sábado, 7 de abril de 2012

As fotos-relíquias do Estúdio J. Saraiva

08.04.2012


Faz algum tempo que organizei minhas fotografias (que não são poucas) e encontrei um álbum bem antigo, de folhas grossas e cor cinza, com um papel fino na frente para proteger a foto, e que se pregavam cantoneiras para colá-la. Que alegria senti quando abri o álbum e vi minha foto junto com minha irmã Regina, fotografada no famoso estúdio J. Saraiva, de Crato. Revivi então, a minha infância cheia de ilusões e de brincadeiras. Do meu cabelo comprido e castanho. E da euforia e expectativa que sentimos nesse passeio ao Crato para sermos fotografadas pelas lentes mágicas desse conceituado estúdio. No caminho passamos bem próximo do local, num pequeno morro do lado esquerdo de quem ia para o Crato, um pequeno túmulo com uma cruz pregada em cima, onde aconteceu o assassinato de Belchior, uma pessoa muito temida por seu comportamento intransigente e agressivo. A história que ouvíamos sobre ele era de assombração, que ele causava pânico e assombrava as pessoas. E o medo que nos atingiu quando passamos por esse local, o pavor e o coração batendo rápido acontecia sempre comigo quando sentia um medo grande, no momento me benzi com o sinal da Cruz. A viagem continuou e no horário já previamente marcado chegamos pontualmente na residência e estúdio de J. Saraiva. Fomos convidados para entrar numa sala; uma sala escura e nesse espaço a fotografia era tirada. Recebemos as instruções para que pose seria melhor, o jeito de como deveríamos nos posicionar para que ficasse perfeita, sem nenhum defeito. Como foi bom quando recebemos a foto, tivemos uma enorme surpresa, era colorida. Nessa época só  existia a foto preto e branco em nossa região. O charme e beleza de tudo isso, só descobrimos depois, que foram executadas pelas mãos habilidosas de Dona Telma Saraiva. Os juazeirenses sempre procuravam esse estúdio para fotos de formatura, de primeiro aninho de criança ou quando queriam uma foto bonita para colocar em porta-retratos ou em molduras para pregar na parede. Senti no momento que encontrei o álbum a necessidade de expor, mas como seria, pensei: é bom que coloque na minha coluna, mas só essa foto que tenho não tem muita graça, seria mais conveniente colocá-la junto de outras fotos interessantes que fazem parte do meu acervo pessoal. Eis que surgiu a oportunidade que tanto sonhara quando vejo na capa da Cariri Revista, edição 05, a foto de Telma Saraiva, e dentro da revista várias páginas contando sua vida, as suas nuances, a sua veia artística e o seu dom de pincelar com muito amor a fotografia que foi o seu viver até 2003. Hoje, ela revive seus momentos de glória e de  prazer com fotografias espalhadas pelo mundo a fora, sabendo que provocou nas pessoas a alegria de ter colocado sua arte em cada trabalho executado. Um detalhe interessante que deve ser mencionado aconteceu no casamento de minha prima Socorro Figueiredo Macedo. Foi contratado o trabalho do senhor José Saraiva para registrar o evento. Na Igreja Matriz a cerimônia do casamento tudo transcorreu normal, mas o coquetel na residência deu pane na energia elétrica gerada pela então, Celca. Todos pensaram que fazia parte do ritual, que tinha sido programado para causar um efeito mais bonito. Ledo engano, foi falta de energia mesmo, e agora o que fazer? Como fotografar no escuro? O flash da máquina era insuficiente, a sugestão surgiu rapidamente, que seria colocar velas em todos os lugares, que iluminasse o cenário para não prejudicar o andamento da festa e das fotos. Socorro contou emocionada esse fato e as fotos dizem isso. O fotógrafo muito habilidoso cumpriu fielmente o seu trabalho.  
                                 Abaixo mostro algumas fotos produzidas por Telma Saraiva:
1.Eu e minha irmã Regina. 2. Minha prima Socorro Romão

1. Meu primo Eudôrio Pereira Romão  2. Minha amiga Fátima Cruz.


Casamento de minha prima Socorro Macedo com Francisco Silva Lima (dá para perceber as velas que mencionei no texto).
   

domingo, 1 de abril de 2012

Enfoques que acontecem no período da Quaresma

01.04.2012

A quarta-feira de Cinzas dá início ao período quaresmal, período de quarenta dias que nos levam a uma reflexão sobre o martírio de Jesus, o seu sacrifício doando a sua própria vida para a remissão dos nossos pecados. Os nossos antepassados nas quartas e sextas-feiras não comiam carne e jejuavam, em sinal de respeito, de contrição e também como forma de oferecer a Deus um sacrifício. O tempo foi passando e os costumes foram aos poucos desaparecendo. Hoje, o rito que a Igreja Católica Apostólica Romana anuncia o jejum e a abstinência somente na quarta-fera de Cinzas e na sexta-feira da Paixão ou sexta-feira Santa. Alguns católicos mais fervorosos oferecem durante este tempo uma penitência como renunciar uma coisa que gosta muito de fazer, por exemplo : comer doces, assistir a filmes, usar maquiagem etc, e também visitam alguma igreja para meditar o exercício do caminho do Calvário, chamado de Via Sacra. Não se vê com tanta frequência como antigamente as pessoas praticarem este ato de salutar exercício. Após as cinco semanas da Quaresma, inicia-se a Semana Santa com a entrada de Jesus em Jerusalém, sua cidade. Aclamado com ramos que as pessoas apanharam no campo e os agitavam gritando: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Após essa entrada triunfal em Jerusalém, Jesus é julgado pelo rei Herodes, que o mandou flagelar e o entregou para ser crucificado. Na terça-feira a igreja comemora a Procissão do Encontro, a aflição de Maria Santíssima vendo o sofrimento de seu filho, Jesus com a cruz às costas a caminho do seu martírio. É uma procissão que chama a atenção das pessoas e dos fieis porque as mulheres carregam o andor de Nossa Senhora e os homens carregam o de Jesus. Nesse percurso é meditada as estações, parando em casas de famílias que antes já se ofereciam para que sua casa recebesse o celebrante e a recitação do Evangelho. E no final quando acontece o encontro dos dois, de Jesus e Maria, o Padre faz a homilia registrando todo o sofrimento de Cristo. Na quinta-feira acontece o lava-pés e à noite as igrejas convidam os fieis para participarem da Vigília Eucarística. Estabelecendo-se horários para que a comunidade, os grupos e as pastorais orem diante de Jesus Eucarístico. Foi na participação da Ceia com os apóstolos que Jesus instituiu a Eucaristia. Na quinta-feira e na  sexta-feira, aqui em nossa cidade é costume subir a colina do Horto como mortificação. Em todo o percurso do caminho vemos toda a Via Sacra feita em alvenaria, quase em tamanho natural até à chegada ao pico da colina. Na sexta-feira à noite acontece a procissão do Senhor morto. No sábado próximo à meia-noite celebra-se a Ressurreição de Cristo, na qual já acontece o hino do Glória, que no período da Quaresma não é permitido cantar. A igreja fica toda ornamentada com flores, os altares voltam a receber as ornamentações que lhe são peculiares. Entoam-se cânticos alegres, o círio pascal é acendido e os participantes vibram com o anúncio da presença do Ressuscitado e do seu imenso amor para com todos nós. 
Aproveito a oportunidade e coloco em destaque vários modelos de Via Sacra que captei das igrejas de nossa cidade e de cidades que visitei e também da procissão de Ramos.    
1. Via Sacra do Caminho do Horto. 2. Igreja de São Miguel. 3. Santuário Basílica de Nossa Senhora das Dores. 4. Capela do Socorro. 5. Santuário do Sagrado Coração de Jesus. 6. Triunfo, PE. 7. Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Caruaru, PE) e  8. Igreja Matriz de Senhora Santana (Gravatá, PE)
Procissão de Ramos em Juazeiro (Santuário do Sagrado Coração de Jesus)

E-MAILS RECEBIDOS
Tia Neuma, que homenagem linda! Muito obrigado, fiquei muito feliz e adorei as fotos! Bons momentos! E é muito legal olhar pra trás e perceber que foram experiências como essas que me fizeram quem sou.
Um beijo do sobrinho,
Artur Menezes

Tia Neuma,
Boas recordações suas, das férias entre a sua casa e a casa do papai, da companhia dos primos, do seu "super cuidado" (só hoje entendo, depois dos pequenos terem nascido). Foram muitos anos de convívio de cujos detalhes lembro-me muito bem: macaca Kelly no pé de sirigüela, seus biscoitos de nata, picolés de coco, iogurte natural, o gabinete cheio de livros do Daniel, domingos assistindo à missa na matriz com o Daniel Júnior para depois "bilar" as meninas na Praça Padre Cícero, as músicas sempre troando no quarto do Michel... Muito disto, da mesma forma, vivido pelo Artur que, com certeza, também recorda com alegria.
Um grande abraço e beijo do sobrinho e família.
Eduardo Macedo                        

sábado, 24 de março de 2012

O ídolo, Artur Menezes

24.03.2012

Domingo, 18, no Diário do Nordeste, Caderno 3, p 5, vejo estampado a foto de Artur, com a seguinte manchete: Artur Menezes vai abrir shows do ídolo Buddy Guy no Brasil. O sucesso que o tem acompanhado neste Brasil afora e também no exterior tem nos deixado bastante orgulhosos. Digo assim, porque ele é filho do engenheiro juazeirense e também luthier Mestre Aldo Marcozzi. Ele já fabricou uma guitarra para Artur e para Eduardo (irmão de Artur) uma rabeca. Recentemente participou do II Ceará das Rabecas, ele é meu irmão. As lembranças surgem rapidamente com relação ao meu sobrinho. Do período que morou em Juazeiro, ano de 1989. Época em que veio de Fortaleza juntamente com seu irmão Eduardo, para ficar na companhia de seu pai durante o segundo semestre daquele ano. Estudou no Sossego da Mamãe (hoje Escola Sossego), cursando Alfabetização II. Vinha sempre brincar com os meus filhos, Michel e Daniel Junior. A idade dos primos diferenciava bastante da sua idade e por isso não era bem recebido nas brincadeiras. As brincadeiras eram mais com Eduardo,  por ter a idade mais próxima da dos meus filhos. Artur ficava irritado, aborrecido e às vezes até chorava porque não participava das brincadeiras, como campeonato de botão, de colher e tirar com a vara as frutinhas do pé de seriguela e também subir nele. Ficava bem emburrado e Dudu (nome carinhoso de Eduardo) procurava consolá-lo dizendo: “tenha paciência que vai chegar a sua vez”, nisso o abraçava com muito carinho. Agindo dessa maneira ele se conformava, deixava a ciumeira de lado e ia brincar com os seus bonequinhos de plástico, animais e carrinhos. A presença de Dudu era muito importante para ele nessa fase, ele sentia-se bem protegido. De longe gostava de ficar observando como Dudu tinha cuidado com ele. Voltaram para Fortaleza para ficar na companhia de sua mãe. E sempre nas férias escolares, de janeiro e de julho, a dupla vinha passá-las com o pai. Não deixavam de vir me visitar, para pedir minha bênção. E ai se não viessem, era um carão na certa. O aniversário de Artur é no mês de julho e sempre coincidia de ele passar aqui. Ligava logo cedo para parabenizá-lo e dizia: “passe aqui em casa, que tenho um presentinho para você”. Costumava colocar em um envelope uma pequena quantia em dinheiro, e quando ele chegava acompanhado de seu pai, de seu irmão caçula, Pedro e da esposa de seu pai, Vânia. Abraçava-o lhe desejando um feliz aniversário e entregava o envelope dizendo: “compre alguma coisa, ou lanche, sorvete, o que o dinheiro der, ele ria, agradecia e ficava a brincar com o irmão, enquanto Aldo e Vânia papeavam com a gente. Nessas ocasiões ele aproveitava também e ia até o quarto de Michel que já possuía uma guitarra e começava a mexer tentando tocar. Quando dedilhava nas cordas, a maneira de segurar a guitarra nos dava a impressão de que já sabia tocar, não era um mero intruso. O pai orgulhoso, dizia: “esse menino vai ser um bom músico, parece que já nasceu sabendo”. E assim, o tempo foi passando, e ele juntamente com seu irmão, Eduardo e outros companheiros criaram uma banda de rock, a Blues Label. Quando desfeita a banda, formou com outra turma, De blues em quando. Também a banda Led Zeppelin Cover, Hards Volts, Artur Menezes e os Caras, The Shakes (Chicago), Charlie Love (Chicago). Sua carreira solo tem atingido o ápice e hoje é considerado um dos principais instrumentistas do Brasil, segundo os especialistas. Passou uma temporada de dois meses em Chicago (EUA), onde tocou com John Primer, Buddy Guy, Brother John e outros. Participou várias vezes do Festival de Blues em Guaramiranga-CE, que acontece sempre no período de Carnaval. E também em Garanhuns-PE, no mesmo período. Em Juazeiro, já se apresentou no Centro Cultural Banco do Nordeste, no Auditório Patativa de Assaré, no Sesc. Deu uma canja, na loja Fonte Musical,  usando os instrumentos da loja para efeito de divulgação e de incrementação das vendas. Já fez várias turnês percorrendo o Nordeste, o Norte, São Paulo e Rio de Janeiro. Tem residências em São Paulo e em Fortaleza. No momento se encontra em Fortaleza. No início do mês de maio se apresentará aqui, em nossa cidade no Teatro do Sesc.  
Na memória fotográfica abaixo alguns momentos de Artur:
1, Artur é o da direita sentado no banco, ao seu lado está seu primo Luis. Em pé: Daniel Junior (E) e Eduardo (D). 2. Na residência do pai. Da E/D: Aldo, Artur, João (primo), Pedro (irmão) e Daniel Walker. 3. No apartamento da tia, Analuce, em Fortaleza junto com familiares. 5. Artur e minha neta Heloísa.


























1. Artur comigo em minha residência. 2. Na residência do pai com seus sobrinhos gêmeos Davi e Heitor , seu irmão Eduardo e a esposa deste, Ritemeia. 3. Artur, criança, ao lado pai na Capela de São Vicente em Juazeiro, por ocasião da missa de minhas bodas de prata. 4. Artur quando morava em Juazeiro.
http://www.arturmenezes.com.br/






E-MAIL RECEBIDO:

Tereza Neuma, 
Falar assim de maneira lúdica e de peito aberto sobre carregadores d'água nos lombos de burro (sem nem mesmo esquecer o nome do carregador), dos pãozeiros, dos tamancos de madeira usados pelos alunos, das lojas que alugavam bicicletas, das escolas de datilografias, dos leiteiros. E de tantas outras informações afetivas de uma época, tudo isso, no meu modo de entender tem um "certificado" de valorização indescritível. Desses valores que não se houve e não se vê em qualquer lugar do planeta. Mas, apenas pelas lentes da alma. Então, dessas memórias lindamente descritas, passadas por vezes inadvertidamente, é preciso reconhecer esse teor de tão gande importância, que nem mesmo os meios acadêmicos são capazes de absorver. Isso é humanidade. Lembrar o lado afetivo com tantas minúcias e amorosamente é reconhecer a memória de um povo, de um lugar. O nosso coração ainda pode se alegr ar de existir pessoas com essa capacidade de belas recordações, fazendo dessas mesmas recordações um sentimento de história de um povo. Parabéns Tereza Neuma pelo SIM de tantos registros geniais. E pelo NÃO de se omitir a narrar uma história que de fato existiu. 
Carlos Pontes 
Parnaíba-PI 

domingo, 18 de março de 2012

Maria Almeida, sogra, amiga e segunda mãe

18.03.2012

Muitos anos já se passaram do meu primeiro encontro com Dona Maria, foi no mês de maio. Daniel estudava em Recife e resolveu passar o "Dia das Mães" com ela, e para se encontrar comigo. Aproveitou a ocasião e me levou até sua casa para conhecê-la. Não tinha a menor ideia de como seria recebida, de como seria o nosso encontro, se seria do seu agrado ou não, ou então, de aceitação ou não. Mas, o inesperado aconteceu. Uma empatia surgiu imediatamente entre nós. O seu sorriso brejeiro me cativou e aquele  seu carinho na forma de abraçar foi como se estivesse me acolhendo, dando o sim para o nosso namoro.
O tempo foi passando e a cada visita que lhe fazia, a nossa amizade aumentava. Em sua casa fui sempre recebida com muito afeto, tinha sempre bolo para oferecer e um suco preparado na hora. Noivamos, e as lições e os ensinamentos que ela me dava eram absorvidos no sentido de procurar imitá-la para que a minha união com o seu filho fosse fecunda e duradoura como era a dela com seu Zeca.
Ah! Quanta sabedoria aquela mente soube transmitir para muita gente. Para os filhos, vizinhos, amigos, irmãos e para o seu grande amor. Esposa devotada, não se descuidava em nenhum momento dos cuidados para com seu Zeca. Os ternos brancos que ele usava para vender joias nas feiras de Crato, Barbalha e Missão Velha, ela confiava a uma especialista em passar roupa, o seu prazer era que ficassem impecáveis. Gostava de presenteá-lo com o perfume que ele mais apreciava, Promesa, e fazia questão de perfumá-lo. Todo esse carinho, eu gostava de observar. E dizia comigo mesma: tentarei fazer com Daniel o que dona Maria faz com seu Zeca.
Casamos, e os conselhos continuaram. Vez por outra necessitava de sua ajuda para fornecer o almoço, porque nunca fui de cozinhar. Tenho verdadeiro pavor de cozinha, e assim ela sempre quebrava meu galho para que Daniel não ficasse irritado. Sem esperar, descubro que estou grávida, e ela com suas mãos de fada bordou o enxoval do seu neto. Camisinhas de pagão, conjuntinhos com mangas, todo pregado no ponto paris. Como era caprichosa. A felicidade foi grande com o nascimento do seu primeiro neto, porque já tinha duas netinhas. No primeiro mês fiquei em sua casa, ela e Maria cuidando de Michel e de mim, porque o parto foi cesariano e tive algumas complicações. Banhos, acalentar, chá para cólicas, tudo isso ela se encarregava de fazer. Quando voltei pra casa todos os dias ela ia visitá-lo. Retornei à Faculdade, ela e Maria iam cuidar dele, enquanto Daniel e eu estávamos na Faculdade, em Crato. Foram sete meses de muita ajuda para que concluísse a faculdade. Incontáveis os momentos de que precisei dela. Engravidei outra vez e mais uma vez caprichou no enxoval, sua vista ainda era perfeita. As camisinhas lindas. Que lembranças! E a recomendação de que a primeira roupinha que tinha que vestir era amarela, ela dizia que era para dar sorte. Chegou a hora do nascimento Daniel ficou com Michel em casa, porque ele estava com quatro anos e foi ela que me acompanhou na maternidade. Naquela época o calçamento da rua que moramos era de pedra, e ela não gostava de vir em nossa casa para vê-lo. Nós tínhamos por dever levá-lo todos os dias para que ela ficasse um pouco com ele no colo, ou o levava para passear na Praça do Cinquentenário. Em nossos passei-os, festas de aniversários dos netos não podia faltar o trio: Seu Zeca, dona Maria e Maria. Nas comemorações do colégio que os netos estudavam, fazia questão de comparecer e como ia arrumada e também bem perfumada. A sua presença era um orgulho para nós. Recorria a mim para comprar suas roupas, fazer seu mercantil, levá-la para o médico, dentista. Gostava de passear pelo Shopping, visitar as lojas. Tinha uma especial predileção pelas Lojas Esplanada. Na companhia de Seu Zeca gostava de sentar na praça, conversar com amigos e vizinhos. Contar piadas, anedotas, esse era um comportamento que destoava um pouco da sua maneira pacífica, simples e modesta. Poucos conheceram esse seu lado humorístico.
 Com a morte de seu Zeca o prazer de viver foi sumindo, chorava muito, não tinha gosto de sair de casa. Ficava muito tempo deitada. Procurávamos sempre distraí-la, levando-a para a Palmeirinha, vila em que nasceu, ou então, para Caririaçu, ficava sentada no banco da praça apreciando a beleza das árvores, chupava balas, entrava na Igreja de São Pedro e fazia suas orações. Levávamos para a padaria da esquina e comprava as famosas broas que ela tanto apreciava. Como era bom!
E assim, de repente ela nos comunica que estava sentindo uma dor que a vinha lhe inco-modando. A levamos para o médico, foram feitos exames e nada de descobrir a causa da dor. Daniel comunicou a Carlos Alberto seu filho que mora em Fortaleza. Então, ele resolveu levá-la para Fortaleza porque a assistência era melhor devido o seu plano de saúde. Chegou acompanhado de sua esposa, Ozenir e rapidamente providenciaram a viagem  no sentido de lhe dar o melhor em termos de tratamento. Em Fortaleza permaneceu por 18 dias, médicos e mais médicos a examinaram, exames, tomografia, ultrassonografia, tudo que tinha do melhor na medicina. O que indicaram somente o tratamento prescrito para passar a dor. Carlos Alberto e Ozenir a trouxeram de volta e aqui ficaram de setembro até os seus últimos momentos. A assistência familiar, domiciliar e hospitalar foi tudo correto.
Para ela, essa pessoa exemplar, religiosa, acolhedora, sábia, amiga, brincalhona, conselheira, mãe amorosa, vó querida, todo o nosso amor.

E termino dizendo, o que Michel, seu neto, dizia sempre quando a visitava: cadê a mulher mais feliz do mundo? E ela rindo respondia: “Sou eu, sem nenhuma modéstia, pois tenho um marido amoroso, tenho filhos que me amam, netos que me admiram e noras maravilhosas. O que quero mais da vida!”


Nas fotos abaixo alguns momentos vividos por Dona Maria Almeida
1. Recebendo seu presente do Dia das Mães em 1999.  2. Recebendo seu presente de aniversário (82 anos). 3. Na comemoração do lançamento do livro do neto Michel, Fragmentos de insônia

1. Aniversário de 11 anos do neto Daniel Junior. 2.  Três anos do neto Daniel Junior, comemoração realizada na Escola Menino Jesus. 3. Aniversário de 7 anos do neto Michel. 4. O neto Michel recém-nascido em seu colo.



1.Presença no lançamento do livro Neuma, uma mulher de fibra e de fé, no Panorama Hotel. 2. Com Madre Aparecida, superiora do Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória.  3. No  Cariri Shopping com a amiga Dona Junilha Morais. Também é vista na foto a filha de Dona Junílha, Odinília.

1.Na colação de grau em Engenharia de Produção do neto Daniel Junior, em 2001. 2. Na comemoração da diplomação como Doutoranda do ABC da bisneta Heloísa na Escola Sossego. 3. Num passeio à cidade de Caririaçu. 4. Na comemoração da diplomação como Doutoranda do ABC da bisneta Isadora. na Escola Sossego.

Recebemos da amiga Socorro Aguiar, juazeirense residente no Rio de Janeiro a seguinte mensagem:
Rio de Janeiro, 10 de março de 2012 
QUERIDOS AMIGOS: Daniel, Neuma, Carlos Alberto, Ozenir, “Maria”, enfim, TODOS, que como eu, pesarosamente vão agora juntos decifrar esta saudade. 
Quanto custa uma saudade?! Custa mesmo uma vida inteira, um “para sempre” ou até, muitas vezes, um doloroso “nunca mais”. Custa o vazio do encontro ou a desilusão da eterna busca em cima do que ficou pra trás ou do que nem foi vivido. 
 Lembro-me agora de algo escrito por Adolfo Casais em que ele diz: “A tua morte em mim é sempre nova em mim. Não amadurece. Não tem fim.” 
É como se ele quisesse me dizer: estarás vivo em mim enquanto eu viver. 
Pois assim é que, tenho certeza, edificaremos em nossos corações a doce lembrança de nossa querida, MARIA ALMEIDA, cujo testemunho de vida nos fez pensar sempre em como DEUS é soberano perante os que Nele acreditam. 
Bem aventurada foi ela que se conduziu a passos firmes quando tantas vezes a vida lhe fora amarga. Bem aventurada foi ela, zeladora impar do “seu perfil interior e exterior” tornando prazerosa toda convivência familiar. Insubstituível em suas responsabilidades do lar, contribuindo de forma justa para o engrandecimento da sociedade. 
Desde cedo, encontrou CRISTO, no seu mais íntimo e doloroso pranto, e, como tantas mulheres do Evangelho deixou-se iluminar por Ele, optando pela alegria de viver mesmo quando a regra era sofrer. 
Para mim particularmente, ficou o perfume doce de uma flor viva, cheia de encantos, delícias que cativamos juntas, como se tivéssemos a mesma idade, numa perfeita sincronicidade. Fomos felizes e eu muito mais, pela oportunidade deste convívio. Palestramos, trocamos ideias, contamos piadas com pureza d’alma e rimos enquanto pudemos e, em algumas vezes choramos juntas. Ouvi lindas histórias, me emocionei, enriqueci o meu viver. E agora, onde guardarei tantos tesouros!? 
Ai, chega! Tô cheia de saudades, ela sabia que seria assim. Neste primeiro momento são dados como certos, a perda e o irremediável “adeus”. Noutro amanhecer quem sabe, a gente se diga: “até breve”. 
Estou com vocês, partilhando com serenidade a ausência. Mas o alívio de sabê-la em PAZ nos dá o consolo que precisamos para seguir a caminhada. Isto também é para “Maria” a grande companheira. 
E pelo que ela semeou entre nós é que hoje faço esse depoimento para que vocês contem sempre com minha amizade sincera. 

Um beijo no coração de todos. 
Da amiga, 
Maria do Socorro Aguiar



segunda-feira, 5 de março de 2012

Músicas de minhas lembranças

05.03.2012
  
Música que mamãe costumava cantar para nos fazer adormecer, depois de um dia cheio de atividades, como: escola, deveres escolares para resolver em casa e as costumeiras brincadeiras, e assim o cansaço não nos deixava dormir algumas vezes, e se fazia necessário à sua presença para nos embalar, então mamãe com sua voz bem mansa e calma cantarolava essa canção:

Prece Ao Vento
Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que increspa as águas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me traz notícias de lá.

Vento que assobia no telhado
Chamando pra lua espiar
Vento que na beira lá da praia
Escutava meu amor a cantar

Hoje estou sozinha e tu também
Triste me lembrando de meu bem
Vento diga por favor [BIS]
Aonde se escondeu meu amor
  
Música agradável que em sua letra traduz uma euforia, uma alegria contagiante que aprendi quando fui aluna do Ginásio Mons. Macêdo  Cantei para os meus filhos quando deitava na rede para fazê-los dormir. Com a chegada das minhas netinhas também as fiz adormecer cantando essa música, como elas gostavam.

Alô bom dia!
Oh!como vai você
Um olhar bem amigo
Um alegre sorriso
E um aperto de mão
E a gente sem saber como e porque
Se sente feliz e sai a cantar a
alegre canção

Saber dar um bom dia cheio de bondade,
Dizer bom dia com sinceridade
É dar sempre o melhor do nosso coração,
Alô bom dia irmão!

Refrão..
 Bom dia nada custa ao nosso coração
E é bom fazer feliz o nosso irmão
Por Deus se deve amar,
Amar sem distinção,
Alô, bom dia, irmão!

Essa música que segue, aprendi quando pertenci ao grupo de Fadinhas. Em nossos passeios e reuniões ela sempre era cantada.

Pai Jacó
Pai Jacó é um crente
Que vem do Oriente
Do grandioso Alá
Que vende bolinhos quentes
Numa feira em Bagdá
Se ao invés de bolinhos
Vendesse pãezinhos
Ganharia dinheiro
Se viesse para cá
Lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá lá lá

Nos domingos à tarde, já mocinha acompanhada de mamãe, de meu padrasto e dos meus irmãos íamos assistir missa na Capela do Socorro, e quando passávamos em frente à casa de seu José Salviano e dona Betiza, na Rua Santa Luzia próxima a esquina da Rua Santa Cecília, hoje é a casa de Palmira Leitão, Pedro Salviano muito bem sentado na janela cantando essa marchinha de carnaval. O interessante era que ele cantava tão normal como se estivesse se apresentando num palco. Os transeuntes ficavam olhando admirados o seu jeito de cantar. Era muito desinibido e brincalhão.

Jardineira
Oh! jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
- Foi a camélia que caiu do galho,
Deu dois suspiros e depois morreu.

Vem jardineira! Vem meu amor!
Não fique triste que este mundo é todo teu.
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu ...

Música que cantei acalentando meus filhos quando bebês e depois minhas netas. Dá uma sensação de meiguice, de um desprendimento vendo aquela coisinha tão pequeninha adormecendo.

Boi da Cara Preta
Boi, boi, boi
boi da cara preta
pega este menino
que tem medo de careta

Essa dá muita saudade do meu pai, ele abraçando minha mãe e cantando para ela.

Beijinho Doce
Que ele tem
Depois que beijei ele
Nunca mais amei ninguém

Que beijinho doce
Foi ele quem trouxe
De longe pra mim
Se me abraça apertado
Suspiro dobrado
Que amor sem fim.

Coração que manda
Quando a gente ama
Se eu estou junto dele
Sem dar um beijinho
Coração reclama.

Abraço apertado
Suspiro dobrado
Que amor sem fim.

Meu pai, minha mãe, Pedro Salviano e o Ginásio Monsenhor Macedo