domingo, 2 de fevereiro de 2014

A delicadeza de pessoas que me acolheram - Parte II

Dona Heloísa Camilo, residia na Rua Santa Rosa esquina com Rua Conceição. Sua casa se destacava, era um bonito bangalô. Durante vários anos foi diretora do Grupo Escolar Pe. Cícero devido o seu dinamismo e capacidade.Agradava e era generosa com os professores e funcionários, recebendo deles a recompensa de um bom desempenho em suas atribuições. Sabia cativar e cultivar amizades.
Amiga e confidente de mamãe. Sempre a visitava, com seu espírito brincalhão e divertido fazendo tudo para que mamãe se distraísse em momentos de depressão Adorava o carnaval, foi uma brilhante foliona. Participava ativamente de todos os eventos prestigiando a atuação do seu esposo, José Camilo da Silva quando exerceu o cargo de vereador na Câmara de Vereadores de Juazeiro.


Dona Cilinha Almeida, a dama das flores artesanais em tecido. Durante anos trabalhou com flores artificiais, seus arranjos belíssimos enfeitaram muitas casas de nossa cidade. Ficou viúva muito cedo e dedicou sua vida ao seu filho Anísio e às flores. Sua casa durante muitos anos foi uma verdadeira oficina. Com a morte do seu único filho prematuramente enclausurou-se em sua casa, a sua única distração era receber os amigos para conversar e confeccionar seus arranjos. Quando a conheci através de Anísio, ela morava na Av. Dr. Floro, hoje reside na Rua do Cruzeiro próxima da Rua São Paulo.

Anunciada Marques (Ciada), tia de Daniel. Foi ele que me apresentou a ela. Muito tímida, a mão gelada de tanta vergonha ou medo. Medo de não agradá-la, de não ter o perfil indicado para namorar com o seu sobrinho. Passei no teste quando ela sorriu para mim. E que amizade bonita surgiu entre nós. Criatura sábia, alegre, conselheira, prestativa, gozava da amizade de toda a vizinhança. Eu já estava casada, morando na Rua São José, dois quarteirões acima da minha casa ela morava. Quando ela ia para o Socorro passava sempre em minha casa para uma conversinha amigável, para me desejar uma boa semana. Quando Michel nasceu, fazia questão de colocá-lo para dormir, tinha experiência demais, pois criou oito filhos. Passei a morar na Rua Padre Cícero, nº 960, o mesmo número de sua casa na Rua São José, levava Michel para passear e passava em sua casa, como ela ficava feliz. Mudamo-nos para a nossa casa própria na Rua Santa Rosa, visitava-a com frequência. Pedia conselhos, receitas culinárias e remédios para os meninos. Demonstrava uma afeição especial por mim e vice-versa. Uma amizade de mãe e de filha existiu entre nós, Daniel até dizia: " Parece que tia Ciada é tia de Neuma e não minha”. Isso porque nos identificávamos muito. Sofri muito com sua partida.

Dona Adalgisa Borges, senhora elegante e educada. O meu contato com ela aconteceu no comércio do seu esposo, seu Aderson Borges de Carvalho no Depósito ABC, loja de confecções. Tinha preferência em comprar nessa loja porque o preço era bem acessível, costumava, então, vez por outra visitá-la em busca de novidades. E dona Adalgisa gerenciava a loja, acredito. Recebia com muita gentileza os clientes, e algumas vezes até atendia. Seu charme e elegância me chamavam à atenção. Inúmeras vezes a encontrei no salão de Edna Figueirêdo, dizia que só confiava nela para arrumar seus cabelos. Sua alegria transmitia felicidade, era uma pessoa feliz.

Dona Derceles, mulher super comunicativa, sua alegria irradia felicidade. Exerceu o seu ministério de educadora no Grupo Escolar Pe. Cícero durante 35 anos. Foi professora inicialmente, depois ocupou o cargo de vice-diretora na gestão de dona Heloísa Camilo. Com o falecimento de dona Heloísa ela ocupou o cargo de diretora aposentando-se em 1982. Nas reuniões que aconteciam na 5ª Dere com a participação da Delegada de Ensino e das diretoras e vices sempre a encontrava. Uma característica sua não ficava com dúvidas, interferia para esclarecer pontos que a deixavam confusa. Fico feliz quando a encontro porque ela me abraça com um carinho todo especial, que me deixa bastante sensibilizada.


Dona Marlúcia Almeida, mulher de muita força e de trabalho. Quando a conheci ela morava na casa vizinha da casa dos meus futuros sogros, naquela época, anos já se passaram. Ela muito amiga de dona Maria e com filhos pequenos, o que eles faziam, aproveitavam-se da amizade dos pais com os vizinhos e escapuliam num piscar de olhos para serem paparicados na casa de dona Maria. Lá se fartavam de guloseimas, Carlinhos, Adriana, Luciana e principalmente Murilo, o caçula da turma. E foi nesse clima brincalhão que a conheci. A simpatia foi recíproca, ficamos amigas e quando nasceu o meu primeiro filho, o casal, seu Neomísio e dona Marlúcia foram os padrinhos. Padrinhos nota mil, presentes em todas as ocasiões de nossa vida e da vida do afilhado. Quando nos encontramos, dona Marlúcia não deixa de perguntar: “Como vai Michel? Tá tudo bem com ele?” É um amor verdadeiro, amor de sangue, de família mesmo!

Dona Maria Elza, morava na Rua Santa Rosa, próxima da casa de dona Heloísa Camilo. Sua casa estilo bangalô, naquela época pessoas com boa situação financeira eram que possuíam casas assim. Hoje já não mora nessa casa, mas os novos proprietários modificaram pouca coisa, o estilo continua o mesmo, quiseram preservar a beleza de coisas antigas e belas. A Ótica Boa Visão, uma das primeiras a abrir no comércio de Juazeiro foi de propriedade de seu esposo, José Gomes de Almeida. Lembro-me de dona Maria Elza, em um birô ao lado de seu José Gomes, na loja. A compra do meu primeiro óculos foi feita nessa loja, que hoje já não existe. Dona Maria Elza muito solícita me atendeu com muita delicadeza e paciência. Demorei um bocado para decidir, mas ela calmamente, sem nenhuma pressa atendeu às minhas exigências, com um prazo estendido e no carnê. Fazia um bocado de tempo que não a encontrava, para melhor dizer, anos. E saber que moramos na mesma cidade. Estava fazendo compras em um supermercado e a vi de longe. Cheguei perto para me certificar se era ela mesma e que alegria o nosso encontro. Um abraço apertado recheado de muito carinho de ambas. Esse encontro aconteceu bem próximo do Natal, foi um presente maravilhoso que recebemos.          
Desejo para vocês, meus estimados leitores uma semana maravilhosa, rica das graças de Deus!  

MENSAGENS RECEBIDAS
Analuce Macedo: Os recortes mostram um pouco da realidade. Bom seria que na passagem para Recife, houvesse uma parada no castelo de São José de Belmonte! Como Neuma diz, e eu assino embaixo, é imperdível! Se fosse na Europa, com certeza teria uma fila enorme para adentrar as porta do castelo. Valorizar a nossa cultura é sempre enriquecedor!

Eduardo Macedo: Minha tia, quão cruel é a sanha do capital. Saber que tínhamos um castelo em plena capital, destes, mesmo, "castelos de fato!", e deixamos que fosse derrubado em prol da construção dum mercantil que nunca veio, sequer, aos alicerces. Triste demais. Ótimas imagens e texto!

Simone Beserra: Parabéns pelos três anos da Coluna Recordações. Quem sabe faz e você sabe, por isso vale a pena ler seus textos lindamente escritos com simplicidade e clareza.

Salete Bezerra: Querida Neuma,  Estou gratíssima  pelo Portal de Juazeiro, sua coluna é uma beleza...desconhecia esse prêmio ao nosso povo.Vou ser leitora assidua dessa maravilha. Sem sua licença enviei na minha lista de e-mails. Obrigada, muitos beijos para você, e um abraço para Daniel.
   Até a próxima, se DEUS quizer.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Fantasias infantis que se tornaram realidade

Quando criança o meu comportamento era de uma criança medrosa, encabulada e que tinha o costume de me apegar às pessoas que trabalhavam na casa dos meus pais que causava até certo vexame. Lembro que muitas vezes chorei demasiadamente quando saíam para casar, uma delas, resolveu ser freira (como chorei) e outras porque não serviam para o serviço, que eram despachadas. Ficava dias borocochô como diz Célia Morais, triste pela ausência de pessoas que gostava, principalmente porque estava perdendo as contadoras de história de Trancoso que me faziam dormir relatando seus contos e fábulas. Acreditava que existiam princesas, reis, príncipes, sereias, mãe-d´água, pai da mata, tudo isso fazia parte do acervo de histórias que me contavam. Minha mente, então, fervilhava imaginando os palácios com torres imensas, palacetes, castelos, florestas, anões e bruxas. O tempo veloz afasta certos conceitos e valores que antigamente nos faziam tanto bem. As lembranças ficam guardadas, mas vez por outra nos reportam para o tempo de criança e num piscar de olhos o vendaval de emoções nos assolam. Nas minhas viagens por este Brasil afora na companhia de Daniel, descobrimos fatos e cenas engraçadas e algumas vezes interessantes. Nas viagens a Triunfo, Caruaru, Garanhuns passamos na cidade de São José do Belmonte, PE e ficamos curiosos quando vimos ao lado da rodovia, pela primeira vez, ainda em construção, um majestoso castelo. Ficamos intrigados, não paramos e seguimos viagem. Um tempo depois voltamos pela mesma estrada, o castelo já era avistado de longe, já estava quase concluído. Não paramos novamente, seguimos nosso destino. Um bom tempo passou e viajando por esse mesmo percurso, pedi para Daniel parar para que tirasse algumas fotos na frente do castelo. Em outubro do ano passado viajamos para Garanhuns fugindo do calor daqui que estava infernal e qual não foi nossa surpresa quando avistamos de longe o castelo com as portas abertas. Paramos, descemos do carro e entramos no castelo. O que tinha acontecido? O castelo era uma loja de variedades, segundo informações prestadas pelos vendedores a inauguração da loja acontecera no mês anterior, portanto no mês de setembro. Ficamos extasiados, olhando de um lado para o outro, para cima, e quanto mais admirados ficávamos mais surgiam detalhes. Pensei na hora, estou voltando ao meu tempo de criança das fadas e das cinderelas, dos anões e Branca de neve, de Rapunzel! Gente, fiquei tão feliz! Nesse exato momento estava realizando o sonho de conhecer um castelo, de me aventurar nele, de subir escadas e porões. Voltei à realidade, de repente. Faltava o rei, o príncipe e a princesa. Onde estão? Sumiram, evaporaram. Nada disso, o castelo abrigava uma loja “tem de tudo”. Perguntamos pelo proprietário e a resposta que obtivemos que ele tinha viajado para Recife. No início deste ano retornamos a Garanhuns, só que desta feita na companhia de Junior e Analuce (cunhado e irmã), para que eles conhecessem a cidade que é muito linda. Quando passamos em frente ao Castelo em São José de Belmonte, a cidade histórica da Pedra do reino, objetivo de um livro de Ariano Suassuna e que posteriormente transformou-se em um seriado da Globo, A pedra do reino encantado. Surpresa! A loja havia fechado, não atraiu muitos clientes e por isso fora fechada. Junior e Analuce, curiosos e maravilhados com o que viam,  também queriam fotografar e por isso descemos do carro. Quando nos aproximamos da porta principal ela estava entreaberta, pedimos licença, um senhor muito distinto, chamado Clécio de Novaes Barros, dono do local, nos atendeu e perguntou se queríamos conhecer o castelo. Claro que sim, respondemos. Perguntar a quem tem sede se quer água? Pasmem leitores, este senhor muito simples, é o proprietário do castelo. Ele simplesmente nos ciceroneou, mostrando tudo que havia nos três pavimentos do castelo, que ele disse se chamar Castelo Armorial, baseado no Movimento Armorial criado em 1970, por um grupo de artistas e intelectuais pernambucanos, liderados pelo escritor paraibano Ariano Suassuna.Também nos acompanhou o Sr. Ivaldo Guimarães, mais conhecido como Vadinho, diretor da Associação Cultural Pedra do Reino, sediada em São José do Belmonte, o qual nos prestou muitas informações sobre o lugar. Até então nós só conhecíamos do castelo os pavimentos onde estavam as mercadoria da loja. Agora nos deslumbramos com um novo cenário. Vimos, então, nas paredes, desenhos coloridos como se fossem bordados, luminárias gigantescas, estátuas, fotografias, bonecas enormes de barro. Porém o que mais nos impressionou foi a cidade cenográfica retratando o século XX nos anos 30, localizada no último pavimento. Que beleza, que criatividade.  Fotografei alguns dos cenários os quais são mostrados nas fotos abaixo. Faço, então, um convite, se você algum dia passar de carro pela cidade de São José de Belmonte, logo depois da cidade de Jati, veja do lado esquerdo da rodovia que dá acesso à BR 232 o castelo da Pedra do Reino ou Castelo Armorial e faça uma visita. É imperdível! E se você também passar pela cidade de Pesqueira, entre na cidade e não deixe de visitar outro lindo castelo que está em construção. Também estive lá e cliquei várias fotos as quais também são mostradas aqui. Visitei também o Castelo de João Capão em Garanhuns. Castelos de contos de fada existem, mesmo! E o Estado de Pernambuco é privilegiado, pois seus filhos se dedicam a criar e arrumar histórias e fantasias para todos nós.
Uma semana linda e abençoada por Deus.        
Fachada do Castelo de São José do Belmonte


Eu e o Sr. Clécio, dono do Castelo Armorial
Daniel, Clécio, Vadinho e sua esposa
 Abaixo algumas salas da cidade cenográfica















O castelo de Pesqueira

O castelo de João Capão em Garanhuns

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A delicadeza de pessoas que me acolheram - Parte I

Quando estudante do Ginásio e do Normal recebi uma atenção especial das mães de minhas colegas quando participava das reuniões de equipes para execução dos nossos trabalhos. Muito delicadas, conversavam e brincavam com a gente, serviam merenda. Na realidade era um ambiente aconchegante que nos levava a trabalhar com mais produtividade. Vejamos as pessoas que me fizeram tanto bem!   

Dona Roquinha Tenório, mãe de Fátima Cruz, morava na Av. Dr.Floro. Os nossos encontros para estudos eram sempre no período da tarde. Fátima, muito inteligente, pegava com muita facilidade as explicações dadas pelos professores e nos repassava. Dona Roquinha, como boa anfitriã, nos recebia com alegria e o lanche não faltava, as saborosas bananas fritas na manteiga, açúcar e canela. Que delícia, senti o gostinho na boca!





Dona Nininha Pita, mãe de Cecília, sua casa ficava em frente à Praça Padre Cícero, vizinha da Farmácia dos Pobres. A turma muito brincalhona gostava de ficar na calçada com os olhos na praça, com a leve esperança de surgir um paquera, estudos que é bom, necas. Precisava de uma voz para nos alertar e quem nos chamava? Claro que era dona Nininha com um sorriso cativante nos lábios, pessoa muito alegre, nos advertia: “esqueceram de estudar?” Entra a turma para a sala e o clima de estudo se instala. Sua mãe muito simpática, dona Mariinha os cabelinhos brancos envolvidos num cocó presos por uma travessa de tartaruga. Assim a tenho na memória. O lanche que nos servia era um saboroso pudim com ameixas. As nossas despedidas feitas com abraços afetuosos dados por dona Nininha quando terminávamos as nossas tarefas. Criatura do bem. Saudades!

Dona Nenén Lopes, mãe de Glória, morava na Rua da Conceição, em frente ao prédio dos Correios. Dona Neném, muito religiosa, assistia à missa de 6h todos os dias na Matriz de Nossa Senhora das Dores. Fiel companheira de Lia Marques no Apostolado da Oração. Como colega e amiga de Glória diariamente passava em sua casa para que fôssemos juntas para o Ginásio Mons. Macedo. Na porta de sua casa, chamava por Glória e dona Nenén com sua voz bem mansa e agradável com sotaque pernambucano respondia: “Glória já está indo”. A amizade com Glória era sincera, uma amizade de irmã para irmã. Fui convidada por dona Nenén para passar umas férias em Recife na casa de suas irmãs, foram férias inesquecíveis. Quando terminamos o Normal, Glória buscou seu curso universitário em Recife, Assistente Social. Cursei a faculdade, no Crato, Pedagogia. Mas a amizade continuou, sempre que encontrava dona Nenén ela me dava notícias de Glória e dos netos. Dona Nenén, mulher batalhadora e humana, que tive o prazer de conviver com ela.

Dona Helena Oliveira, mãe de Maria D´arc, morava na Rua Pe. Cícero, próxima da Rua Carlos Gomes. Uma senhora muito dinâmica, enviuvou muito cedo, mas soube cuidar e educar sua única filha com muito amor. Conseguiu uma cadeira do Estado para ensinar. Alfabetizou muitas crianças e jovens nas imediações da cidade do Crato, no Sítio Buriti. Todos os dias pegava o ônibus e se dirigia a escola em que trabalhava para exercer o seu magistério. Ensinou na Escola Figueirêdo Correia, na época que dona Isabel Moura Leal a dirigia. Transferiu-se para a Escola São Rafael, cuja diretora era Vilani, e lá se aposentou. Não gostava de ficar parada e por isso abriu uma lojinha em sua residência com produtos da Avon. D´arc prestes a fazer o vestibular, dona Helena liga pra mim e me incentiva para que me inscrevesse no vestibular da Faculdade de Filosofia do Crato, no Curso de Pedagogia. Área escolhida por D´arc, e no caso se passássemos seríamos colegas e ela me daria carona. Não me entusiasmei muito, pois não estava preparada, trabalhava dois expedientes no escritório das Lojas Credilar, de propriedade de meu tio, Valdo Figueiredo. O tempo para investir nos estudos era insuficiente. Dona Helena tanto insistiu que resolvi atendê-la. Fiz minha inscrição e logrei êxito. E foi graças a ela que através de tanta conversa, de tanto exemplo e de tanta insistência a responsável pelo meu êxito no vestibular. Durante três anos acompanhei D´arc e o seu noivo, Almiro para a Faculdade, dona Helena confiava muito em mim. A ela o meu profundo respeito e gratidão.

Dona Salete Cruz Bezerra, mãe de Tereza Fátima, sua casa ficava na Praça dos Ourives, próxima da Estação Ferroviária. Minha aproximação com dona Salete aconteceu numa tarde de domingo, quando fui convidada por Tereza Fátima para conhecer o seu enxoval de noiva que sua mãe tinha comprado, nessa época nós estávamos noivas. Tereza de José Roberto e eu de Daniel. Tereza Fátima me apresentou à sua mãe, estava encabulada por ir bisbilhotar o seu enxoval. Enxoval esse que só pessoas abastadas tinham condições de adquiri-lo. Dona Salete muito simpática me recebeu com distinção. Falou que ficasse a vontade e nos deixou a sós. Tereza desempacota colchas, toalhas, bordadas com as iniciais, toalhas de mesa bordadas, um enxoval de primeira qualidade. Foi uma tarde bastante divertida. A partir desse dia dona Salete quando encontrava comigo me cumprimentava muito alegre. Uma simpatia recíproca. Quando Tereza casou e foi morar em São Paulo, nas férias quando vinha a Juazeiro trazia dona Salete até minha casa para jogar as conversas fora. Numa dessas vezes dona Salete admirou a quantidade de enfeites que eu tinha e disse: “minha filha, como é que você dar conta de tanta coisa pra limpar?” Caí na risada. Respondo agora para dona Salete: “Naquele tempo tinha disposição e gosto, hoje tenho o mínimo possível de enfeites, as extravagâncias de antigamente já não fazem parte da minha vida”. A dona Salete o meu agradecimento e admiração pela atenção que a senhora dispensa a mim e a Daniel e pelo trabalho manual que suas mãos habilidosas executa com tanta precisão. Parabenizo-a pelos lindos bordados que a senhora costuma fazer para presentear familiares e amigos.Um ano de muita luz.

Leitores amigos, uma semana abençoada e rica de graças de Deus!  

Mensagens recebidas sobre a coluna anterior:     
- Concita Gomes: isso é muito belo!
- Rosiana Oliveira: Parabéns Neuma.
- Linda Callou: Sou fã de um marido apaixonado...parabéns!
- Cleidinha Fernandes: Parabéns!
- Mirna Figueiredo: Parabéns!!!Mais não poderia ser diferente com os ensinamentos
- Neuma Toledo: Parabéns Neuma.
- Josimar Lima: PARABÉNS DONA NEUMA.
- Marluce Ferreira de Carvalho: Parabéns Neuma, estou quase sempre consultando sua coluna. Tive o prazer de ler o  livro que nossa saudosa professora e amiga Eunice Arraes escreveu e que você mencionou em sua coluna..Parabéns também ao casal que acho lindo!!!
- Marilourdes Macedo: Parabéns! Só temos a lhe agradecer,
que Deus continue iluminando seus lindos ensinamentos... Beijos da sua prima
- Valdelucia Costa: Parabéns querida Neuma. Você é um exemplo a ser seguido. Beijos
- Josane Cassia: Parabéns Neuma por ter o dom de ser culta e de transmitir sabedoria e carinho para todos nós. Abraços.
- Magdalene Boaventura: Parabéns pelo sucesso e obrigada por nos enriquecer com sua sabedoria. Um abraço.
- Stela Maris López Garcia: Boa Noite minha querida amiga! Há poucos minutos Luana me ligou dizendo que você já havia publicado na sua Coluna uma homenagem  a Heloísa, Isadora e Yolanda, relacionado as mensagens de Natal. Então, liguei o computador pra conferir, e não foi surpresa encontrar um texto bem escrito, porque esse seu talento já conheço! Mas sabe o que me surpreende é essa sua forma de nos surpreender!  Pois com esse seu olhar detalhista, típico de pessoas dotadas de um coração grandioso e repleto de amor ao próximo, você deixa marcado no nosso coração sentimentos que guardamos com muito carinho! Fiquei realmente muito comovida e emocionada! 
Então expresso o meu sincero e comovido agradecimento por tão lindas palavras! Simplesmente linda a homenagem as "três bonequinhas"! Obrigada! Como pais, plantamos a semente e  Deus é quem faz germinar!
Deus lhe abençoe!!


domingo, 12 de janeiro de 2014

Gestos de ternura. Lições de casa que foram aprendidas.

Diletos leitores, apresento-lhes hoje uma grande surpresa que recebemos na véspera do Natal, digo recebemos porque aconteceu num jantar de confraternização na residência de Stela Maris, cunhada de meu filho, Daniel Junior. Minhas netas, Heloísa e Isadora (filhas de Daniel Junior) e Yolanda, neta de coração, filha de Stela Maris, prepararam durante uma semana presentes que na ocasião do jantar iriam nos entregar. Nos postamos à mesa, aguardando o jantar. Silêncio. Surgem as três bonequinhas, como costumo chamá-las, cada uma com uma folha de papel nas mãos. Yolanda, a caçula da turma, leu uma linda mensagem de Natal que preparou às escondidas para não perder o sentido da surpresa. Em seguida Isadora leu com uma voz firme, um lindo versinho enaltecendo o nascimento de Cristo e por último, Heloísa, mensagem mais longa e com mais detalhes. É importante lembrar que cada uma criou à sua maneira e no final o resultado foi uníssono, versando sobre o nascimento de Jesus. Ficamos boquiabertos com o cenário e com o desfecho das leituras. Cada uma apresentou sua mensagem com muita desenvoltura, numa entonação perfeita. Essas cabecinhas pensantes nos prepararam um presente extraordinário. E não ficou só nisso, as três nos entregaram pequenos mimos, que qualifico como toques de ternura. Uma embalagem de presente e dentro uma cadernetinha para anotações e um cartão de natal. A capa da cadernetinha foi criação delas. E o mais importante de tudo isso é que compraram com dinheiro de seus cofrinhos. Para nós, avós, avó, pais e tia a conclusão que tiramos é  que a semente que plantamos encontrou um lugar fértil para se desenvolver. As lições que ensinamos para as crianças têm retorno com certeza. As imitações, os exemplos, as obrigações são produzidas e alimentadas com o despontar da sabedoria. Abaixo exponho as mensagens e os presentes que preparam e diga-se de passagem com muito amor e emoção.

Natal
Para ter um natal perfeito
Precisamos de muita alegria
Felicidade, amizade
Paz e amor

O natal não significa
Só ganhar presentes
O significado verdadeiro do natal é
O aniversário de Jesus Cristo
Por isso vamos comemorar o natal
Com o seu verdadeiro significado
Isadora López

O sentido do Natal 
Finalmente chegou o dia tão esperado, o momento de festejar essa data tão importante. Mas, vale lembrar que o natal não é comemorado pelo simples fato de ganhar presentes. É de extrema valiosidade que recordemos do verdadeiro significado do natal que é o nascimento do menino Jesus.
No dia do nascimento de Cristo sentimos o nosso coração bater mais forte, com uma emoção diferente. Além disso é muito bom no final do ano, quando renovamos as esperanças de que no próximo ano dias melhores irão surgir. Sem contar do prazer que é reencontrar familiares e amigos. No dia de Natal temos que guardar na memória apenas os bons momentos e esquecer as infelicidades e contrariedades que tivemos durante o ano. Afinal, temos que estar de cabeça erguida para enfrentar o ano que está por vir.
No natal, sim, ganhamos presentes, mas os mais importantes são aqueles que realmente veem do coração, ou seja, amor, carinho, afeto, perdão, compreensão e as mais valiosas: a fé e a esperança.
Heloísa López

O verdadeiro significado do Natal

  O verdadeiro significado do natal não está nos presentes. Claro que é muito bom ganhar presentes, mas o essencial é Jesus Cristo!!
 Muitas pessoas se preocupam em comprar presentes pra dar aos seus familiares e esquecem do verdadeiro significado do Natal ( No dia 25 de Dezembro nasce Jesus Cristo o Salvador do Mundo).
 Então vamos nos preocupar de estar com a família e sentir a harmonia do Natal! 
Carinho ....e amor
Feliz natal! 
E um próspero ano novo!
Yolanda López






Terceiro aniversário da minha coluna
Agradeço a vocês, leitores assíduos da minha Coluna que graças ao incentivo que tenho recebido,  entrou na escalada do ano III de existência. Brindemos por isso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

O Legado deixado pela professora Eunice Arraes

Quinta-feira, dia 26, recebi um telefonema no final da manhã da amiga Fátima Arraes comunicando o falecimento da professora e amiga dona Eunice Arraes. Surpresa, espanto, desolação e tristeza se apossaram de mim. Na antevéspera do natal liguei para ela para lhe desejar um Feliz Natal. Notei em sua voz um pouco de cansaço, mas jamais imaginei que o seu falecimento aconteceria três dias depois. Ah! Dona Eunice como a admirava e a amava. O seu jeito dócil, sua fala pausada e baixa. E uma característica que fazia parte de sua personalidade: o gesto nobre de presentear os amigos. Quantos presentes recebemos, Daniel e eu. Os doces de banana, de maçã; as bijus que me presenteava e dizia sorrindo, “que eram a minha cara”. As toalhinhas de bandeja com crochê, lindíssimas. E o calendário de folhinhas da Editora Vozes com versos seus que foram selecionados. Porém o presente mais valioso foi o livro  contando a história da nossa vida em versos. Quando fomos à sua casa no dia 23 de março de 2011 para lhe felicitar pelo seu natalício a senhora nos recebeu cheia de felicidade. Com a alegria estampada em seu rosto foi logo nos dizendo: “que honra recebê-los hoje!” Respondi imediatamente: “não podíamos deixar de vir lhe abraçar no dia especial do seu aniversário. O dia de agradecer a Deus pelo dom da vida”. Ela riu com aquele sorriso matreiro, com um olhinho mais baixo que o outro e respondeu: “logo cedo acordei dando graças a Deus por minha vida. É  maravilho viver”. Entregamos-lhe os presentes. Fiz um mimo do Divino Espírito Santo e lhe presenteei dizendo: “foi feito por mim”. Ela agradeceu e disse: “vou colocar aqui nesta porta”. Realmente o colocou de imediato. Quando estive em sua casa no dia do seu velório, ele estava lá, pregadinho no mesmo lugar. Demoramos um bom tempo, colocando o papo em dia. Uma conversa de amigos verdadeiros. Não aguentando mais esperar, soltei sem preâmbulos a proposta que tínhamos para fazer-lhe. “Dona Eunice (sempre a chamei assim porque ela foi minha professora particular e não consegui perder o hábito), queremos lhe fazer um convite e nos sentiremos felizes com a sua resposta positiva. Trata-se de um livrinho para comemorar as nossas Bodas de Rubi, quarenta anos de uma união feliz contada em versos e a pessoa escolhida para fazê-lo foi a senhora”. Ela ficou emocionada, notamos em seu semblante espanto e um certo envaidecimento, mas nos respondeu calmamente: “vocês acham que tenho capacidade para atender este pedido?” Respondemos unânimes: “Com certeza, é a pessoal ideal”. Explicamos que queríamos que se baseasse no meu livro, Neuma uma mulher de fibra e de fé, que Daniel escreveu e me presenteou quando completei 60 anos. A resposta não foi dada imediatamente, pediu um tempo para degustar a ideia. Saímos confiantes que a resposta seria positiva. Após alguns dias nos ligou informando que aceitaria o desafio. Demos um prazo de quase um ano, pois a comemoração aconteceria somente em 9 de fevereiro de 2012, prazo suficiente para fazer sem nenhum vexame. No meado do mês de maio nos ligou avisando que tinha concluído o nosso livro, a nossa história. Não resistimos e fomos logo à sua casa, já estava nos esperando porque avisamos antes que iríamos. Muito organizada, como sempre, nos entregou numa pasta o manuscrito. Ah! quando li as primeiras estrofes as lágrimas deslizaram dos meus olhos, pois  estava diante de um sonho realizado, a concretização daquilo que imaginei. Com o manuscrito em mãos, dei início à digitação para encaminhar à gráfica. Quando concluí, Daniel levou para que ela fizesse uma revisão final,  e poucos dias depois devolveu. Guardamos com muito carinho, dentro de um baú até que chegasse o momento certo para levar para a gráfica. Estávamos no mês de junho, ela foi muita rápida para compor a nossa história. Minha sogra adoeceu no mês de agosto; muitas idas e vindas para médicos, hospitais, assistência integral a ela, entretanto o livrinho foi impresso em nossa casa para ver como ficaria e o guardamos, aguardando o momento de levar para a gráfica. Ei dona Eunice guardamos segredo, não queríamos que visse antes do evento, pois queríamos fazer-lhe uma surpresa. Recebemos da gráfica no dia 27 de janeiro de 2012, tempo suficiente para preparar os envelopes e enviar pelos Correios e outros para entregar pessoalmente. Dona Maria, minha sogra,  piorava a cada dia, mas teve o prazer de ver a nossa história impressa e como não estava em condições de ler, li para ela. No dia 9 de fevereiro de 2012, às 9 h, assistimos à missa  em ação de graças pelos 40 anos de nosso matrimônio, uma união perfeita na Basílica de Nossa Senhora as Dores, mesmo local onde nos casamos.  Lilia Boaventura, como Ministra da Eucaristia, comunicou para o celebrante, padre Monteiro, e ele mencionou no momento da leitura das preces a alegria e júbilo deste momento tão especial. Saímos da igreja e fomos até a sua casa para entregar cinquenta exemplares do seu primoroso trabalho. Gostou do formato, da capa e brincou conosco dizendo: “agora estou famosa com este opúsculo que fiz para vocês provando a minha amizade verdadeira e o carinho especial que dedico a vocês!” Ficamos orgulhosos de suas palavras sinceras. Foi dessa forma, apreciadores desta Coluna, a afeição e a convivência que desfrutamos com essa pessoa maravilhosa, a professora Eunice, e que Deus em sua infinita bondade lhe poupou de sofrimentos levando-a como um sopro ao convívio com o Pai e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Segue abaixo a história de nossa vida conjugal escrita pelas mãos angelicais de dona Eunice, manuscrito que guardo como relíquia.