segunda-feira, 20 de abril de 2015

Guardados que encontrei quando arrumava a mudança - Parte III

Seletos leitores, hoje dou contiuidade a minha tarefa de selecionar o que trouxe da minha antiga casa quando da mudança para o Novo Juazeiro.. Sem mais delongas, vejamos o que ainda encontrei:   

- O álbum Ser Feliz presente de Daniel, ao completarmos 20 anos de romance, paixão e amor. Data do início do nosso namoro, 04/04/69 e data que recebi o presente, 04/04/89.




















- Romances que faziam sucesso na décadas de 60 e Antônio 70, e por aí vai. Os livros de Corin Telado, conseguia emprestado de Jane Meneses e de Edênia Leite. Na volta do Ginásio Mons. Macedo, em companhia de minha grande amiga Glória Lopes, passávamos na casa de dona Neide Vieira e de seu João Meneses, pais de Jane para nos abastecermos dos livrinhos, leitura muito apreciada naquele tempo. Quando concluímos o Normal as colegas procuraram novos rumos nas capitais para cursar faculdade, e eu perdi minha fonte de empréstimo dos romances. Descobri que Edênia e Elcídia Leite colecionavam esses romances. Então, amiga de Nininha Vasconcelos, que era amiga delas, pedi que facilitasse esse meu contato com elas para solicitar  empréstimo e foi assim que passei ainda bastante tempo abastecida dessa leitura.






- Antônio Carlos, primo nosso esteve em minha casa para nos visitar e pedi para ele conversar com mamãe quando estivesse em Fortaleza para saber dela qual o melhor presente que gostaria de receber em seu aniversário: Um carrinho de chá ou uma mesa para telefone. Fiquei surpresa e feliz porque a resposta veio através desta cartinha feita com a letrinha tão caprichada. Acredito que nesse dia ela estava muito inspirada, pois não gostava de escrever. Guardei-a com muito carinho e amor, Uma linda lembrança da minha querida mãe.

- Também guardei com muito carinho esta cartinha que recebi de titia Maroli quando ela se mudou para Fortaleza por um tempo. Nesta carta ela me fazia um pedido para encomendar para dona Maria, minha sogra roupinhas para bebês, pois estavam para nascer um neto e um bisneto. O neto, filho de Evaldo e o bisneto, filho de Mirna, sua neta.. E como minha sogra era uma exímia bordadeira ela me pediu para ser a portadora da encomenda. O envelope foi escrito por titio Valdo, seu esposo.


- Mensagem enviada para todos os funcionários da rede estadual de educação de Juazeiro do Norte por dona Cícera Germano quando exerceu o cargo de Delegada de Educação.

- Foto que registrou o momento histórico da Caderneta de Poupança Credimus na abertura da conta de nº 5.000. Gerenciava a agência Daniel Walker e o felizardo da conta 5.000 foi o sr. José Gondim Lóssio. A Rádio Iracema na pessoa do radialista Coelho Alves transmitiu o evento e o jornalista Jackson Barbosa proprietário do jornal Folha de Juazeiro esteve presente, os quais são vistos na foto.

- Um cartão postal que padre Murilo brindava os paroquianos e os romeiros que faziam doações para as Obras Sociais Padre Cícero da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. A pintura do Padre Cícero é obra da artista plástica Assunção Gonçalves.

- A Fotoptica, revelação de filmes presenteava sempre os seus clientes com brindes de acordo com o número de fotos a serem reveladas. Um brinde bem interessante que ela ofereceu foi a foto numa capa de revista de nossa escolha. Tornei-me a gatinha e os meus filhos a revelação das olimpíadas.

- Michel, meu filho era um bom jogador de botão, herdado do seu pai e dos  tios Antonio Luiz, Carlos Alberto e Jorge Luiz. Na vizinhança não existia um menino que competisse e ganhasse dele. Até campeonato com medalha e taça ele criou. Daniel Junior, devido a diferença de idade não conseguia superá-lo e ficava com muita raiva e começava a chorar. Daniel e eu pedíamos para ele deixar Daniel Junior ganhar algumas vezes. Michel retrucava: “não acho justo, ele tem que aprender comigo e não facilitar jogo pra ele”.   Esta foto relembra esse momento.

É tão gostoso ver e relembrar momentos maravilhosos que já vivemos. 
Para todos uma feliz semana abençoada por Deus.     


MENSAGENS RECEBIDAS
Sandra Regina: Parabéns Neuma e Daniel por tão lindo e eterno amor.
Saudade!!!!!

Antonio Luiz Macedo e Silva: 
Dói no peito, dói na alma,.
É tanta recordação,
Que os meus olhos lacrimejam
E molham meu coração.

Os "guardados" removidos,
Retirei do coração.
Melhor deixá-los perdidos

Na luz da escuridão.

Patrícia Barbosa: Estou muito feliz em ver que a senhora tem minha cartinha guardada. Obrigada por todo o carinho! Obrigada por tudo! Amamos muito a senhora. SAUDADES! Patricia.







terça-feira, 24 de março de 2015

Guardados que encontrei quando arrumava a mudança - Parte II



Continuando com a tarefa de vasculhar meus guardados eis o que encontrei:

1) Um cartãozinho tão singelo que diz o seguinte: “Ser amigo é fazer ao outro todo o bem. Como é bom saber amar.” E nele está o acróstico homenageando o Padre Cícero escrito por dona Nilza.


2) Brinde oferecido pela CONAL – Comercial Nordestina Ltda., localizada na Rua Santa Luzia, 341. Distribuidora exclusiva para todo o Brasil do Galo de Ouro. Este brinde era uma pequena caixa de fósforo com a foto do Padre Cícero. Neste prédio hoje se encontra a Farmácia Menino Jesus.










3) A Empresa dos Correios antigamente muito utilizada para o envio de correspondências, como telegramas, cartas e cartões. Não é mais tão usado para este fim, seu forte agora é o Sedex, envio de encomendas. Guardei alguns envelopes, pois comprava em quantidade porque mantinha correspondência com amigas e irmãos.

 
4) Sempre fui alucinada por fotografia, perdi as contas de quantas fotos tenho reveladas. E o estúdio no qual  costumava revelar as fotos era a Fotoptica. Recebi muitos  brindes  pela quantidade de fotos reveladas. Na revelação vinham duas fotos pequenas, além da principal. Os estúdios perderam muito na Era Digital. As máquinas fotográficas digitais nos fizeram perder o interesse para imprimi-las no papel.

 5) Boletim da escola primária que cursei, Educandário Rui Barbosa. Funcionava na Rua São Pedro, próximo do Armazém Esplanada em frente à Praça Padre Cícero. As mestras que a dirigiam eram Alice Celestino e Zuleica Soares, isto no ano de 1958. Na parte posterior tem a assinatura do meu querido pai, Luiz Pereira e Silva.


6) As firmas, empresas, indústrias presenteavam seus clientes no final do ano com calendários de bolsos, calendários grandes, agendas e cinzeiros. Este hábito praticamente não se usa mais. Os calendários de bolso desapareceram do mercado. Agendas o custo é muito alto. Com a proibição do cigarro é até deselegante nos dias atuais dar como brinde cinzeiros. Sou adepta de carteirinha da proibição de fumar em lugares públicos. É incômodo demais você estar em um restaurante e pessoas fumando descaradamente.

 7) O programa que os alunos elaboraram para se apresentar na minha despedida do estágio supervisionado no Grupo Padre Cícero. Emoção quando peguei o programa lembrando da alegria dos alunos apresentando seus dotes artísticos e lembrei também da tristeza porque estavam comemorando a minha saída do convívio com eles. Durante um mês estive com eles como professoranda. Hoje encontro com alguns ex-alunos e ainda os reconheço, apesar do tempo decorrido.


8) Livreto escrito por meu filho Michel quando cursava a 7ª série no Ginásio Batista do Cariri em 1985. O seu entusiasmo foi tão grande com as aulas de Matemática ministradas pelo professor Vieira que o levou a escrever e mostrar a importância do Valor de X. Até noite de autógrafos aconteceu na Sede do ICVC,  na Rua do Cruzeiro com a apresentação de Daniel Walker, seu pai e o presidente do ICVC, Joaryvar Macedo.









 9) Um pequeno mimo que meu querido cunhado Jorge Luiz me presenteou quando estive em Aracaju. A satisfação em nos receber em sua casa foi demais. Sinto saudades de você, Jorge.


10) Cartinha que guardei com muito cuidado que recebi de minha vizinha quando criança, Patrícia Cordeiro Barbosa, em 1995. Filha de meus compadres, Severino Barbosa e Francisquinha Cordeiro. Ela gostava de me agradar, de conversar comigo e me mandou esta cartinha. Gostei tanto do gesto que guardei a sete chaves e na mudança encontrei.



11) A revista Veja trazendo na capa a imagem de João Paulo II, hoje São João Paulo II quando esteve no Brasil. Estive em Fortaleza para recebê-lo.














12) Foto de uma criança muito linda e que me chamou a atenção por achá-la muito parecida com Cinthia Valéria, filha de Silva Lima e Socorro Figueiredo (minha prima).












 13) Juazeiro sem memória, como diz Daniel. Encontrei estas fotos dos meus filhos, Michel e Daniel Junior nos álbuns quando selecionava para trazê-los para a nova casa. As fotos foram clicadas na Praça do Cinqüentenário. Local que frequentavam quase que diariamente por ser próxima da casa dos seus avós paternos. Hoje no local está edificado o Memorial Padre Cícero.

 14) Tia querida de Daniel, Michel e Daniel  Jr. e de mim também. Criatura adorável, amiga, risonha, conselheira, Anunciada Marques, tia Ciada como afetuosamente era chamada, visitava sempre a gente, a casa dela ficava bem próxima da nossa. A dela na Rua São José e a nossa na Santa Rosa. Trocamos muitas conversas. Quanta saudade.

 15) No quintal da minha casa, quando eu era criança, tinha um balançador. Era o nosso transporte para ir até ao Crato. Com minha irmã, Regina e a prima Marleide viajávamos muito neste itinerário. Ah! Leitores amigos, a imaginação faz tudo. Depois que fazíamos as nossas tarefas escolares nos dirigíamos ao quintal da nossa casa, era o nosso refúgiol. E lá estava o nosso transporte. Cada uma sentava na cadeirinha e a conversa e a viagem e o retorno. Tudo muito rápido porque tinha que dar lugar à próxima passageira. Analuce, minha irmã caçula não fez parte desta brincadeira porque era bem novinha. Então, como foi para mim um brinquedo salutar quis proporcionar para os meus filhos a mesma sensação que senti. Ganharam de presente esse abençoado brinquedo mostrado e, acredito que se divertiram bastante. Na foto além de Michel e Daniel Junior estão Maria Chaves, esposa do tio de Daniel (Duca Marques) e sua filha Zenilda,  residentes em Brasília, na foto em visita à nossa casa

Amigos me aguardem com mais descobertas. 
Eram estas as recordações que tinha para hoje. Até breve!  

COMENTÁRIOS SOBRE A COLUNA ANTERIOR
Darlene Ribeiro: Emocionante poder compartilhar lembranças de suas raízes... Seus "Guardados", realmente, contam muito de você... sempre ávida por registros e sensível ao essencial.
Forte abraço, amiga!

Simone Beserra Lima: Tereza Neuma, quão grande é a sua capacidade de surpreender e emocionar seus leitores! Amei esse post dos "Guardados". Também gosto de guardar para mais tarde curtir essas belas memórias. Já declarei, mas aproveito para reafirmar que sou sua fã de carteirinha (minha querida ex-vice diretora) e do Daniel Walker (meu caro ex-professor do ensino médio). Quando vier à Fortaleza, por favor, visite-nos, será um enorme prazer.

Luciene Duarte: Emoção tomou conta do meu ser ao ver essa história vivida por quem sabe o verdadeiro sentido de amor e respeito pelo que fez e faz. Revivi toda minha infância como aluna e tendo uma mãe que guardava recordações também fui seguindo o exemplo da mesma; revista, figurinhas, boletim escolar, época q fiz o normal no final da década de 80 "rsrsrs era assim que chamávamos normal" tudo saudável longe de violência! Obrigado por voltar a máquina do tempo"memória".

segunda-feira, 9 de março de 2015

Guardados que encontrei quando arrumava a mudança - I

Surpresas, muitas lembranças e saudades quando organizava a mudança  para minha nova residência. Sentada ia tirando das gavetas caixas e mais caixas que estavam tão bem guardadas e  que havia anos nem as abria. Algumas vezes emocionava-me, outras vezes a nostalgia me contagiava. Resolvi, então, leitores amigos, mostrar o que para mim são relíquias, os guardados que encontrei.

1.Uma linda carteira de festas, em cetim e pérolas, presente que recebi de um casal amigo, no dia da minha formatura do Normal Pedagógico, em 1968. Novinha em folha ainda, perfeita.





2. Livro de Chamada dos alunos do 2º ano primário quando estagiei no último ano do Normal, no Grupo Padre Cícero e as fotos clicadas no encerramento do estágio. Abaixo fotos de alguns dos meus alunos


3. Relatório do Estágio Probatório de Socorro Macêdo Figueiredo, minha prima, que me emprestou para servir de orientação para o meu. Que grande lapso, esqueci de devolver! Nem adianta mais, hoje já não existe o Curso Normal, a figura da normalista o tempo acabou.














4. “Ser ou não ser professora”, assunto que fez parte do conteúdo da revista O Cruzeiro na época em que cursava o Normal. Este questionamento nos colocou numa posição de dúvida. Será que valia a pena sermos professoras?. O que poderíamos esperar de uma profissão que já estava em decadência porque os condutores da educação não a valorizavam? Mesmo assim concluí o curso. E em 1970 iniciei a formação universitária no Curso de Pedagogia concluindo-o em 1973. No início de 1977 recebi a informação através de uma grande amiga, Maria D´Arc Araújo de que seria inaugurada no dia 24 de março uma escola no bairro Pirajá e que estavam selecionando os professores para ocupar o quadro funcional da escola. Fui atá à Delegada de Ensino, a professora Alacoque Bezerra, e ofereci o meu serviço, no caso para ocupar o cargo de vice-diretora do turno noturno. Fui aceita e durante 19 anos dirigi a Escola de 1º Grau Dona Maria Amélia Bezerra, localizada na Av. Castelo, esquina com Rua São Benedito.         


5. Uma agenda que a Revista Nova em parceria com a Del Rio presenteava às milhares de leitoras. Trinta anos desta agenda e do formato da revista que era bem mais interessante do que a atual. 
















6. Carteiras que fazem parte do meu acervo: Carteira do Clube do Sesinho e do Clube dos Doze. Fui sócia do Clube do Sesinho quando estudei no Instituto Domingos Sávio, de propriedade de dona Zuíla Moraes. Funcionava na Av. Dr. Floro, nesta época a Rua recebia o nome de Rua Nova. Recordo das festas infantis que aconteciam e numa delas, meu irmão, Antônio Luiz participou como cavalheiro na dança do Minueto. Aceitei me associar ao Clube dos Doze por dois motivos: o 1º:-  Glória Lopes Rodrigues (minha grande amiga), era a secretária; o 2º -, tempo de vesperal, de tertúlia, e frequentava com as amigas para arrecadar fundos para a excursão do término do Normal.








7. Cadernos de brochura do meu tempo de escola. Quanta diferença dos atuais, cada dia mais sofisticados.

8. Prova de História quando cursei a 4ª série ginasial no Ginásio Mons. Macedo em 1965. 






















9. Capricho, revista que colecionava, sobretudo pelas histórias de amor, as famosas fotonovelas. Quem lembra!

10. E os cursos de culinárias promovidos pelas indústrias de eletrodomésticos, Arno e Walita. A procura foi tanta que o da Walita aconteceu no Auditório da Escola Normal Rural. O que temos hoje? A internet que nos facilita qualquer receita num piscar de olhos.

11. O calendário de bolso de 1990, brinde da Banca de Revista de Liquinha e de Cícera. Eram duas bancas,a nº 1 localizava-se na Estação Rodoviária e a de nº 2 na Praça Padre Cícero. Tempo maravilhoso, sempre marcávamos presença semanalmente para nos abastecer de revistas, palavras cruzadas e de um bom papo. Era também um ponto de encontro de amigos. Liquinha e sua família atualmente residem em Belém, Pará.












12. Tabela do campeonato mundial de futebol que aconteceu no México e o Brasil ganhou o Tricampeonato. Naquele tempo futebol empolgava. Havia seriedade porque os jogadores jogavam com amor e garra. O que ocorre atualmente é o dinheiro em primeiro lugar.









13. Convite da doutoranda do ABC Ana Karenine Bezerra Fernandes aluna da Escolhinha O Pequeno Grande, no ano de 1986. Filha dos meus compadres, João Fernandes e Quitéria Bezerra, foi com muito orgulho a oradora da turma.


14. Album de figurinhas. Costumava colecionar álbuns de figurinhas, como Cine Cromos, Os dez mandamentos, Ben-hur. Que pena, não os tenho mais. Encontrei, porém, figurinhas do álbum Enciclopédia Cultura e História Natural, álbuns que Daniel colecionou e os mostro para recordar um pouquinho. A troca de figurinhas e quando completava uma página que sensações salutares.  


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Um belo exemplo de superação que nos leva a refletir



Em visita recente à Casa do Idoso, dirigida pelo irmão Bernardo, OSB, me deparei com uma cena que nunca tinha visto antes, ao vivo e em cores, que me deixou perplexa. Um senhor sentadinho em uma cadeira de rodas, com uma esferográfica na boca escrevendo em um caderno a tabuada. 
Seus membros superiores e inferiores estão atrofiados e pouco se movimentam. Na minha observação fiquei pensando com os meus botões: o que se passa por sua cabeça nestes momentos. 
Notando que estava sendo observado, levantou a cabeça e esboçou um leve sorriso. Aproveitei a pausa que ele deu e perguntei: O que aconteceu com o senhor? Ele respondeu que quando jovem bebia muito e numa destas bebedeiras sofreu um grave acidente que lhe deixou assim.
Mas, apesar de tudo isto era muito grato a Deus por ter-lhe poupado à vida. E para preencher o seu tempo e não se sentir inútil praticava o exercício da tabuada. Não só para decorar como também para exercitar a prática de contas. Perguntei seu nome e de onde ele era. A resposta veio rápida: “Meu nome é Vinícius, nasci em Barbalha, CE, e aprendi o ofício de pedreiro com um senhor muito generoso da cidade de Crato, CE. Quando aprendi o ofício me mandei para o Sul. Trabalhei em Minas Gerais por algum tempo. Em São Paulo é que me dei bem. Construí casas, mas fui muito estragado na minha vida, perdi muita coisa. Não posso reclamar, Deus me deu muitas chances, eu é que não soube aproveitar. Não posso é ficar parado, preciso fazer alguma coisa. Tem mais uma coisa, Neuma, gosto de ler a Bíblia.
Quando acabou de falar, deu um sorriso. Um sorriso de alegria mesmo, de satisfação. Ao despedir-me dele, pensei: Deus é quem lhe dar esta força para suportar com resignação uma vida tão limitada e dependente dos outros.
Parabéns seu Vinícius por seu exemplo.


 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O transtorno de uma mudança



Recebi de familiares e amigos insistentes pedidos para que retornasse a escrever minha Coluna. Minha resposta era sempre negativa. Mas, passei por uma grande experiência ultimamente, digo assim porque jamais imaginei o desgaste físico e mental de uma mudança. Talvez para mim tenha acontecido desta forma. O motivo sem sombra de dúvidas foi o tempo que transcorreu de uma mudança para a outra. Trinta e sete anos. Tempo suficiente para se juntar milhões de coisas, coisas que a princípio têm sentido guardar. Mas com o passar do tempo é necessário que se faça uma reciclada, uma poda nas gavetas, nas sacolinhas, nas caixas, o que seria o mais viável. Amigos leitores, acontece que eu fiz e, ao mesmo tempo não fiz. De ano em ano retirava um pouco, mas acumulava o dobro. Existia outro agravante, jamais passou por minha cabeça a ideia de mudar da casa que morava na Rua Santa Rosa. Já tinha fincado raízes. Mas, os anos passando e a ideia foi amadurecendo na mente de Daniel de procurar um bairro mais sossegado, sem muito barulho. Após a morte dos seus pais, Daniel resolveu investir nas economias que tínhamos conseguido juntar, e compramos um terreno no Bairro Novo Juazeiro. Passados três anos da compra, resolvemos construir. Daniel enfrentou a construção e após dez meses a casa finalmente ficou pronta. Psiquicamente me preparei para a mudança. Estava apta para uma nova vida, um novo horizonte. Porém, cometi um gravíssimo erro que era de encaixotar minhas miudezas (mil e uma coisas do guarda-roupa), fora os enfeites, minhas imagens de santas, meu artesanato, livros  etc. com bastante antecedência. O que me faltou foi coragem suficiente para enfrentar este trabalho tão enfadonho. Recorri então, a minha nora, Luana. E prontamente ela veio me socorrer. Consegui com minha cunhada, Vânia, muitas caixas grandes. Comprei oitenta metros de plástico bolha, material adequado para embalar objetos frágeis, e começou o desarruma e encaixa. Em alguns momentos parava e ficava olhando o desmantelo naquela casa que tinha tanta vida. Imediatamente surgia o desânimo, mas a vontade era tão grande de mudar, que o ânimo voltava e recomeçava o trabalho. E parecia que não acabava mais. Quanto mais tirava das gavetas, dos móveis, das estantes mais apareciam. Ficava invocada e me questionava, não tem mais fim esta arrumação?! Ufa! Até que enfim conseguimos organizar as caixas com etiquetas, os sacos de cem litros, os caixotes. Tudo empilhado a espera do caminhão da mudança. Para desespero de Daniel, que desejava se mudar o mais rápido possível, teve que esperar para o final de semana. O dono do caminhão contratado só poderia fazer a mudança no domingo, dia dezenove de outubro. Achei maravilhoso este dia porque se comemora o dia mundial das missões. E Santa Teresinha do Menino Jesus é a padroeira das missões. E como sou devota e admiradora de sua história, pedi que fosse nossa intercessora junto a Jesus para que fôssemos bem felizes nesta nova morada. Quando o caminhão da mudança chegou era mais ou menos nove horas. O sol já estava queimando. Os carregadores muito apressados pegaram os objetos maiores como geladeiras, camas, armários, estantes, e foram colocando no caminhão (baú). Em seguida cadeiras, fogão. Segue a primeira remessa, Daniel os acompanha até a nova casa. Voltam para pegar o restante: caixas e mais caixas, não tive nem coragem para contar os sacos com cama, mesa e banho. Entre doze e meia ou uma hora descarregaram o restante. Aí sim, a vontade de chorar foi grande, grande mesmo. A varanda abarrotada de coisa. Arrastaram e já riscaram o piso com os móveis. Compramos quentinhas e colocamos na mesa para almoçarmos e cadê os pratos, sabe-se lá onde eles colocaram, a desordem era grande. E a toalha para colocar na mesa; os talheres, os copos. Nesta hora lembrei de uma amiga que me avisou: “Neuma não pense que em uma semana você coloca as coisas nos lugares, tire logo o cavalinho da chuva. Olhe lá se não serão três meses”. Pensei com os meus botões: “Que conversa mais sem fundamento.” Amigos leitores, ela estava certíssima. Três meses já se passaram e ainda tenho algumas pendências para colocar em seus devidos lugares. No entanto penso assim, breve chegarei lá. Não tenho pressa. A paz, a tranquilidade que encontramos neste nosso novo lar nos abastece de paciência, de companheirismo e outra coisa bem importante dividimos as tarefas com alegria e brincadeiras.
Só mais um lembrete amigos, não deixem para a última hora o que se pode fazer hoje. Penei muito nesta mudança, mas aprendi a lição. Organizar tudo com antecedência é o correto.
Que este ano de 2015 consigam realizar tudo o que desejam.
As fotos abaixo mostram flagrantes da mudança e a nova casa. O jardim tem sido alvo da minha maior atenção. E já comecei a me alegrar porque as plantas que trouxe da casa antiga estão se adaptando muito bem ao novo terreno.