domingo, 9 de março de 2014

Padre Ferreirinha, o missionário dos necessitados

Quarta-feira, dia 5 de março, início da Quaresma. Tempo de mudança, de reflexão, de renovação. Este ano o tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade e Tráfico Humano”. Todo projeto de Deus tem um fundamento, uma mensagem, uma lição. Vejam o que lhes preparei para esta semana, uma história de doação, de humildade e de solidariedade. Ah! Gente de Deus é uma história verdadeira de um padre da Ordem Salesiana, que dedica todo o seu tempo livre para ajudar aos necessitados. O qualifico de benfeitor dos carentes, dos pobres e humilhados. Trata-se de padre Ferreirinha. Descobri o trabalho que desenvolve através de um amigo, seu Franciel, Ministro da Eucaristia da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e participante e colaborador do projeto do padre. O trabalho é muito simples, recolher lixos em ruas, praças, restaurantes etc. 
Padre Ferreirinha é alagoano, nasceu em Mata Grande no ano de 1928. Veio com seus pais residir em Juazeiro com apenas 8 anos. Antônio Ferreira Lima, seu pai, trabalhava em agricultura. Sua mãe, Maria José da Conceição Ferreira, cuidava da prole numerosa, 10 filhos; 7 mulheres e 3 homens; vivos hoje, ele e 2 irmãs. Uma irmã é freira da Ordem Salesiana e a outra, casada, reside em Crato, Ceará. Tornou-se padre em 1961, na Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora em São Paulo. Cursou durante 4 anos a Escola Santorium, escola de música sacra participando também do coral. Aprendeu Latim e fala fluentemente.
Passou na Amazônia 40 anos em plena selva, fazendo parte de missão salesiana. Nesse tempo ajudou a construir várias igrejas, e exerceu principalmente o papel de catequizar e evangelizar tribos indígenas. Nessa convivência aprendeu a falar vários dialetos. Como gosta de desafios, aprovou e adotou a ideia da Campanha da Fraternidade de 2011, “Fraternidade e a Vida no Planeta”. Segundo padre Ferreirinha numa conversa com Franciel, como ele se expressa, ele disse: “Padre Ferreirinha vamos ajudar a limpar essa cidade recolhendo garrafas, copos, latinhas que entopem os bueiros, esgotos e também enfeiam o lugar. E mais uma coisa, se ganha algum dinheiro vendendo o produto recolhido!” Respondi para Franciel: “O que vamos fazer com o dinheiro?”. O senhor pensa, disse Franciel. A solução encontrada logo me veio que era distribuir com os necessitados do bairro Triângulo, alimentação comprada com o dinheiro arrecadado. Esse bairro é bem conhecido por mim, pois estou lá com frequência para visitar um cunhado (viúvo de uma irmã) e que casou com outra pessoa, e essa me cativou. É muito distinta e destemida, enfrenta qualquer dificuldade, adotei-a como minha irmã. Nessas visitas descobri que este bairro é muito carente, tem muita pobreza, então, resolvi ajudar aos necessitados. A casa deles serve de ponto de apoio e distribuição. As pessoas são cadastradas e têm o dia determinado para receber os donativos, pão, arroz, feijão, pedaços de ossos para fazer caldo, farinha de milho etc. 
Para desenvolver este assunto primeiro tive uma conversa com ele, após a celebração da Santa Eucaristia, a respeito do trabalho que desenvolve junto aos pobres. Perguntei se ele permitia que abordasse este assunto. A resposta dada por ele de imediato foi “Não é coisa de bem?” Respondi: “É padre Ferreirinha”. “Pode sim”. A dificuldade foi marcar um horário. Ele muito apressado com a veste sacramental e a estola no braço, saiu rápido em direção ao Colégio. Como já fazia algum tempo que desejava falar sobre ele em minha Coluna, procurei a ajuda de duas pessoas amigas, seu Franciel, para me trazer algumas informações sobre ele, e de Valdênia, para marcar um horário para que o entrevistasse no seu local de trabalho. 
Esta conversa com padre Ferreirinha aconteceu dia 5, quarta-feira de Cinzas, em sua roça, localizada no terreno do Colégio Salesiano São João Bosco, após a quadra do Colégio. Num recanto bem simples onde ele improvisou duas pequenas tendas cobertas com lona para acomodar o material recebido e que uma boa parte ele transporta nos ombros e nas costas. Imaginem, leitores, a força de vontade e o peso dos seus 86 anos não o impedem de praticar o bem, de favorecer a pobreza. Na recepção do Colégio, me identifiquei para Marcelo, o recepcionista e ele muito solícito me levou ao encontro de padre Ferreirinha. O sol forte inundava o local de muito calor e  luz.  Ao encontrá-lo cumprimentei-o e falei: “Sou Neuma, a pessoa que Valdênia combinou o horário para conversar com o senhor”. Vestido modestamente, na cabeça um chapéu de palha e com óculos escuros para proteger-se da claridade, pois fez recentemente uma cirurgia de catarata, me recebeu, dizendo: “A senhora queria me ver aqui trabalhando, pois bem, aqui me sinto feliz, fazendo o que gosto que é cuidar de roça, de plantar milho, feijão, mandioca, jerimum, melancia. Plantei acerola, já colhi muita, ultimamente tem um bichinho fedorento que está comendo a frutinha e não dá para aproveitar”. O seu jeito de se dirigir a mim, foi muito interessante” “Olhe dona, aqui a flor do jerimum está aberta, mas um agricultor bem entendido me explicou que esta flor bonita, não é a que produz o legume, esta é macho a que fecunda é a fêmea é a flor mais acanhada”. Caminhava, parava e me mostrava os detalhes. “Este milho não tive trabalho com ele, as sementes caíram da espiga e nasceram. Cresce rápido e produz logo, é milho Ibra. O feijão também não plantei, germinou e fiquei contente. A fava não quero plantar mais rama demais e toma todo o espaço. Aqui, dona, é uma bananeira que trouxe de Recife, é banana Vinho, venho cuidando com perseverança, estava quase morta e olhe como está bonita, viçosa. Estes pés de pinha já deram boas frutas, tem um besourinho perigoso que faz a fruta apodrecer antes de completar o tempo de colher. Veja aqui, dona, neste local a planta faz muita sombra e nada vai pra frente, só mato e é onde a formiga mata a vontade, criando os formigueiros, é o reinado delas. Já colhi muito limão destes dois limoeiros, veja como o chão está forrado deles. Tem um senhor que me ajuda aqui, seu Raimundo, quando viajo. O ano passado passei três meses na região Norte, no local que dediquei quarenta anos de vida sacerdotal para me encontrar com amigos e paroquianos. Presenteei  o Colégio Salesiano de Nossa Senhora Auxiliadora com a minha sanfona de 80 baixos, gosto de tocar, e lá estava faltando uma sala de música por não ter nenhum instrumento musical, então ofereci o meu para incentivar outras pessoas para fazer o mesmo e assim levar os jovens para se dedicar à música”.
Perguntei então para ele: “Como o senhor consegue este material?” Respondeu: “Algumas pessoas me ajudam recolhendo e trazem até aqui. Outros eu mesmo recolho ou quando não dá pego um mototaxi. Este material já estou apinhando para facilitar a venda, separo garrafas, latas de leite, latinhas de cerveja e refrigerantes, vasilhames de veneno spray (eles pesam mais porque é de ferro)”. 
E o papelão, como o senhor transporta, perguntei. “Dona, empilho num feixe, amarro e coloco nos ombros”, e mostrou como fazia. “E não dói seus ombros com o peso, indaguei”. “Não sinto nada, venho do Tiro de Guerra até aqui no Salesiano, tiro dos ombros o fardo e me pergunto, como cheguei até aqui e não sinto nada doer, não machuquei os ombros e nem as costas. Na verdade dona é obra de Deus”. 
Neste momento a emoção me invadiu e as lágrimas deslizaram dos meus olhos, pois estou diante de um grande homem, pequeno na estatura, mas imenso de coração. 
Padre Ferreirinha, que Deus lhe dê muita saúde, muita saúde mesmo para dar continuidade a este projeto tão grandioso de ajudar ao próximo necessitado.
Uma Quaresma abençoada e rica das graças de Deus!    


   

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Clicando as belezas da natureza

A correria insana dos nossos dias. A violência que dita normas e a cada dia supera o dia anterior. A falta de pessoas compromissadas e corretas para dirigir o nosso país e as nossas cidades. A punição que não existe. As leis que não são obedecidas. O que é certo é a falta de educação, e não atos educados como uma saudação de bom-dia acompanhado de um leve sorriso; de pedir desculpas ao pisar no pé, tropeçar ou esbarrar em alguém; os proprietários de veículos dirigindo como se fossem o dono do mundo, da rua, da estrada e até da calçada. Notícias veiculadas em jornais e revistas as mais lidas são as que focalizam tragédias, e deviam ser o contrário. A banalização das famílias, a falta de respeito para com os pais e com pessoas idosas. Nestes últimos tempos a inversão de valores é alarmante. Devemos fazer o que, leitores amigos, para suportar essa onda de mudanças, de critérios absurdos que permeia os dias atuais? No meu raciocínio, é buscar uma forma agradável de viver com prazer canalizando para um caminho que vá nos proporcionar uma sensação favorável de bem estar. E é assim que lanço mão de uma arma poderosa que está sempre a nossa disposição, que é a mãe Natureza. Dela recebemos lições valiosas todos os dias, só que muitas vezes nos esquecemos de apreciá-la e de aproveitar a sabedoria infinita que ela carrega e nos presenteia. Sou adepta da terapia/natureza, gosto de observar as plantas (flores, sementes, sentir o perfume etc.); os bichinhos (pássaros, lagartixas, zig-zags); cachorros, gatos etc. O meu dia se enche de energia e vigor quando jogo água em minhas plantas, aproveito o momento para contemplar as folhas, se está com botões, se as flores abriram, se está com as folhas amarelando. Ah! Tem mais, quando descubro um passarinho preparando o ninho fico toda eufórica e visito várias vezes até chocar os ovinhos e nascer os filhotes. São bons demais esses momentos e me fazem esquecer os costumes e conflitos atuais.
Leitores, desejo que sejam energizados com a presença de Deus durante toda esta semana através da natureza.
    1. Margarida branca\exala um perfume extraordinário. 2. Chamo-a de planta multi-versátil, folhas grandes parecem cianinha, folhas menores bem verdes e nos galhos nascem frutinhos.
    3.Lirio de duas flores, mas este nasceu com quatro.   4. Capínzinho verde bota uma florzinha branca
    5. Jasmim coberto de botões.                                       6.Os botões abertos.
    7.Acácia, que lindo, parece  chuva caindo com flores.  8.Hibisco aberto, os pardais gostam de bicar suas                                                                                        folhas e se proteger do sol escaldante
9 e 10. Lagartixa que vive no meu jardim. Parece que estava esperando para ser fotografada.
11. O beija-flor todos os dias vem sugar a seiva desta flor.   12. Mudinhas que preparo para presentear os                                                                                               amigos quando me visitam.
13.Rolinha preparando o ninho para chocar.      14.Os filhotes com a mãe. 15. Os filhotes já crescidos. passeiam nos galhos da árvore no meu jardim.        16.O pardal solitário no hibisco.

Mensagem recebida:
Mais de quatro décadas da mais sublime expressão do amor fazem de vocês, meus pais, um exemplo de afeição, compreensão, união, entrega, vivência de um para com o outro. Parabéns! A excelência da história de vida de vocês realmente merece uma veneração especial e que, as bodas de prata dourada, seja uma pequena parte da maior homenagem que a vida poderá lhes oferecer: a felicidade plena na companhia de Deus.
Daniel Walker Junior

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Recados da vida

Recordo com saudades um maravilhoso domingo, precisamente o dia nove de fevereiro de 1997, data em celebramos com os familiares e amigos a comemoração do amor ternura, amor emoção, amor fidelidade, amor parceria, amor doação, amor rico de Deus.   Ao toque da trombeta dos anjos que anunciavam a nossa lendária Bodas de Prata, na simplicidade da bela Capela de São Vicente de Paulo, celebrada pelo nosso amigo o reverendo padre Murilo Callou de Sá Barreto. Aconteceu no horário matutino, às 8hs a renovação do nosso casamento. Caros leitores, ilustro para vocês, esta linda mensagem que recebemos da Comunidade do Mosteiro de Nossa Senhora Aparecida, na pessoa da Diretora, Irmã Maria Aparecida., quando completamos 40 anos de união. E hoje, 17 anos já se passaram e o amor que nos alimenta a cada novo dia, nos enche de vigor e de esperança com a doçura da cumplicidade. Acreditem leitores, como a magia conspira a favor, quando desejamos realizar algo bom. Foi o que aconteceu quando buscava a mensagem no meu baú de recordações, eis que cai de dentro de um envelope a figurinha de um álbum que colecionei há um tempão, Ser feliz, e o que diz a figurinha: Ser feliz é curtir aquela pessoa de um jeito todo especial... E é assim que fazemos diariamente, alimentamos a nossa vida conjugal com mais amor.
Até a próxima semana, fiquem com Deus!

MENSAGENS RECEBIDAS:
Simone Tavares: Parabéns Neuma, adorei rever essas figuras tão importante no cenário da nossa cidade, principalmente D.Heloisa Camilo que cresci junto aos seus filhos amigos queridos até hoje bjss querida.vou marcar Sandracamilo Camilo Helda CamiloCamilo Helba Sobreira para verem que bela homenagem

Darci Ribeiro: sempre é muito bom ler a coluna da Neuma, a de hoje em especial especialmente porque a identidade entre ela e Neuma e ela era perfeita. Lembro q em uma de suas viagens ela mandou q fosse dormi na casa de vcs para fazer companhia a Neuma e Michel Macedo Marques, pequenino....zelo pela sobrinha
2 de fevereiro às 19:22 · Curtir

Mirna Figueiredo E sempre de uma delicadeza impar os comentarios dessa minha prima sempre zelosa e atenciosa com as palavras mais antes de tudo verdadeira e carismatica!!e sempre trazendo boas lembrancas obrigado por nos presentear sempre

Linda Callou: Admiro esse jeitinho emotivo de Neuma. Dá pra ver como ela se apega as pessoas e fala delas com um sentimento que dá vontade de fazer parte desse povo tão querido. Tomara que ela tenha alguma boa lembrança de mim. Estivemos juntas na excursão para a Europa por 23 dias ou 28 dias. Lembro-me dela olhando as fotografias de Daniel e dos filhos que levou para a viagem. Eu também sou um pouco assim e aprendi com a minha família Sá Barreto e Callou que a consanguinidade é algo muito importante. Daniel, como primo de minha amada sogra é primo de meus filhos. E meus filhos, primos de seus filhos.Ainda que bem distante. Para mim, primo é primo. 

Defesa Civil: Só saudades...

Ivonete Marques: Linda minha queridissima tia Ciada, além de tia minha grande amiga

Analuce Caneca: Boas lembranças de Ciada!!!

Diana Marques R Rafael: Linda homenagem que a nossa querida Neuma prestou a nossa querida mãe. Muitas saudades. Beijos.

Francorli Lima: boas lembrança de dona ciada


domingo, 2 de fevereiro de 2014

A delicadeza de pessoas que me acolheram - Parte II

Dona Heloísa Camilo, residia na Rua Santa Rosa esquina com Rua Conceição. Sua casa se destacava, era um bonito bangalô. Durante vários anos foi diretora do Grupo Escolar Pe. Cícero devido o seu dinamismo e capacidade.Agradava e era generosa com os professores e funcionários, recebendo deles a recompensa de um bom desempenho em suas atribuições. Sabia cativar e cultivar amizades.
Amiga e confidente de mamãe. Sempre a visitava, com seu espírito brincalhão e divertido fazendo tudo para que mamãe se distraísse em momentos de depressão Adorava o carnaval, foi uma brilhante foliona. Participava ativamente de todos os eventos prestigiando a atuação do seu esposo, José Camilo da Silva quando exerceu o cargo de vereador na Câmara de Vereadores de Juazeiro.


Dona Cilinha Almeida, a dama das flores artesanais em tecido. Durante anos trabalhou com flores artificiais, seus arranjos belíssimos enfeitaram muitas casas de nossa cidade. Ficou viúva muito cedo e dedicou sua vida ao seu filho Anísio e às flores. Sua casa durante muitos anos foi uma verdadeira oficina. Com a morte do seu único filho prematuramente enclausurou-se em sua casa, a sua única distração era receber os amigos para conversar e confeccionar seus arranjos. Quando a conheci através de Anísio, ela morava na Av. Dr. Floro, hoje reside na Rua do Cruzeiro próxima da Rua São Paulo.

Anunciada Marques (Ciada), tia de Daniel. Foi ele que me apresentou a ela. Muito tímida, a mão gelada de tanta vergonha ou medo. Medo de não agradá-la, de não ter o perfil indicado para namorar com o seu sobrinho. Passei no teste quando ela sorriu para mim. E que amizade bonita surgiu entre nós. Criatura sábia, alegre, conselheira, prestativa, gozava da amizade de toda a vizinhança. Eu já estava casada, morando na Rua São José, dois quarteirões acima da minha casa ela morava. Quando ela ia para o Socorro passava sempre em minha casa para uma conversinha amigável, para me desejar uma boa semana. Quando Michel nasceu, fazia questão de colocá-lo para dormir, tinha experiência demais, pois criou oito filhos. Passei a morar na Rua Padre Cícero, nº 960, o mesmo número de sua casa na Rua São José, levava Michel para passear e passava em sua casa, como ela ficava feliz. Mudamo-nos para a nossa casa própria na Rua Santa Rosa, visitava-a com frequência. Pedia conselhos, receitas culinárias e remédios para os meninos. Demonstrava uma afeição especial por mim e vice-versa. Uma amizade de mãe e de filha existiu entre nós, Daniel até dizia: " Parece que tia Ciada é tia de Neuma e não minha”. Isso porque nos identificávamos muito. Sofri muito com sua partida.

Dona Adalgisa Borges, senhora elegante e educada. O meu contato com ela aconteceu no comércio do seu esposo, seu Aderson Borges de Carvalho no Depósito ABC, loja de confecções. Tinha preferência em comprar nessa loja porque o preço era bem acessível, costumava, então, vez por outra visitá-la em busca de novidades. E dona Adalgisa gerenciava a loja, acredito. Recebia com muita gentileza os clientes, e algumas vezes até atendia. Seu charme e elegância me chamavam à atenção. Inúmeras vezes a encontrei no salão de Edna Figueirêdo, dizia que só confiava nela para arrumar seus cabelos. Sua alegria transmitia felicidade, era uma pessoa feliz.

Dona Derceles, mulher super comunicativa, sua alegria irradia felicidade. Exerceu o seu ministério de educadora no Grupo Escolar Pe. Cícero durante 35 anos. Foi professora inicialmente, depois ocupou o cargo de vice-diretora na gestão de dona Heloísa Camilo. Com o falecimento de dona Heloísa ela ocupou o cargo de diretora aposentando-se em 1982. Nas reuniões que aconteciam na 5ª Dere com a participação da Delegada de Ensino e das diretoras e vices sempre a encontrava. Uma característica sua não ficava com dúvidas, interferia para esclarecer pontos que a deixavam confusa. Fico feliz quando a encontro porque ela me abraça com um carinho todo especial, que me deixa bastante sensibilizada.


Dona Marlúcia Almeida, mulher de muita força e de trabalho. Quando a conheci ela morava na casa vizinha da casa dos meus futuros sogros, naquela época, anos já se passaram. Ela muito amiga de dona Maria e com filhos pequenos, o que eles faziam, aproveitavam-se da amizade dos pais com os vizinhos e escapuliam num piscar de olhos para serem paparicados na casa de dona Maria. Lá se fartavam de guloseimas, Carlinhos, Adriana, Luciana e principalmente Murilo, o caçula da turma. E foi nesse clima brincalhão que a conheci. A simpatia foi recíproca, ficamos amigas e quando nasceu o meu primeiro filho, o casal, seu Neomísio e dona Marlúcia foram os padrinhos. Padrinhos nota mil, presentes em todas as ocasiões de nossa vida e da vida do afilhado. Quando nos encontramos, dona Marlúcia não deixa de perguntar: “Como vai Michel? Tá tudo bem com ele?” É um amor verdadeiro, amor de sangue, de família mesmo!

Dona Maria Elza, morava na Rua Santa Rosa, próxima da casa de dona Heloísa Camilo. Sua casa estilo bangalô, naquela época pessoas com boa situação financeira eram que possuíam casas assim. Hoje já não mora nessa casa, mas os novos proprietários modificaram pouca coisa, o estilo continua o mesmo, quiseram preservar a beleza de coisas antigas e belas. A Ótica Boa Visão, uma das primeiras a abrir no comércio de Juazeiro foi de propriedade de seu esposo, José Gomes de Almeida. Lembro-me de dona Maria Elza, em um birô ao lado de seu José Gomes, na loja. A compra do meu primeiro óculos foi feita nessa loja, que hoje já não existe. Dona Maria Elza muito solícita me atendeu com muita delicadeza e paciência. Demorei um bocado para decidir, mas ela calmamente, sem nenhuma pressa atendeu às minhas exigências, com um prazo estendido e no carnê. Fazia um bocado de tempo que não a encontrava, para melhor dizer, anos. E saber que moramos na mesma cidade. Estava fazendo compras em um supermercado e a vi de longe. Cheguei perto para me certificar se era ela mesma e que alegria o nosso encontro. Um abraço apertado recheado de muito carinho de ambas. Esse encontro aconteceu bem próximo do Natal, foi um presente maravilhoso que recebemos.          
Desejo para vocês, meus estimados leitores uma semana maravilhosa, rica das graças de Deus!  

MENSAGENS RECEBIDAS
Analuce Macedo: Os recortes mostram um pouco da realidade. Bom seria que na passagem para Recife, houvesse uma parada no castelo de São José de Belmonte! Como Neuma diz, e eu assino embaixo, é imperdível! Se fosse na Europa, com certeza teria uma fila enorme para adentrar as porta do castelo. Valorizar a nossa cultura é sempre enriquecedor!

Eduardo Macedo: Minha tia, quão cruel é a sanha do capital. Saber que tínhamos um castelo em plena capital, destes, mesmo, "castelos de fato!", e deixamos que fosse derrubado em prol da construção dum mercantil que nunca veio, sequer, aos alicerces. Triste demais. Ótimas imagens e texto!

Simone Beserra: Parabéns pelos três anos da Coluna Recordações. Quem sabe faz e você sabe, por isso vale a pena ler seus textos lindamente escritos com simplicidade e clareza.

Salete Bezerra: Querida Neuma,  Estou gratíssima  pelo Portal de Juazeiro, sua coluna é uma beleza...desconhecia esse prêmio ao nosso povo.Vou ser leitora assidua dessa maravilha. Sem sua licença enviei na minha lista de e-mails. Obrigada, muitos beijos para você, e um abraço para Daniel.
   Até a próxima, se DEUS quizer.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fantasias infantis que se tornaram realidade

Quando criança o meu comportamento era de uma criança medrosa, encabulada e que tinha o costume de me apegar às pessoas que trabalhavam na casa dos meus pais que causava até certo vexame. Lembro que muitas vezes chorei demasiadamente quando saíam para casar, uma delas, resolveu ser freira (como chorei) e outras porque não serviam para o serviço, que eram despachadas. Ficava dias borocochô como diz Célia Morais, triste pela ausência de pessoas que gostava, principalmente porque estava perdendo as contadoras de história de Trancoso que me faziam dormir relatando seus contos e fábulas. Acreditava que existiam princesas, reis, príncipes, sereias, mãe-d´água, pai da mata, tudo isso fazia parte do acervo de histórias que me contavam. Minha mente, então, fervilhava imaginando os palácios com torres imensas, palacetes, castelos, florestas, anões e bruxas. O tempo veloz afasta certos conceitos e valores que antigamente nos faziam tanto bem. As lembranças ficam guardadas, mas vez por outra nos reportam para o tempo de criança e num piscar de olhos o vendaval de emoções nos assolam. Nas minhas viagens por este Brasil afora na companhia de Daniel, descobrimos fatos e cenas engraçadas e algumas vezes interessantes. Nas viagens a Triunfo, Caruaru, Garanhuns passamos na cidade de São José do Belmonte, PE e ficamos curiosos quando vimos ao lado da rodovia, pela primeira vez, ainda em construção, um majestoso castelo. Ficamos intrigados, não paramos e seguimos viagem. Um tempo depois voltamos pela mesma estrada, o castelo já era avistado de longe, já estava quase concluído. Não paramos novamente, seguimos nosso destino. Um bom tempo passou e viajando por esse mesmo percurso, pedi para Daniel parar para que tirasse algumas fotos na frente do castelo. Em outubro do ano passado viajamos para Garanhuns fugindo do calor daqui que estava infernal e qual não foi nossa surpresa quando avistamos de longe o castelo com as portas abertas. Paramos, descemos do carro e entramos no castelo. O que tinha acontecido? O castelo era uma loja de variedades, segundo informações prestadas pelos vendedores a inauguração da loja acontecera no mês anterior, portanto no mês de setembro. Ficamos extasiados, olhando de um lado para o outro, para cima, e quanto mais admirados ficávamos mais surgiam detalhes. Pensei na hora, estou voltando ao meu tempo de criança das fadas e das cinderelas, dos anões e Branca de neve, de Rapunzel! Gente, fiquei tão feliz! Nesse exato momento estava realizando o sonho de conhecer um castelo, de me aventurar nele, de subir escadas e porões. Voltei à realidade, de repente. Faltava o rei, o príncipe e a princesa. Onde estão? Sumiram, evaporaram. Nada disso, o castelo abrigava uma loja “tem de tudo”. Perguntamos pelo proprietário e a resposta que obtivemos que ele tinha viajado para Recife. No início deste ano retornamos a Garanhuns, só que desta feita na companhia de Junior e Analuce (cunhado e irmã), para que eles conhecessem a cidade que é muito linda. Quando passamos em frente ao Castelo em São José de Belmonte, a cidade histórica da Pedra do reino, objetivo de um livro de Ariano Suassuna e que posteriormente transformou-se em um seriado da Globo, A pedra do reino encantado. Surpresa! A loja havia fechado, não atraiu muitos clientes e por isso fora fechada. Junior e Analuce, curiosos e maravilhados com o que viam,  também queriam fotografar e por isso descemos do carro. Quando nos aproximamos da porta principal ela estava entreaberta, pedimos licença, um senhor muito distinto, chamado Clécio de Novaes Barros, dono do local, nos atendeu e perguntou se queríamos conhecer o castelo. Claro que sim, respondemos. Perguntar a quem tem sede se quer água? Pasmem leitores, este senhor muito simples, é o proprietário do castelo. Ele simplesmente nos ciceroneou, mostrando tudo que havia nos três pavimentos do castelo, que ele disse se chamar Castelo Armorial, baseado no Movimento Armorial criado em 1970, por um grupo de artistas e intelectuais pernambucanos, liderados pelo escritor paraibano Ariano Suassuna.Também nos acompanhou o Sr. Ivaldo Guimarães, mais conhecido como Vadinho, diretor da Associação Cultural Pedra do Reino, sediada em São José do Belmonte, o qual nos prestou muitas informações sobre o lugar. Até então nós só conhecíamos do castelo os pavimentos onde estavam as mercadoria da loja. Agora nos deslumbramos com um novo cenário. Vimos, então, nas paredes, desenhos coloridos como se fossem bordados, luminárias gigantescas, estátuas, fotografias, bonecas enormes de barro. Porém o que mais nos impressionou foi a cidade cenográfica retratando o século XX nos anos 30, localizada no último pavimento. Que beleza, que criatividade.  Fotografei alguns dos cenários os quais são mostrados nas fotos abaixo. Faço, então, um convite, se você algum dia passar de carro pela cidade de São José de Belmonte, logo depois da cidade de Jati, veja do lado esquerdo da rodovia que dá acesso à BR 232 o castelo da Pedra do Reino ou Castelo Armorial e faça uma visita. É imperdível! E se você também passar pela cidade de Pesqueira, entre na cidade e não deixe de visitar outro lindo castelo que está em construção. Também estive lá e cliquei várias fotos as quais também são mostradas aqui. Visitei também o Castelo de João Capão em Garanhuns. Castelos de contos de fada existem, mesmo! E o Estado de Pernambuco é privilegiado, pois seus filhos se dedicam a criar e arrumar histórias e fantasias para todos nós.
Uma semana linda e abençoada por Deus.        
Fachada do Castelo de São José do Belmonte


Eu e o Sr. Clécio, dono do Castelo Armorial
Daniel, Clécio, Vadinho e sua esposa
 Abaixo algumas salas da cidade cenográfica















O castelo de Pesqueira

O castelo de João Capão em Garanhuns