terça-feira, 31 de julho de 2012

Firmas que não existem mais em Juazeiro

 31.07.2012
     

Como sou de guardar, de resgatar, de colocar em caixas, gavetas, objetos, notas, sacolas de plástico, papeis, que para alguns não têm o menor valor, mas para mim significam muito, e quando estava organizando o Bazar Solidário descobri tesouros que nem lembrava mais. São peças de lojas que já não existem mais. E tem mais, encontrei também notas fiscais, adesivos atrás das peças e também sacolas. São lembranças demais! Caros leitores, vejam as lembranças de lojas, empresas que já atingiram o seu apogeu e, hoje, só a memória para guardá-las.
Samasa-Sebastião Arrais S.A - magazine com enfeites, miudezas, eletrodomésticos, bicicletas etc. Era uma grande loja com duas frentes, uma na Rua Santa Luzia e outra na Rua Conceição. A Samasa fechou suas portas e em seu local foi instalada a Lobrás (Lojas Brasileiras) a qual foi sucesso absoluto durante um bom período, mas houve uma decadência na empresa, e todas as lojas existentes no nosso país foram fechadas. O prédio está ocupado agora pela A Insinuante, na Rua Santa Luzia, e o Super Lagoa,  na Rua Conceição.
A  Pernambucana - ficava na Rua São Pedro com Rua Conceição. No início era uma loja de tecidos, de cama, mesa e banho. A loja se expandiu e construiu o primeiro andar. Nele encontravam-se enfeites, colchões, escadas, louças brancas e coloridas, uma variedade enorme de copos, taças etc. Atualmente neste prédio funciona a Lojas Zenir. 
Casa Morais - localizada no quarteirão sucesso da cidade, “slogan” de Coelho Alves, nas propagandas da Rádio Iracema. Esse quarteirão sucesso era considerado entre a Rua Santa Luzia até a Praça Padre Cícero. O prédio da Casa Morais, nº 506. Loja especializada em presentes. O seu proprietário, seu Raimundo Morais, de um bom gosto muito apurado, trazia para nossa cidade o melhor em peças finas de cristal, louças chinesas, Sabonete Sabão da Costa, de um aroma inesquecível. De repente nessas lembranças sinto o cheiro, a fragância que impregna meu olfato, do perfume do sabonete. Faqueiros em caixas de madeira, baixelas, um sortimento invejável que atendia ao gosto de todo freguês. Nesse prédio funciona atualmente Lojas Dulare.
Ótica Boa Visão - existiu nesse mesmo quarteirão, no nº 512, hoje está instalado O Boticário.
Lojas Credilar - localizada na Rua São Pedro, nº 317, esquina com Rua São Francisco, especializada em móveis, cozinhas, eletro domésticos e adornos de decoração. Neste local funciona hoje a Farmácia Avenida.
Américo Jeans, loja de confecções, especializada em modelos diversificados de jeans, de camisas e blusões, de preços inigualáveis. Funcionou na Rua Santa Luzia com Rua São Pedro. Está funcionando neste local a Pague Menos.
Banca de Revista de Liquinha - instalada na Praça Padre Cícero.
Foto Targino - um dos mais antigos estúdios fotográficos de nossa cidade, funcionou na Rua Delmiro Gouveia, nº 71.
Sapataria Frei Damião, prédio de nº 906, na Rua São Pedro, no local está instalada hoje a Beth Confecções.  
Casa São Judas Tadeu - prédio localizado em frente à Prefeitura, nº 1091. Hoje funciona o restaurante self service, Gastronomia Arte.
Supermercado Brasil - um dos mais sortidos nos anos 80, com vários caixas funcionando, muitos carrinhos na entrada do mercantil. Funcionou na Rua Alencar Peixoto com São Paulo. A loja existente no local hoje é uma loja de confecções e calçados, denominada Tá com tudo.
Rápido Juazeiro - a pioneira no transporte de passageiros em viagens noturnas, razão por que o ônibus era chamado de corujão. Ela inaugurou um serviço até então inédito nesta região: a assistência da rodomoça (a versão da aeromoça no transporte rodoviário). A Rápido Juazeiro depois foi vendida a Expresso Guanabara que hoje é líder em toda região cearense e em algumas cidades do Nordeste.
O que nos resta é recordar. E assim é nossa vida cheia de mudanças, de transformações, que na maior parte das vezes nos enriquecem. Entretanto essas transformações às vezes nos entristecem e nos fazem refletir como devemos encarar o passar dos anos, com o espírito de jovem, que vive alimentando os sonhos e as ilusões. 
Arca da Aliança - loja especializada no setor de calçados, a maior já existente em nossa cidade. Duas entradas; entrada pela Rua São Pedro e pela Rua São Paulo. Funciona agora o Atacadão Fort Tudo.
Abaixo mostro algumas imagens para lembrar as firmas (antigas) citadas:








domingo, 8 de julho de 2012

Galeria de fotos antigas

08.07.2012

As mudanças ocorrem e as lembranças ficam. Uma forma extraordinária de viajarmos pelo passado são as fotografias. Gosto de resgatar e fazer ressurgir através das fotografias um pouco do que já vivi. Hoje trago para meus leitores um tipo de fotografia muito comum no passado e hoje fora de moda por conta da mudança dos costumes imposta pela modernidade. Quando criança, visitando familiares e amigos dos meus pais, gostava de ficar olhando os quadros com fotografias pregados na parede. Era moda o retrato do casal junto ou em fotos separadas na primeira sala, ou melhor, sala de visitas. Os quadros do Coração de Jesus e de Maria eram fixados primeiro ângulo, quando se tratava de casal  católico,  e no outro ângulo a foto ou fotos do casal. As fotos geralmente eram feitas por fotógrafo profissional, verdadeiras obras de arte, copiadas  em sépia ou preto e branco. Depois veio a moda de colorir e algumas pessoas aderiram. Consegui trazer para a apreciação de vocês, caros leitores, uma pequena amostra de fotografias de parentes, de familiares dos amigos e dos meus pais e dos meus sogros. Admiro e amo fotos, e para mim é um hobby que me faz muito bem e me distrai bastante.
Rosendo Nascimento e Joaquina (Quininha)

Félix Macedo e Suleta

José Gil e Toinha

Joaquim Souza e Lia

José Pereira Romão e Laura

Luis Pereira e Silva (Lulu) e Zeneida


Manoel Ricardo e Maria (Cota)

Nicolau Monteiro Macedo e  Diolina

Raimundo Gonçalves e Maria Emília 

Antonio Luis e Ritinha (segunda esposa)

Antônio Luis e Santina Maria
 Zeca Marques e Maria Almeida
Antônio Teotônio e Josefa

Aurélio Silva e Celmar
E-MAIL RECEBIDO
É,  agora digo como o poeta: "...Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver!"  Maravilha mesmo é constatar que quando nos envolvemos com  o décalogo de Moisés, as ideias de salvação brotam surpreendentemente de forma simples e dinâmica. Parabéns! Sei que vou manter sempre este "Parabéns pra você" e o meu muito obrigada. Que exemplo de desprendimento. É o seu recado para Deus em grande estilo.
Socorro Aguiar, Rio de Janeiro, RJ






domingo, 1 de julho de 2012

Bazar Solidário

 01..07.2012


É tão bom sonhar! É maravilhoso quando conseguimos atingir os nossos alvos, as nossas metas. Aprendi com minha mãe o gosto por decoração. Apreciar objetos decorativos e vistosos para que a casa ficasse bem arrumada, isso a deixava muito feliz. E quando via a casa toda encerada com cera Cachopa, pelo encerador João Pedro, o mosaico ficava brilhando, que podia ver o rosto. Tenho na lembrança as cadeiras de palhinhas que eram usadas na sala de visitas e todas elas vestidas no encosto com tecidos de linho ou algodão grosso, de cor branca e bordadas em ponto Richelieu, com as iniciais do casal. Um tempo depois, já com mais recurso financeiro comprou as poltronas de pernas de palito. Era um show! A sala de jantar toda trabalhada fabricada na Movelaria de seu Cipriano, a mesa com 6 cadeiras, a cristaleira e o bar, na cor escura. A cristalina repleta de taças de todos os tamanhos e na parte de cima um conjunto de louça para chopp, na cor escura, em tom envelhecido. Quadros pintados pregados na parede. Um tapete enorme na sala de visitas e outro na sala de jantar. Mamãe sempre acompanhava papai até Recife para fazer compras de peças decorativas para surtir a sua loja de móveis, localizada na Rua Alencar Peixoto. Papai confiava muito no gosto apurado que mamãe possuía para escolher os enfeites de decoração, de venda fácil. Era chegando a mercadoria, desencaixotando, expondo e já bem rápido eram vendidas. Mamãe também tinha uma veia fabulosa para criar, uma espécie de arquiteta. No quintal de nossa casa, ela construiu junto com  o mestre de obras, seu Pinheiro, uma bela pedra só para ornamentar, construída com tijolo, e ela com suas mãos, foi esculpindo com o cutelo, e vez por outra observava para ver se estava ficando idêntica ao formato da pedra que ela pescou a ideia da revista Casa e Jardim. E foi assim que a convivência com mamãe despertou em mim o desejo de ter um quarto só para mim. Na reforma da nossa casa, tive o privilégio de ter o meu quarto. Só meu! Enfeitava-o com pequenas bugingangas, como jarrinhos de louça, em cima do penteador, álbuns de fotografias, um porta-retrato que ganhei de minha madrinha, Stela, no dia do meu aniversário. Colocava em pequenos vasos rosas naturais que tirava do jardim de nossa casa. Fui crescendo e o gosto de ver coisas bonitas, de apreciá-las e a grande vontade de adquiri-las. Mas, como? Cadê o dinheiro para comprá-las. Ficava só na vontade, o sonho, porém persistia, um dia vai dar certo comprar. Após, minha formatura no magistério, consegui um emprego, com meu tio, Valdo Figueirêdo, nas Lojas Credilar. Beleza pura, ganhava o meu salário e fazia minhas compras. Quando noiva, já me preparando para casar, comprei conjuntos de taças, de copos e de jarras na Casa Morais, ainda tenho algumas peças. Outra loja onde costumava fazer compras, A Vencedora. Conjuntos de pratos de sobremesa de inox com a boleira; conjuntos de chá e café comprei-os na A Beira Fresca; em Marieta Decorações comprei xícaras, bule, leiteiras, tudo em porcelana. Os meus lustres de vidro soprado, também foi lá que comprei. O tempo passando e o acervo aumentando. Casada, querendo minha casa bem arrumada parti para a diversidade de objetos: louças, vidros coloridos, conjuntos de taças de várias cores, garrafões, travessas coloridas,  xícaras grandes e pequenas de vários formatos, pratos de várias cores. O exagero foi grande, confesso. E como armazenei todos estas ornamentações em 31 caixotes-plásticos tipo supermercado (que chamo de contêineres). Acontece, que foi um sonho realizado que me proporcionou imenso prazer. Como ficava orgulhosa quando familiares e amigas chegavam na minha casa e diziam: “Neuma, já mudou a decoração? Agora é tudo verde?” E a risada de satisfação corria frouxa. “O que está preparando para daqui a duas semanas? Que novidade você já pensou?” Durante anos e anos minha rotina foi essa, uma satisfação pessoal de renovar, de misturar cores, de envernizar meu ego com elogios. Mas tudo tem seu tempo, já usufrui demais dessa alegria, desse lazer. Agora se tornou uma insatisfação. A idade chegando, o cansaço, a indisposição. O que busco agora, é uma vida mais ligth, com menos afazeres e menos trabalho. E o que resolvi fazer para tirar de mim este peso, foi realizar um bazar da maior parte dos meus enfeites, um Bazar Solidário. As peças expostas à venda estão em perfeito estado de conservação, não apresentando manchas, rachaduras ou defeitos, e algumas sequer foram usadas.
O que for arrecadado com a venda será distribuído com três instituições: O Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, tendo como superiora Madre Aparecida para ajudar na construção da Igreja; o Albergue Sagrada Família, administrado pelo casal Carlinhos e Graça que abriga 56 idosos (homens e mulheres) e a Casa de Lazer do Ancião Feliz, criado por dona Francisca Benício e administrado por Zenilda Benício, abriga 24 velhinhos (homens e mulheres). Para colocar em prática essa minha ideia contei com o apoio de meu marido, minha cunhada Gilvânia Grangeiro Macêdo e Mano Grangeiro Tavares que traçaram  todo o ritual que será apresentado e exposto aos amigos. Atenderam prontamente ao meu chamado, Maria Cleone Gomes Ferreira e Sílvia Rejane Ferreira Pereira, avaliaram o preço para colocar nas peças. Minha comadre e amiga, Francisquinha Cordeiro, que me ajudou a concluir com mais rapidez o levantamento das peças. E ao meu filho, Daniel Junior, minha nora, Luana e Stela López, que codificaram e etiquetaram todas as peças. E por último, ao meu sobrinho Pedro Grangeiro Macêdo, publicitário que criou a logomarca do bazar. Registro também a disponibilidade de Suelan, de Suel Festas que se prontificou a me arranjar mesas, toalhas e o que mais fosse necessário para a exposição dos produtos. A abertura do bazar será às 15:00, do dia 14 de julho próximo, em minha residência, na Rua Santa Rosa, 776, Bairro do Socorro (Telefones de contato: 3511 0663; 8835 7956 ou 9942 7722). Espero ansiosa contar com a presença de familiares, amigos e amigos dos amigos. Que Deus abençoe este projeto que venho alimentando com tanto carinho, cobrindo-o de sucesso, porque assim ajudaremos bem mais a nossa causa, que é auxiliar as três instituições citadas.
                     Seja também solidário, abrace esta causa!
                                                                  Vânia, Mano, Pedro e Suelan
Francisquinha, Cleone, Sílvia Rejane, Stela, Luana e Daniel Junior

Alguns dos enfeites

 
 

Pedra esculpida por mamãe e os móveis comprados na movelaria de seu Cipriano

E-MAIL RECEBIDO  
Olá amiga!  Todo domingo veja a sua coluna. Postei um comentário sobre os seus "Mofados". Fiz com a ajuda de uma pessoa, mas pelo que pude ver domingo este agora, não deu certo, na hora de enviar novamente. Adorei todas as lembranças e principalmente a que se refere a "Pai Bel", esta me remeteu aos tempos em que ia estudar na casa de Socorro Romão e aí, minha amiga, foram tantas recordações... Um abraço e obrigada mais uma vez por fazer valer o bordão: "Recordar é Viver", e viver já com uma maturidade suficiente pra entender como foi importante este "passado", que até hoje é presente.
Socorro Aguiar, Rio de Janeiro, RJ

domingo, 17 de junho de 2012

Espetáculos do Palhaço Alegria na Rua Santa Rosa, em Juazeiro

17.06.2012


A Cariri Revista está sendo um ótimo veículo de motivação de assuntos para a minha Coluna. A edição nº 6, traz na capa a bela Maria Gomide, e conta nas páginas internas a trajetória do grupo Carroça, criado por seus pais, Carlos e Shirley. Eles moraram também em Juazeiro e me lembro de quando residiram na rua onde moro, Santa Rosa, na casa de n° 813, uma casa bem simples, com o piso de cimento e uma porta e uma pequena janela. Dentro da casa eles colocaram almofadas espalhadas pelo chão, esteiras e apenas o essencial para a sobrevivência. Quando esse casal juntamente com um bebê chegou para morar no nosso quarteirão, tivemos uma grande surpresa por serem diferentes de nós, nos trajes, vestimentas de hippie (assim achávamos), a simplicidade e até no modo de falar, tinham sotaque de sulista. Saíam pela manhã e voltavam sempre à tardinha com o bebê colado no corpo do pai ou da mãe, no bebê canguru. Em conversa com minha vizinha, Francisquinha, no intuito de angariar mais informações sobre o casal, porque a memória precisou de uma sacudidela para avivá-la, ela lembrou de um pote de barro instalado na cozinha, um caneco de flandres pregado na parede e poucos utensílios domésticos. Algumas vezes entrava na casa e encontrava Maria, bebezinho deitada no colo da mãe ou dormindo. Gostavam de ficar sentados no chão por cima das almofadas. Numa das vezes Maria estava com febre e Francisquinha levou o termômetro para medir sua temperatura. As lembranças começam a aflorar e vejo-os com seus trajes típicos, Shirley com saias rodadas, blusas coloridas e chinelas rasteiras. Carlos, roupas folgadas, feitas de algodão cru e alpargatas de couro. Maria com roupinhas de bebê e fraldas de tecido. O casal quando passava cumprimentava os vizinhos rindo; demonstrava sempre estar alegre. Passava para nós o sentimento de que era feliz com a vida que levava, de poucas regalias e como andarilhos. O ganha pão dependia da plateia que assistia ao espetáculo do Palhaço Alegria, Carlos e, que no final da apresentação, Shirley passava o chapéu para receber as moedas. Nesse período que eles moraram por aqui, as crianças da vizinhança se divertiam muito. Violência, insegurança e medo não existiam nessa época. Ficávamos tranquilos acompanhando os passos enormes do palhaço montado em suas longas pernas de pau. Quando Carlos, o palhaço Alegria, avisava que ia ter espetáculo, dizendo assim: “Seja noite ou seja dia, viva o Palhaço Alegria”,   as crianças ficavam eufóricas e já se preparavam para acompanhar o passeio que ele fazia pelas ruas próximas. Nós, os pais, tínhamos que já preparar o dinheiro que os filhos levariam para colocar na rodada do chapéu. Todas as vezes, acompanhei meus filhos, Michel e Daniel Junior nessas andanças. O espetáculo acontecia na rua em que o palhaço queria. Ele parava, as crianças e os adultos se aglomeravam ao redor dele e daí surgia de dentro do palhaço gigante, bonecos feitos de cabaça, chamados mamulengos. De uma janelinha o primeiro a aparecer era o Cassimiro Coco, atrevido e brincalhão. O segredo da apresentação consistia na manipulação das mãos e da voz que emitia um som esganiçado. Todos os presentes ficavam encantados, e as palmas e os gritos e assovios surgiam. As crianças nas noites dos espetáculos iam dormir mais tarde e era um deus nos acuda para acordar no dia seguinte para ir ao colégio. Inspirado nos mamulengos do Palhaço Alegria, Michel (meu filho), criou vários bonecos feitos com gesso, pôs os nomes de cada um, e cada um deles tinha uma história. Acredito que no total eram oito bonecos. A roupa para que manipulasse os bonecos, eu fazia. Ele montava no seu quarto uma sala para a seção do espetáculo, estendia um lençol de um lado para o outro da parede e colocava cadeiras. E Daniel Junior se encarregava de distribuir os ingressos que ele mesmo confeccionava. Nossa casa ficava cheia de crianças e também de adultos, pois ele exigia a nossa presença, dos seus avós e de Maria. Toda vez que Daniel Junior tentava imitar Michel, se atrapalhava e como não sabia fazer tão bem, a plateia, (formada pelos coleguinhas) começava a vaiar e ele zangado acabava a brincadeira. Foi tão bom esse tempo que tivemos como vizinhos esses artistas de rua, que naquela época não eram tão famosos como hoje, mas tivemos o privilégio de tê-los como vizinhos e também pela alegria que proporcionaram para nossas crianças, somos gratos. Depois eles se  mudaram para o bairro João Cabral e perdemos o contato. Porém, em julho de 1999 fomos visitar familiares de Daniel em Brasília e em um dos nossos passeios fomos à Esplanada dos Ministérios, à Catedral e por fim conhecer o Conjunto Nacional, o primeiro shopping da Capital Federal. Ao entrar vejo um grupo de pessoas assistindo a uma apresentação no primeiro andar, ao lado da escadaria. Não acreditei no que vi, estava diante do Palhaço Alegria e toda sua família. Fiquei emocionada, não sabia que tinha crescido tanto a prole. Junto dos artistas, Carlos e Shirley estavam oito crianças, a escadinha nas idades. Assistimos até ao final do espetáculo e depois, nos identificamos, tiramos fotos com o grupo, nos abraçamos e, depois demos tchau. Achei estupendo esse encontro porque estava finalizando o fotobook que preparava para presentear Michel no dia de sua formatura. Tempos depois os vi num programa de TV e outra vez, aqui em Juazeiro, num domingo à tarde na Praça Padre Cícero debaixo do pé de Juazeiro. Dessa vez  não mais os meus filhos que foram assistir e sim minhas netas, Heloísa e Isadora. Ficaram admiradas dos palhacinhos com as pernas de pau e do Jaraguá. Sucesso, muitos aplausos e prosperidade para o Grupo Carroça de Mamulengos, agora sob a direção da artista nata, Maria Gomide.  

Cópia do ingresso para o show de bonecos de Michel e a capa da Cariri Revista com Maria Gomide
Nosso encontro com Carlos e sua família em Brasília.




domingo, 10 de junho de 2012

Descobrindo os mofados do meu baú – II

10.06.2012

 Não tem jeito, quando vou dar uma arrumada nos meus armários ou quando preciso de alguma coisa que se encontra nas gavetas, a surpresa chega de súbito e me vem logo à memória as lembranças de momentos felizes. E faço questão de dividir com os meus leitores. Objetos, quinquilharias, miudezas que certamente vocês já possuíram. É uma sensação muito gostosa que sinto quando revejo coisas do meu passado. O copo ou caneca com asa, de alumínio colorido com o nome gravado, foi presente de meu avô paterno, Pai Bel. As cruzetas de madeira, herdei-as de minha mãe quando casei. É a nova! Hoje encontramos de montão nas lojas de preços módicos, as chamadas lojas de 1,99, criadas a partir do plano monetário, do Real. Fabricadas em plástico colorido, porém não têm muita resistência, não suportam muito peso. O terço de ouro 18k, fabricado na oficina de propriedade do meu pai, localizada na Rua Santa Luzia com Rua Padre Cícero, chamava-se Ourivesaria Santa Luzia. Presente de meu pai na comemoração dos meus onze anos. O que exponho é folheado, não é de ouro, só para que tenham uma ideia de como era chique, o meu de ouro não sei que fim levou. As continhas eram pequenas e um crucifixo bem trabalhado. O meu Missal ou livro Adoremos, comprei-o na Papelaria Nossa Senhora de Fátima, de propriedade de dona Rosinha, localizada na Rua São Pedro esquina com Avenida Dr. Floro. A sua edição XXXII, de 1962. O meu companheiro nas missas, naquele tempo as missas eram rezadas em latim, e nele contém as explicações escritas em português de todos os momentos vivenciados na Santa Missa. O compacto duplo, tema da novela da Tevê Tupi, Antônio Maria, com os atores Sérgio Cardoso e Aracy Balabanian. Novela que fez o país parar, por ser a primeira novela exibida na televisão. Antes as novelas eram ouvidas pelo rádio e não assistidas. Essa novela contava a história de um amor muito bonita. Nessa época, ano de 1968, estava fazendo o cursinho no Diocesano para me submeter ao vestibular da Faculdade de Filosofia do Crato. A nossa turma gazeava aula para assisti-la. O radinho de pilhas, de marca Sharp, a coqueluche do final dos anos sessenta. Presente que recebi de Daniel, quando ele estudava em Recife, comprou-o após renunciar algumas merendas, andando a pé e conseguiu me dar esse belo presente. Foi um ato de amor mesmo, fiquei toda orgulhosa. A leiteira e a manteigueira Colorex, peças que fizeram parte dos utensílios que comprávamos semanalmente, após o recebimento do salário, ou melhor o vale que Daniel recebia como funcionário da Rádio Iracema, apresentando o Grande Jornal Sonoro Iracema, juntamente com o locutor Coelho Alves, diretor da emissora. Eu trabalhava nas Lojas Credilar vizinha da loja A Vencedora, de propriedade do senhor Severino Alves. Loja muito sortida, com louças, alumínios, perfumes etc. E no final do expediente no sábado, nessa época já funcionava a semana inglesa, Daniel encontrava comigo e íamos escolher o que dava para comprar, junto do catálogo das peças. A ansiedade era grande a cada sábado. As nossas compras para casarmos. A caixa de embalagem do sabonete Promesa, antes pertenceu à dona Maria (minha sogra), colocava dentro as linhas quando bordava. Depois passou para mim a caixa com as linhas. O ursinho musicado, presente que Michel ganhou quando nasceu. Acalentou muito o seu choro, do seu irmão Daniel Junior e das suas sobrinhas (e minhas netinhas, Heloísa e Isadora) quando passavam o domingo aqui em casa. O danadinho ainda funciona e guardo-o com muito cuidado, esperando acalentar ainda bebezinhos chorões. Hoje, os produtos não têm tanta resistência, são fabricados com o propósito de acabar rápido, para que se comprem novamente. É o tempo do descartável e a natureza cada dia mais poluída com  tanto material plástico espalhado por esse mundão a fora. Que pena!   

MENSAGEM RECEBIDA
Menina do Céu! Quis dizer mesmo Mimo do Céu... Hoje acordei ansiosa pra ver sua Coluna.Um tanto preocupada, pois mamãe já esta novamente na Clínica. São José. E como já estou em busca de passagens, procurei um ar fresco e encontrei no jardim de amores tão perfeitos e lídimas manifestações divinas, que você graciosamente pintou em sua coluna. E outra vez, parabéns a você que nos encanta com este recanto. Um abraço! 
Socorro Aguiar, Rio de Janeiro,RJ.