No domingo, eu e Daniel recebemos da netinha Heloísa uma cartinha que nos tocou e nos emocionou muito, e que me fez chorar de emoção. No término das três semanas, Daniel achou por bem encerrá-lo. Luana, minha nora, muito esperta, sugeriu que levaria o restante dos enfeites para vender em Barbalha, pois ela tem um conhecimento muito grande, por ser sua cidade de origem. Aceitei prontamente a sua sugestão. Ela e Daniel Junior empacotaram tudo e colocaram em três contêineres, levaram também os álbuns com fotos das instituições que seriam contempladas e fotos de como ficava ornamentada minha casa. Foi um sucesso, os amigos de Luana barbalhenses se comoveram e fizeram questão de participar comprando os objetos com o intuito de ajudar. E foi assim, caros amigos e leitores, que consegui graças a Deus a soma líquida de R$7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), depois de deduzida a despesa com a organização. A distribuição dói a seguinte: R$1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) entregues ao Lar de Lazer do Ancião Feliz, que abriga 25 velhinhos; ao Albergue Sagrada Família, R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), abriga 56 velhinhos e ao Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais), quantia esta que será revertida na compra de setenta telhas, atendendo ao apelo feito pelas Monjas Beneditinas, que estão com dificuldades em comprar a cobertura da Igreja, e a campanha diz o seguinte: compre uma telha no valor de R$ 50,00 (cinquenta reais) e contribua com a cobertura da igreja. A entrega do cheque ao Lar de Lazer do Ancião Feliz aconteceu no dia 04, dia em que a fundadora Dona Francisca Benício estava completando setenta e cinco anos. Ela recebeu com muita alegria a nossa doação. A entrega foi feita para sua irmã, Zenilda Benício administradora da casa. Dona Francisca Benício muito alinhada, aguardava os convidados para a comemoração do seu aniversário com um jantar e uma seresta. No domingo, dia 5, fizemos a entrega no Albergue Sagrada Família ao casal, Carlinhos e Graça, diretores da instituição. E logo depois, nos dirigimos para o Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, para a entrega da doação para a Madre Aparecida, Superiora do Mosteiro que juntamente com as monjas receberam com muito entusiasmo a nossa doação. Digo para vocês: missão cumprida! Estou muito feliz! Obrigada a todos!


                           Momento em que eu anunciava a abertura do bazar e explicava a sua finalidade

















As fotos mostram as fases de preparação do bazar e a sua abertura. 
 As meninas que anotavam os nomes dos visitantes e afixavam no painel.
Representantes das instituições beneficiadas presentes à abertura: Eridna e Filomeno (Mosteiro), Zenilda Benício (Casa do Ancião Feliz) e Carlos Alberto Oliveira  (Albergue Sagrada Família.
Momento da entrega dos cheques às instituições 1) Irmã Aparecida Menezes recebe em nome do Mosteiro Nossa Senhora da Vitória; Carlos Alberto e Graça recebem em nome do Albergue Sagrada Família e dona Zenilda Benício recebe em nome da Casa de Lazer do Ancião Feliz 


































Cartinha enviada por minha neta Heloísa
Eu e dona Francisca Benício no dia da entrega do cheque, por coincidência data de seu aniversário 
 
Conteineres onde guardo meus enfeites de casa



terça-feira, 31 de julho de 2012

Firmas que não existem mais em Juazeiro

 31.07.2012
     

Como sou de guardar, de resgatar, de colocar em caixas, gavetas, objetos, notas, sacolas de plástico, papeis, que para alguns não têm o menor valor, mas para mim significam muito, e quando estava organizando o Bazar Solidário descobri tesouros que nem lembrava mais. São peças de lojas que já não existem mais. E tem mais, encontrei também notas fiscais, adesivos atrás das peças e também sacolas. São lembranças demais! Caros leitores, vejam as lembranças de lojas, empresas que já atingiram o seu apogeu e, hoje, só a memória para guardá-las.
Samasa-Sebastião Arrais S.A - magazine com enfeites, miudezas, eletrodomésticos, bicicletas etc. Era uma grande loja com duas frentes, uma na Rua Santa Luzia e outra na Rua Conceição. A Samasa fechou suas portas e em seu local foi instalada a Lobrás (Lojas Brasileiras) a qual foi sucesso absoluto durante um bom período, mas houve uma decadência na empresa, e todas as lojas existentes no nosso país foram fechadas. O prédio está ocupado agora pela A Insinuante, na Rua Santa Luzia, e o Super Lagoa,  na Rua Conceição.
A  Pernambucana - ficava na Rua São Pedro com Rua Conceição. No início era uma loja de tecidos, de cama, mesa e banho. A loja se expandiu e construiu o primeiro andar. Nele encontravam-se enfeites, colchões, escadas, louças brancas e coloridas, uma variedade enorme de copos, taças etc. Atualmente neste prédio funciona a Lojas Zenir. 
Casa Morais - localizada no quarteirão sucesso da cidade, “slogan” de Coelho Alves, nas propagandas da Rádio Iracema. Esse quarteirão sucesso era considerado entre a Rua Santa Luzia até a Praça Padre Cícero. O prédio da Casa Morais, nº 506. Loja especializada em presentes. O seu proprietário, seu Raimundo Morais, de um bom gosto muito apurado, trazia para nossa cidade o melhor em peças finas de cristal, louças chinesas, Sabonete Sabão da Costa, de um aroma inesquecível. De repente nessas lembranças sinto o cheiro, a fragância que impregna meu olfato, do perfume do sabonete. Faqueiros em caixas de madeira, baixelas, um sortimento invejável que atendia ao gosto de todo freguês. Nesse prédio funciona atualmente Lojas Dulare.
Ótica Boa Visão - existiu nesse mesmo quarteirão, no nº 512, hoje está instalado O Boticário.
Lojas Credilar - localizada na Rua São Pedro, nº 317, esquina com Rua São Francisco, especializada em móveis, cozinhas, eletro domésticos e adornos de decoração. Neste local funciona hoje a Farmácia Avenida.
Américo Jeans, loja de confecções, especializada em modelos diversificados de jeans, de camisas e blusões, de preços inigualáveis. Funcionou na Rua Santa Luzia com Rua São Pedro. Está funcionando neste local a Pague Menos.
Banca de Revista de Liquinha - instalada na Praça Padre Cícero.
Foto Targino - um dos mais antigos estúdios fotográficos de nossa cidade, funcionou na Rua Delmiro Gouveia, nº 71.
Sapataria Frei Damião, prédio de nº 906, na Rua São Pedro, no local está instalada hoje a Beth Confecções.  
Casa São Judas Tadeu - prédio localizado em frente à Prefeitura, nº 1091. Hoje funciona o restaurante self service, Gastronomia Arte.
Supermercado Brasil - um dos mais sortidos nos anos 80, com vários caixas funcionando, muitos carrinhos na entrada do mercantil. Funcionou na Rua Alencar Peixoto com São Paulo. A loja existente no local hoje é uma loja de confecções e calçados, denominada Tá com tudo.
Rápido Juazeiro - a pioneira no transporte de passageiros em viagens noturnas, razão por que o ônibus era chamado de corujão. Ela inaugurou um serviço até então inédito nesta região: a assistência da rodomoça (a versão da aeromoça no transporte rodoviário). A Rápido Juazeiro depois foi vendida a Expresso Guanabara que hoje é líder em toda região cearense e em algumas cidades do Nordeste.
O que nos resta é recordar. E assim é nossa vida cheia de mudanças, de transformações, que na maior parte das vezes nos enriquecem. Entretanto essas transformações às vezes nos entristecem e nos fazem refletir como devemos encarar o passar dos anos, com o espírito de jovem, que vive alimentando os sonhos e as ilusões. 
Arca da Aliança - loja especializada no setor de calçados, a maior já existente em nossa cidade. Duas entradas; entrada pela Rua São Pedro e pela Rua São Paulo. Funciona agora o Atacadão Fort Tudo.
Abaixo mostro algumas imagens para lembrar as firmas (antigas) citadas:








domingo, 8 de julho de 2012

Galeria de fotos antigas

08.07.2012

As mudanças ocorrem e as lembranças ficam. Uma forma extraordinária de viajarmos pelo passado são as fotografias. Gosto de resgatar e fazer ressurgir através das fotografias um pouco do que já vivi. Hoje trago para meus leitores um tipo de fotografia muito comum no passado e hoje fora de moda por conta da mudança dos costumes imposta pela modernidade. Quando criança, visitando familiares e amigos dos meus pais, gostava de ficar olhando os quadros com fotografias pregados na parede. Era moda o retrato do casal junto ou em fotos separadas na primeira sala, ou melhor, sala de visitas. Os quadros do Coração de Jesus e de Maria eram fixados primeiro ângulo, quando se tratava de casal  católico,  e no outro ângulo a foto ou fotos do casal. As fotos geralmente eram feitas por fotógrafo profissional, verdadeiras obras de arte, copiadas  em sépia ou preto e branco. Depois veio a moda de colorir e algumas pessoas aderiram. Consegui trazer para a apreciação de vocês, caros leitores, uma pequena amostra de fotografias de parentes, de familiares dos amigos e dos meus pais e dos meus sogros. Admiro e amo fotos, e para mim é um hobby que me faz muito bem e me distrai bastante.
Rosendo Nascimento e Joaquina (Quininha)

Félix Macedo e Suleta

José Gil e Toinha

Joaquim Souza e Lia

José Pereira Romão e Laura

Luis Pereira e Silva (Lulu) e Zeneida


Manoel Ricardo e Maria (Cota)

Nicolau Monteiro Macedo e  Diolina

Raimundo Gonçalves e Maria Emília 

Antonio Luis e Ritinha (segunda esposa)

Antônio Luis e Santina Maria
 Zeca Marques e Maria Almeida
Antônio Teotônio e Josefa

Aurélio Silva e Celmar
E-MAIL RECEBIDO
É,  agora digo como o poeta: "...Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver!"  Maravilha mesmo é constatar que quando nos envolvemos com  o décalogo de Moisés, as ideias de salvação brotam surpreendentemente de forma simples e dinâmica. Parabéns! Sei que vou manter sempre este "Parabéns pra você" e o meu muito obrigada. Que exemplo de desprendimento. É o seu recado para Deus em grande estilo.
Socorro Aguiar, Rio de Janeiro, RJ






domingo, 1 de julho de 2012

Bazar Solidário

 01..07.2012


É tão bom sonhar! É maravilhoso quando conseguimos atingir os nossos alvos, as nossas metas. Aprendi com minha mãe o gosto por decoração. Apreciar objetos decorativos e vistosos para que a casa ficasse bem arrumada, isso a deixava muito feliz. E quando via a casa toda encerada com cera Cachopa, pelo encerador João Pedro, o mosaico ficava brilhando, que podia ver o rosto. Tenho na lembrança as cadeiras de palhinhas que eram usadas na sala de visitas e todas elas vestidas no encosto com tecidos de linho ou algodão grosso, de cor branca e bordadas em ponto Richelieu, com as iniciais do casal. Um tempo depois, já com mais recurso financeiro comprou as poltronas de pernas de palito. Era um show! A sala de jantar toda trabalhada fabricada na Movelaria de seu Cipriano, a mesa com 6 cadeiras, a cristaleira e o bar, na cor escura. A cristalina repleta de taças de todos os tamanhos e na parte de cima um conjunto de louça para chopp, na cor escura, em tom envelhecido. Quadros pintados pregados na parede. Um tapete enorme na sala de visitas e outro na sala de jantar. Mamãe sempre acompanhava papai até Recife para fazer compras de peças decorativas para surtir a sua loja de móveis, localizada na Rua Alencar Peixoto. Papai confiava muito no gosto apurado que mamãe possuía para escolher os enfeites de decoração, de venda fácil. Era chegando a mercadoria, desencaixotando, expondo e já bem rápido eram vendidas. Mamãe também tinha uma veia fabulosa para criar, uma espécie de arquiteta. No quintal de nossa casa, ela construiu junto com  o mestre de obras, seu Pinheiro, uma bela pedra só para ornamentar, construída com tijolo, e ela com suas mãos, foi esculpindo com o cutelo, e vez por outra observava para ver se estava ficando idêntica ao formato da pedra que ela pescou a ideia da revista Casa e Jardim. E foi assim que a convivência com mamãe despertou em mim o desejo de ter um quarto só para mim. Na reforma da nossa casa, tive o privilégio de ter o meu quarto. Só meu! Enfeitava-o com pequenas bugingangas, como jarrinhos de louça, em cima do penteador, álbuns de fotografias, um porta-retrato que ganhei de minha madrinha, Stela, no dia do meu aniversário. Colocava em pequenos vasos rosas naturais que tirava do jardim de nossa casa. Fui crescendo e o gosto de ver coisas bonitas, de apreciá-las e a grande vontade de adquiri-las. Mas, como? Cadê o dinheiro para comprá-las. Ficava só na vontade, o sonho, porém persistia, um dia vai dar certo comprar. Após, minha formatura no magistério, consegui um emprego, com meu tio, Valdo Figueirêdo, nas Lojas Credilar. Beleza pura, ganhava o meu salário e fazia minhas compras. Quando noiva, já me preparando para casar, comprei conjuntos de taças, de copos e de jarras na Casa Morais, ainda tenho algumas peças. Outra loja onde costumava fazer compras, A Vencedora. Conjuntos de pratos de sobremesa de inox com a boleira; conjuntos de chá e café comprei-os na A Beira Fresca; em Marieta Decorações comprei xícaras, bule, leiteiras, tudo em porcelana. Os meus lustres de vidro soprado, também foi lá que comprei. O tempo passando e o acervo aumentando. Casada, querendo minha casa bem arrumada parti para a diversidade de objetos: louças, vidros coloridos, conjuntos de taças de várias cores, garrafões, travessas coloridas,  xícaras grandes e pequenas de vários formatos, pratos de várias cores. O exagero foi grande, confesso. E como armazenei todos estas ornamentações em 31 caixotes-plásticos tipo supermercado (que chamo de contêineres). Acontece, que foi um sonho realizado que me proporcionou imenso prazer. Como ficava orgulhosa quando familiares e amigas chegavam na minha casa e diziam: “Neuma, já mudou a decoração? Agora é tudo verde?” E a risada de satisfação corria frouxa. “O que está preparando para daqui a duas semanas? Que novidade você já pensou?” Durante anos e anos minha rotina foi essa, uma satisfação pessoal de renovar, de misturar cores, de envernizar meu ego com elogios. Mas tudo tem seu tempo, já usufrui demais dessa alegria, desse lazer. Agora se tornou uma insatisfação. A idade chegando, o cansaço, a indisposição. O que busco agora, é uma vida mais ligth, com menos afazeres e menos trabalho. E o que resolvi fazer para tirar de mim este peso, foi realizar um bazar da maior parte dos meus enfeites, um Bazar Solidário. As peças expostas à venda estão em perfeito estado de conservação, não apresentando manchas, rachaduras ou defeitos, e algumas sequer foram usadas.
O que for arrecadado com a venda será distribuído com três instituições: O Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, tendo como superiora Madre Aparecida para ajudar na construção da Igreja; o Albergue Sagrada Família, administrado pelo casal Carlinhos e Graça que abriga 56 idosos (homens e mulheres) e a Casa de Lazer do Ancião Feliz, criado por dona Francisca Benício e administrado por Zenilda Benício, abriga 24 velhinhos (homens e mulheres). Para colocar em prática essa minha ideia contei com o apoio de meu marido, minha cunhada Gilvânia Grangeiro Macêdo e Mano Grangeiro Tavares que traçaram  todo o ritual que será apresentado e exposto aos amigos. Atenderam prontamente ao meu chamado, Maria Cleone Gomes Ferreira e Sílvia Rejane Ferreira Pereira, avaliaram o preço para colocar nas peças. Minha comadre e amiga, Francisquinha Cordeiro, que me ajudou a concluir com mais rapidez o levantamento das peças. E ao meu filho, Daniel Junior, minha nora, Luana e Stela López, que codificaram e etiquetaram todas as peças. E por último, ao meu sobrinho Pedro Grangeiro Macêdo, publicitário que criou a logomarca do bazar. Registro também a disponibilidade de Suelan, de Suel Festas que se prontificou a me arranjar mesas, toalhas e o que mais fosse necessário para a exposição dos produtos. A abertura do bazar será às 15:00, do dia 14 de julho próximo, em minha residência, na Rua Santa Rosa, 776, Bairro do Socorro (Telefones de contato: 3511 0663; 8835 7956 ou 9942 7722). Espero ansiosa contar com a presença de familiares, amigos e amigos dos amigos. Que Deus abençoe este projeto que venho alimentando com tanto carinho, cobrindo-o de sucesso, porque assim ajudaremos bem mais a nossa causa, que é auxiliar as três instituições citadas.
                     Seja também solidário, abrace esta causa!
                                                                  Vânia, Mano, Pedro e Suelan
Francisquinha, Cleone, Sílvia Rejane, Stela, Luana e Daniel Junior

Alguns dos enfeites

 
 

Pedra esculpida por mamãe e os móveis comprados na movelaria de seu Cipriano

E-MAIL RECEBIDO  
Olá amiga!  Todo domingo veja a sua coluna. Postei um comentário sobre os seus "Mofados". Fiz com a ajuda de uma pessoa, mas pelo que pude ver domingo este agora, não deu certo, na hora de enviar novamente. Adorei todas as lembranças e principalmente a que se refere a "Pai Bel", esta me remeteu aos tempos em que ia estudar na casa de Socorro Romão e aí, minha amiga, foram tantas recordações... Um abraço e obrigada mais uma vez por fazer valer o bordão: "Recordar é Viver", e viver já com uma maturidade suficiente pra entender como foi importante este "passado", que até hoje é presente.
Socorro Aguiar, Rio de Janeiro, RJ